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quarta-feira, 20 de maio de 2009

Sztálinváros

Sztálinváros significa “Cidade de Estaline” e foi baptizada com esse nome no ano de 1952. A partir de 1961, ou seja quase dez anos após a fundação, Sztálinváros mudou de nome para Dunaújváros, que significa “Cidade nova do Danúbio”, capital da província de Fejér no centro da Hungria.
A cidade de Dunaújváros é uma das mais recentes na história do país, foi toda edificada na década de 50 durante o grande programa de industrialização nacional do pós-guerra.
Originalmente, ou seja, o plano para a construção de um centro industrial pesado era em Mohács, perto da fronteira com a Jugoslávia, mas porque estava em causa também o rearmamento nacional, por questões de segurança foi preferido este lugar ao centro do país.
A construção de Sztálinváros começou em Maio de 1950, perto da antiga Dunapentele (chamava-se Pentele quando foi fundada em meados do séc. X no local onde existiu a Intercisa, acampamento e cidade romana da Pannonia), projectada para cerca de 25.000 residentes, em 1954 (quando a grande indústria do ferro e aço começou a produzir) já contava com mais de 27.000, e em 1960 com mais de 31.000 habitantes.
Actualmente Dunaújvaros mantém as actividades centradas no plano industrial, a siderurgia nacional continua a produzir, mas entretanto instalaram-se no local outras industrias diversas, tais como fabricação de pneus, material para telecomunicações etc. Nos anos 80 chegou a ter uma população de 60.000 habitantes, mas que tem vindo a decrescer a par da terciarização da economia e dos atractivos criados na capital.
As imagens apresentadas não são propriedade do autor.

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Zikkurat

Zigurate é uma palabra de origem suméria (na língua acádia ou assiro-babilónio dizia-se ziqqurrat) que significa qualquer coisa como “elevação” ou “construção alta”.

Como edifício, o Zigurate é uma espécie de torre de igreja ou templo em forma de monte. Mais do que um mero edifício, simboliza o universo, um lugar de encontro entre os deuses da Terra e os do Céu.

Em Budapeste há um Zigurate, construído recentemente como parte integrante da galeria e arranjos exteriores do novo Teatro Nacional, segundo projecto de Péter Török, Zoltán Szabó e Réka Kralovánszky.

Zikkurat sumér szó, jelentése: magasságos.

Az égi és földi istenek találkozóhelye. Az zikkurat egy épülettípus: toronytemplom / hegytemplom , mely a világmindenség jelképe.

Az épületet tervezte: Török Péter, Szabó Zoltán, Kralovánszky Réka. A Nemzeti Színház kiállítóhelye.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Uránia Nemzeti Filmszínház

E quando a ida ao cinema não acontece por causa do filme? É possível e normal, mas não em qualquer parte. Encontrar alternativas aos cinemas-pocilga (onde a sorvência estridente de refrigerantes se confunde ou alterna com ruminância, contando com um sempre presente cheiro nauseabundo a milho transfigurado no ar) é uma questão de atitude, de resistência ao medíocre ou simples não resignação.
Entrar no Uránia Nemzeti Filmszínház (Cine-teatro Nacional Uránia) pode portanto significar muito mais do que ir ao cinema, é um espaço onde a beleza não se distingue do luxo e o propósito popular se dilui na aparição museológica. Os átrios diversos do interior, sejam de convívio, refeição, ou até escadarias e guarda-roupa são extremamente belos, dignos de apreciar atentamente.
Segundo informação prestada pelo Oktatási és Kulturális Minisztérium, o edifício Uránia foi construído na última década do séc. XIX segundo projecto de Henrik Schmal, encomendado por Kálmán Rimanócsy.
O estilo arquitectónico, muito peculiar e único na cidade, incorpora o gótico-veneziano e o árabe-mouro. Apesar de ter sido desenhado com o propósito de exibir música e dança, foi inaugurado como cabaret e alugado pouco tempo depois à Academia de Ciências para conferências, apresentações científicas e educacionais.
Em 1917 o Uránia foi reconstruído de um incêndio e adaptado para a projecção cinematográfica, nos anos 30 remodelado e tantas mais vezes como as de ter cambiado de dono, até ao ano de 2002 quando o Estado decidiu reconstruír rigorosamente o imóvel, agora classificado e protegido, premiado e catalogado, esplêndido e pouco lucrativo (a ter em conta que o preço dos bilhetes no Uránia é inferior à maioria das salas de cinema de Budapest).
Arte nova, gótico e estilo mouro nas formas e decoração escondem moderna tecnologia na qualidade de som, segurança, instrumentos e aparelhos mecânicos de palco (actualmente o Uránia exibe paralelamente cinema e teatro) iluminação, sanitários, etc.
A sala principal e dois pequenos estúdios oferecem cerca de 700 lugares para as estreias de todos os filmes de produção nacional e alguns estrangeiros, bem como festivais de cinema e mostras independentes.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Omszki tó

