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domingo, 2 de dezembro de 2007

Praha

Praga compete em beleza com Budapeste, numa disposição e enquadramento muito idênticos, apesar de distantes em termos de dimensão e também em idade (assim se notando bastantes diferenças arquitectónicas).
Praga é a “cidade das cem cúpulas”, Budapeste é a “pérola do Danúbio”. Dependendo de pontos de vista, como é óbvio, o centro da capital Checa está entre os mais belos lugares de património arquitectónico classificado. As diversas pontes em pedra sobre o rio Vltava, as torres de relógio (aquele fabuloso relógio astronómico na Staré Mesto) e o grande castelo em Hradcany, que domina a capital desde a margem oriental.
Praga é a capital da República Checa, anteriormente da Checoslováquia (até ao acordo pacífico de 1992 para a separação do país em dois Estados soberanos e independentes, respeitando afinal a lógica e as razões da história, que a Boémia e a Morávia nunca foram províncias húngaras como a Eslováquia havia sido).
A Checoslováquia fora fundada em 1918 na sequência do desmembramento territorial imposto ao Império Austro-húngaro com a derrota na I Guerra Mundial com base em pressupostos discutíveis de relatividade linguística e eventualmente cultural (Tratado de Saint-Germain-en-Laye, ratificado oficialmente no ano seguinte).
O Reino da Boémia esteve sob domínio austríaco (Habsburgo) mais tempo do que em situação independente, absolutista desde 1526 até 1848 com algumas interrupções (por exemplo com a invasão saxónica e sueca resultante da Guerra dos Trinta Anos) e a partir dessa data num regime quase do tipo federativo (similar ao adoptado pela Hungria mas com menos poderes relativamente ao poder de Viena) após revoltas nacionalistas.
E porque Praga tem a sua história coincidentemente ligada a datas terminadas em oito, importa referir também que em 1938 aconteceu a anexação pela Alemanha (Pacto de Munique) e em 1968 um movimento de revolta popular (conhecido como Primavera de Praga) contra o regime socialista e a ocupação soviética, reprimido com bastante energia em nome e pela força estabilizadora do Pacto de Varsóvia.