A temperatura insistente em negativa promove actividades muito positivas, ocasionais ou espontâneas, desportos e exercício físico ao ar livre, locais onde vizinhos, colegas ou amigos se reencontram.
Hóquei, patinagem, corridas de trenó, brincadeiras simples ou complexas, passeios a pé e uma satisfatória novidade para os mais novos, os iniciados da vida.
Durante o Verão o pequeno lago Omszki (Omszki tó) é praia de nudistas e tem também um sistema mecanizado para a prática do esqui aquático. Durante as outras estações “diz” que é bom para a pesca. Sim, um lago com um diâmetro inferior a 1000 metros e que confina com um hipermercado e um nó de auto-estrada, tem essa faculdade de ser útil em diferentes momentos.
Ali perto fica o rio Danúbio (Duna folyó) cuja lentidão é ainda a de um Inverno a meio, transportando à superfície blocos de gelo da sua própria alma.
Ao largo, na água que delimita a fronteira entre o município de Budakalasz e a ilha de Luppa (Luppa sziget), os patos seguem novamente resistentes e imunes ao enregelamento dos membros inferiores, principalmente quando decidem afastar-se de curiosos que nem sempre aparecem por bem, crêem.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Erdély

É um ondulado constante, sempre igual sem arestas, sempre verde mas não de floresta.
Os Cárpatos são também a Transilvânia, Erdély na língua húngara, um acidente geográfico que resultou desde sempre em natural divisão política e por consequência em diferenciação social. As linhas de fronteira que os homens admitiram coincidir desde sempre com a morfologia do terreno são os limites das grandes planícies da Hungria, onde as ambições de ocupantes e invasores se satisfaziam. Foram afinal os constantes conflitos militares que provocaram a repartição do reino e portanto a separação da Transilvânia, não tanto a dissociação das etnias porque em verdade nunca foram unidas. Se por um lado o Tratado de Trianon definiu uma alienação que desde há muito já estava definida pelas gentes, a decepção do mesmo foi tornar o território numa província do reino romeno.
Apesar de actualmente a religião em preferencia ser a ortodoxa ao invés da católica, os povos da Transilvânia assimilaram a língua romena (latina) sem anular porém o húngaro (fino-úgrico). Ali também se encontram populações de etnia Rom, curiosamente tão antigas nestas paragens como as de origem magyar. O som das suas palavras é internacional e independente de idiomas, bem como o modo vestir, agir e interagir com os demais.
As aldeias e lugares apresentam exactamente a mesma organização urbanística verificada na Hungria, as casas, de forma rectangular, estão implantadas sempre perpendicularmente à estrada que atravessa as povoações (contudo afastadas da mesma) e paralelas entre si.
Junto aos portões das entradas quase todas têm um banco protegido por um telheiro, onde as provincianas mais velhas aproveitam alguma luz e calor do sol enquanto as horas passam de conversa e as movimentações “alienígenas” são monitorizadas.
Demográficamente aquele interior (compreendendo interior tudo o que é afastado dos grandes centros urbanos) não é diferente das estatísticas para o espaço europeu, população envelhecida e ainda bastante dependente da agricultura.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Terror Háza

O edifício com o número 60 da Andrássy út em Budapeste é actualmente um museu. O museu é simplesmente o próprio edifício, anterior sede de distintas organizações políticas da Hungria.
Arrendado desde 1937 a uma associação (espécie de movimento) nacional-socialista, em 1944 chamava-se Hűség Háza (Casa da Lealdade) enquanto esteve instalada a direcção do “Partido cruz de flechas”, de iniciativas concertadas com o regime nazi da alemanha. A partir de 1945 e até 1956 o mesmo edifício albergou os serviços centrais da ÁVO e posteriormente da AVH, as polícias políticas do regime comunista.
A Andrássy út é uma avenida (alameda) classificada como património mundial pela Unesco, onde a beleza harmoniosa dos edifícios de finais do séc. XIX (neo-renascentistas) alinham com a larga via separada por árvores e onde a segunda linha de metro mais antiga do mundo percorre o eixo em subterrâneo e com paragens frente à “Casa da Ópera”.
Mas nas caves do edifício número 60 centenas de pessoas foram torturadas e mortas pelas mãos dos membros de um partido extremista que arrastou a Hungria para a destruição total (impossibilitaram o acordo político tentado por Horthy Miklós com diversos países que efectivamente cancelaria a aliança com a Alemanha), após terem sido exterminados (enviados para campos de concentração nazis) milhares de cidadãos húngaros judeus, ciganos ou “anti-sociais” e após outros tantos milhares de militares terem também perdido a vida na própria guerra que em 1944 estava literalmente perdida.
Com a ocupação (referida durante décadas como “libertação”) soviética de 1945, o PRO (Politikai Rendészeti Osztály, ou seja Departamento de Polícia Política) tomou conta das instalações sob ordem dos comunistas húngaros, que as transformaram em sede da ÁVO (Államvédelmi Osztálynak, ou seja Departamento de Segurança do Estado) e que posteriormente se passou a chamar de ÁVH (Államvédelmi Hatóságnak, Autoridade para a Segurança do Estado). As três organizações foram comandadas pela mesma pessoa, Gábor Péter, o aprendiz de alfaiate que se tornou mestre na perseguição política, instalando a vigia e a delação como armas, o interrogatório e a tortura como meio, a deportação e o assassinato como consequência.
O museu Terror Háza (Casa do Terror) é por um lado um monumento em honra das vítimas dos regimes dictatoriais opostos na Hungria, mas principalmente é uma memória que se pretende sempre viva sobre os erros do passado, para que não se repita.

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Egri minaret

É o mais setentrional minarete turco e foi construído durante os 91 anos de ocupação Otomana da cidade de Eger.
Desde 1596 até 1687 (ano em que os exércitos cristãos liderados por Charles de Lorraine ao serviço dos Habsburgos cercaram o castelo), todas as igrejas de Eger foram convertidas em mesquitas, tendo sido edificados banhos públicos termais, bem como alguns minaretes e outras construções.
O minarete de Eger (Knézich Karóly utca 1) é um dos últimos três existentes na Hungria e tem 40 metros de altura.

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Szent Péter Székesegyház

A Catedral de Pécs foi supostamente edificada entre 1009 e 1064 (alguns séculos antes, nos últimos anos do Império romano, existia nesse mesmo local uma capela pertencente ao cemitério cristão (os túmulos, hoje subterrâneos, são visitáveis junto à própria igreja). Posteriormente, durante a ocupação otomana o edifício serviu parcialmente como mesquita para veneração ao deus dos turcos e também como depósito de armamento.

Com a reconquista houve necessidade de reabilitar o edifício (onde se verificou uma conversão de estilo gótico para barroco), mas foi entre 1882 e 1891 sob a autoridade austríaca (a cargo do arquitecto vienense Friedrich Schmidt) que as grandes obras de renovação (embora a estabilização das paredes e cobertura tenham sofrido importantes trabalhos de engenharia entre 1805 e 1830 sob a supervisão do arquitecto húngaro Mihály Pollack) trouxeram a magnitude à Catedral de Pécs ao estado similar que hoje se encontra (o estilo actual aproxima-se do original, românico, portanto é neo-românica).

Em termos de interiores é simplesmente magnífica e deveras incomum, principalmente pela área de pintura (frescos de Károly Lotz), onde nenhuma superfície foi olvidada, bem como o altar do séc. XVI em mármore vermelho e um epitáfio de alabastro do séc. XVII feito em Roma.. O exterior, sóbrio de quatro torreões, apresenta um actual estado de conservação exemplar (as estátuas dos doze apóstolos junto à cornija são da autoria de Károly Antal).

Digno de nota é o portão em bronze da entrada principal, na verdade trata-se de uma escultura já do séc. XXI que demonstra ser possível a harmonia entre peças e obras de arte de diversas eras no mesmo conjunto.

Uma videira entrelaçada onde se escondem pássaros e outros seres vivos graciosos, mas também onde aparece representado, discretamente, a imagem de Szent Istvan (o rei católico da Hungria) a entregar a própria Catedral ao Bispo de Pécs. A história, a verdade da história por vezes é representada pelos mais pequenos detalhes com significados múltiplos e de inteligência preciosa.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

A Siklósi vár

O castelo de Siklós foi construído no início do século XIII por ordem da família Soklyosy, membros da tribo Kán, uma das tribos magyar reconhecidas no povoamento das grandes planícies e subsequente fundação da nação.
No século XIV, sob domínio da família Garai, o castelo de Siklós ganhou uma importância emblemática e representativa de poder com a incorporação de um conjunto de edifícios ao estilo gótico.
Em 1515 a família Perényi comprou as propriedades e reforçou as muralhas tratando objectivamente dos aspectos defensivos da fortificação, embora tenha também cuidado de renovar fachadas e interiores ao estilo renascentista.
Os exércitos turcos do Sultão Suleiman ocuparam o castelo em 1543 e ali se mantiveram até 1686, ano em que as forças imperiais austríacas, sob comando do Conde Aeneas Caprara, o libertaram. Este Marechal de Campo foi responsável pelo aumento das instalações e reconstrução devida (próxima das formas que hoje se podem observar), embora algumas modificações de estilo (Barroco) tenham sido implementadas pela família Batthyány, proprietária a partir de 1728.
Apesar de ser identificado documentalmente o exército húngaro como o último proprietário reconhecido, o castelo de Siklós foi abandonado bastante danificado após a II Guerra Mundial.
Actualmente a manutenção do castelo de Siklós é gerida pelo próprio Município de Siklós, tendo sido renovado em 1955 pelo Instituto Nacional de Preservação do Património Histórico e pelas autoridades administrativas da Província de Baranya.
As imagens apresentadas não são propriedade do autor.

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Pérolas arquitectónicas da Transilvânia

Demonstrar estaticamente orgulho na etnia a que se pertence não é coisa habitual entre os ciganos, habituados alguns a uma espécie de nomadismo, outros à permanência demorada com preparos bastante rudimentares, muito poucos ao luxo.
Excepção a esta regra acontece na Transilvânia, a norte da Roménia, onde o passado húngaro ainda é recordado actualmente através da língua que afinal tem uma influência expressiva na cultura, tradição e religião das populações.

Apesar de existirem bastantes ciganos tanto na Hungria como na Roménia, é somente na Roménia que se encontram as famílias prósperas (infelizmente ali se verificam porém os extremos da pobreza na mesma etnia), com riqueza material e até poder político.

É afinal a única explicação que se pode dar ao fenómeno arquitectónico que está à vista, obras novas licenciadas ou simplesmente toleradas, autênticas “pérolas” futuristas com harmonia estética incomparável.

Alguns destas construções estão literalmente encostados aos edifícios vizinhos, com o privilégio ímpar no direito de vistas entre varandas de apenas alguns centímetros, coisa absolutamente natural, fundamental e necessária, tendo em conta que se tratam de habitações unifamiliares.

A expressão “construiu uma casa meio aciganada” é típica e comum para criticar a casa nova que o vizinho edificou e de que não se gosta por alguma razão.

Pode até parecer pejorativa qualquer primeira análise do assunto, mas a coisa é séria e deve ser entendida no seu contexto.

Apesar dos materias de base serem fracos ou impróprios (exemplo de construções em que as alvenarias são parcialmente em blocos de cimento de boa qualidade, conjugados com blocos do tipo caseiro e rematados com tijolo maciço refractário e usado), serem utilizados materias aproveitados de outras obras distintas e o projecto ser coisa dinâmica (o objecto final resulta diferente do objecto projectado pelo arquitecto ou artista equivalente), nos acabamentos tudo muda de figura, que o “dono-da-obra” (cigano rico e poderoso) investe forte nos apêndices decorativos até aos limites da sua imaginação e capacidade artística de serralheiros e artesãos da forja.

O que é certo é que cada obra resulta em moradia imponente, cumprindo o objectivo para o qual foi pensado, realiza os sonhos de muitas famílias e acaba em atração turística enquanto fenómeno sócio-cultural.

Qualquer semelhança entre as casas dos ciganos romenos e os pagodes budistas é mera coincidência porque as técnicas e os propósitos são distintos.

quarta-feira, 30 de abril de 2008

A Gyulai vár (2)

No ano de 2005 foi inaugurada a renovação do castelo de Gyula.
Se por uma lado pode ser considerado agradável visitar o património nacional bem cuidado, isto é, limpo e técnicamente seguro (não somente pelos sistemas de video-vigilância, alarme e protecção a incêndios mas também pela colocação de escadarias, passadiços e coberturas novas) por outro lado algumas sensações se vão perdendo, que o cheiro a materiais antigos (a humidade aliada a madeiras velhas habitadas por simpáticos insectos ou recantos onde mamíferos roedores descendem dos tempos medievais, tem o seu encanto) bem como um ambiente rústico (nada mais excitante do que tentar empurrar uma porta empenada com dobradiças que rangem há séculos) deixou de existir.
Ou seja, visitar o Castelo de Gyula por dentro é como visitar uma casa-museu do tipo Serralves, onde os espaços e a iluminação dos mesmos foram estudados ao milímetro da sabedoria arquitectónica moderna, onde infelizmente os acesso a deficientes ou a pessoas mais idosas e com fraca mobilidade (subir e descer escadarias, degraus e patamares) foi totalmente desconsiderado.
O bilhete cobrado à entrada merece devida justificação, porque existem funcionários e vigilantes que cuidam de preservar as peças expostas, algumas de valor ou de relevante importância, principalmente para os mais jovens.
Algumas salas do piso térreo foram preparadas para mostrar ferramentas e ofícios tradicionais, como a de oleiro, ferrageiro, carpinteiro, também uma moagem, e uma câmara de torturas, não significando por isso que alguma vez tivessem laborado dentro do castelo.
Nas salas de pisos superiores o objectivo da decoração é mais museológico, peças de mobiliário, vestimentas, armas, armaduras e peças de actividades bélicas ancestrais.
Existem duas peças expostas que despertam a atenção de qualquer visitante seguramente. Uma cama de adulto mas com dimensões pouco habituais nos dias de hoje (há alguns séculos atrás provavelmente as pessoas eram bem mais pequenas, eventualmente por motivos a ver com um regime de alimentação menos equilibrado) e também um cadeirão com estrutura em madeira mas com uns pormenores escultóricos, entalhamento de umas figuras femininas desnudas, o que leva a crer que seria uma peça de mobiliário própria num quarto de dormir (é verdade que estava exposta na mesma câmara que a cama) com um profundo sentido erótico.
De modo a visualizar o aspecto exterior e conhecer a história deste edifício, consultar o artigo A Gyulai var (1), publicado no Szerinting a 9 de Fevereiro de 2008.

terça-feira, 22 de abril de 2008

Duna & Budapest

O contraste geomorfológico que se verifica entre Buda e Pest, relevo de acidentes opostos e separados harmoniosamente por um rio, aliado ao estilo de arquitectura revivalista do século XIX, neoclássico, neogótico e eclético, fazem de Budapest uma das cidades mais românticas da Europa, uma beleza que se transforma em atracção tal qual uma paixão confundida com amor.
O Parlamento da Hungria é simplesmente impressionante, num estilo gótico revivalista e de traseiras voltadas para o Danúbio, os seus 17.700 metros quadrados são distribuídos por 691 salas num edifício simétrico com 268 metros de comprimento por 123 de largura e uma cúpula central com 96 metros de altura. Esse corpo central é uma sala hexadecagonal que dá acesso à câmara alta e à câmara baixa (actualmente somente existem plenários numa das câmaras, a baixa, renomeada de Assembleia Nacional). No centro desta sala está exposta a sagrada coroa real.
O Parlamento (Országház) foi inaugurado em 1896, exactamente 1000 anos após a fundação da nação. O arquitecto Imre Steindl, escolhido por concurso público, nunca chegou efectivamente a ver a sua obra finalizada porque adoeceu e ficou cego, acabando por morrer em 1902. As outras propostas que não venceram o concurso todavia foram construídas, são elas os edifícios frente ao Parlamento que servem o Ministério da Agricultura e o Museu Etnográfico.
O castelo de Vajdahunyad (cópia de um castelo existente com o mesmo nome na Transilvânia, hoje Roménia) foi originalmente construído em madeira e cartão-pedra para a Exposição Universal de 1896 e celebração do milénio sobre a fundação do Estado húngaro, segundo projecto também de Imre Steindl. Posteriormente foi reconstruído em pedra, materiais nobres e duradouros segundo planos de Ignác Alpár, o arquitecto projectista do edifício do Magyar Nemzeti Bank (Banco Nacional Húngaro), na Szabadság tér. O castelo de Vajdahunyad é um palácio lindíssimo embora confuso na mistura de estilos de arquitectura, implantado junto ao lago do jardim da cidade (Városliget).
Em conjunto com o Parlamento, a Basílica de Santo Estevão é o edifício mais alto de Budapest (também com 96 metros). Sendo a maior igreja da cidade, o estilo de arquitectura é neoclássico numa planta com forma de cruz grega e demorou 54 anos a construir (isso aconteceu porque em 1868, durante a construção, a estrutura colapsou e teve que ser completamente demolida para posteriormente ser reiniciada). Numa das duas torres sineiras está alojado o maior sino da Hungria que conta com 9 toneladas de peso (substituiu um anterior com 8 toneladas que foi retirado para o fabrico de peças de artilharia durante a II Guerra Mundial). Esta basílica tem o nome do primeiro rei húngaro (István) porque este foi reconhecido em Janeiro de 1001 pelo Papa Silvestre II como um rei cristão (de facto a coroa real foi oferecida pelo Papa) e assim integrando a Hungria numa Europa excluída de pagãos.
Os 28 quilómetros de Duna (Danúbio) que banham a cidade de Budapest são adornados por nove pontes diferentes onde se destaca a Széchenyi lánchíd (ponte de correntes Széchenyi) que liga o centro de Pest ao sopé da Várhegy (colina do castelo) onde encontramos o palácio de Buda, também do século XIX, implantado parcialmente no lugar do antigo castelo medieval destruído após as invasões turcas e reconquista austríaca (sob o comando do príncipe François-Eugène de Savoy, general francês ao serviço dos Habsburg). O aspecto actual resulta de uma remodelação recente que adaptou as instalações para propósitos museológicos (a Galeria Nacional de Arte, o Museu da cidade e a Biblioteca Nacional), embora tenha sofrido grandes alterações nas fachadas e coberturas quando foi reconstruído dos danos causados pelos bombardeamentos americanos da II Guerra Mundial.

sábado, 19 de abril de 2008

Kecskemét

Capital da província de Bács-Kiskun, na exacta meia distância entre Budapest e Szeged, Kecskemét com os seus cerca de cem mil habitantes é uma das maiores cidades da Hungria. Aqui estamos em Alföld (a grande depressão, planície), numa região bastante arenosa entre os rios Duna (Danúbio) e Tisza.
O grande atractivo arquitectónico é encontrado no centro da cidade, ao estilo Arte nova encontramos a Câmara Municipal (alguma semelhança com a Câmara Municipal de Szekszárd, embora esta muito mais pequena) na praça Kossuth e um conjunto de igrejas onde se destaca a católica de Szent Miklós e a protestante.
Na praça Szabadság (Liberdade) encontramos o edifício Cifra Palota (Palácio ornamentado), um belo exemplo de Jugenstil, terminado em 1902 por autoria do arquitecto Géza Márkus.
O festival da Primavera é uma feira com venda de artesanato nos espaços ajardinados amplos da belváros, onde não falta a aguardente de pêssego (barackpálinka), o mel, os utensílios de madeira, artigos de cabedal e chapéus, doces regionais.
Kecskemét foi referida pela primeira vez pelo rei Lajos I em 1368 como cidade (alguns aglomerados de população anteriores desapareceram com as invasões mongóis). As invasões turcas não afectaram, pelo contrário até beneficiaram o desenvolvimento desta cidade (serviu de refúgio para os camponeses) que se tornou um centro de comércio agrícola e animal (ainda hoje a actividade pecuária tem uma dimensão expressiva, principalmente a criação de cavalos) com a protecção directa do pasha de Buda entre os séculos XVI e XVII.
No final do século XIX a plantação de vinha em grandes propriedades resultou na acumulação de capital e um nível de riqueza que afinal explica a beleza algo excêntrica e grandeza dos edifícios no centro da cidade, exemplo do teatro Katona József, do casino, do liceu piarista por exemplo.
O compositor e etnomusicologista Kodály Zoltán nasceu em Kecskemét no ano de 1882.