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domingo, 12 de julho de 2009

E quando o vermelho cai?

O verde cai, diferente do vermelho e ao meio está o amarelo. O amarelo acende na sequência dessa queda, a do verde. Mas enquanto forma de expressão, permita-se ao vermelho cair nos semáforos.
É já noite avançada e cai o vermelho quando se vê no presente o que parece estar à vista no futuro, projecções nas paredes brancas de um betão que por ser branco se excusou à pintura. “Verão na casa” é turbulência inusitada na Praça Mouzinho de Albuquerque, no lugar de um edifício mais parecido com um meteorito e que seria fabuloso se apenas fosse maior, bem maior.
Mas os jovens acotovelam-se às centenas anestesiados por um sabe-se lá quê, mas que entendem como música, ensurdecedora e a despropósito dos sonhos iniciais para o monumento... enquanto nas segundas filas dos semáforos que caem verdes por sequência inversa à forma da expressão, aguardam os impacientes idiotas do código morse e buzina estridente.
Assim é o Verão na cidade onde a música tem uma casa à sua medida.
A imagem apresentada e um olhar atento foram gentilmente cedidos por Bee Amacke.

sábado, 20 de junho de 2009

Feira Popular de Lisboa

Havia a Feira Popular de Lisboa e o Café dos pretos, o caldo verde e o pão com chouriço. Haviam as farturas, os algodões doces, as rifas que saíam sempre, os tiros das armas empenadas e os furos dos chocolates Regina. Ainda o Combóio fantasma, a Montanha russa e o Poço da morte.
Naquele espaço de Entrecampos existia antigamente um mercado de gado. No espaço da anterior Feira Popular, na Palhavã, passou a haver um museu, um centro cultural, uma galeria de exposições de arte moderna, um anfiteatro, um auditório para conferências, concertos e bailados... rodeados por um belíssimo jardim, a Fundação Calouste Gulbenkian.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Feira Agrícola de Santarém

Certa freguesa comentava em voz alta “esta é uma belônde de acuitáine”, enquanto o marido anuía com o olhar posto nas charolesas, ambas no sector dos bovinos premiados. O odor aqui era menos intenso do que junto às celas dos porcos de raça ibérica e também menos enjoativo do que o bedum emanado pelas dezenas de ovinos e caprinos expostos, alguns lavados e escovados para vaidade dos produtores.
O contentamento das crianças notava-se maior no contacto visual ou físico com os diversos animais vivos do que pelas barracas de gelados e expositores de doces mais ou menos regionais, mais ou menos artesanais que se encontravam no recinto.
À entrada havia rancho, do foclórico e também muita confusão no controlo dos bilhetes. Depois, alguma euforia em redor de uma distribuição de sacos de plástico publicitário cheios de ar às crianças, modo já batido de estímulo comercial, desta feita a um banco de créditos supostamente a propósito.
Em sector distinto estavam os equídeos, especificamente só cavalos de algumas raças comuns na produção nacional. Um exemplar raro de égua albina também se encontrava em exposição, embora não se tratasse de um animal extraordinário na generalidade comparativa.
A despropósito de agricultura, papagaios, periquitos e outros do mesmo reino mas de menor utilidade, assim como ratos e ratinhos ou cães da pradaria, a acreditar nas etiquetas apostas nas gaiolas.
Os campinos, lá subiam e desciam as ruas do CNEMA por entre barracas e tendas de comerciantes sob solo abrasador, para distracção e entretenimento da populaça, mais não fosse do que para registo fotográfico.
Há habitos que sempre valem a pena de repetir, nem que estejam passados uns quinze anos desde a última vez.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Palácio e Convento de Mafra

Era uma vez um rei que fez promessa de levantar um convento em Mafra. Era uma vez a gente que construiu esse convento. Era uma vez um soldado maneta e uma mulher que tinha poderes. Era uma vez um padre que queria voar e morreu doido.

O edifício foi mandado construir por D. João V na primeira metade do séc. XVIII, composto por um Paço Real, uma Basílica, um Convento Franciscano e uma grande Biblioteca.

João Frederico Ludovice, um ourives alemão mas com formação de arquitectura em Itália foi o projectista do mais belo e significativo monumento barroco em Portugal, inspirado na Roma papal mas com influência berniniana e elementos borrominianos.

“Medita D. João V no que fará a tão grandes somas de dinheiro, a tão extrema riqueza, medita hoje e ontem meditou, e sempre conclui que a alma há-de ser a primeira consideração, por todos os meios devemos preservá-la, sobretudo quando a podem consolar tambem os confortos da terra e do corpo. Vá pois ao frade e à freira o necessário, vá tambem o supérfluo, porque o frade me põe em primeiro lugar nas suas orações, porque a freira me aconchega a dobra do lençol e outras partes, e a Roma, se com bom dinheiro Ihe pagámos para ter o Santo Ofício, vá mais quanto ela pedir por menos cruentas benfeitorias, a troco de embaixadas e presentes, e se desta pobre terra de analfabetos, de rústicos, de toscos artífices não se podem esperar supremas artes e ofícios, encomendem-se à Europa, para o meu convento de Mafra, pagando-se, com o ouro das minhas minas e mais fazendas, os recheios e ornamentos, que deixarão, como dira o frade historiador, ricos os artífices de lá, e a nós, vendo-os, aos ornamentos e recheios, admirados. De Portugal nao se requeira mais que pedra, tijolo e lenha para queimar, e homens para a força bruta, ciência pouca. Se o arquitecto é alemão, se italianos sao os mestres dos carpinteiros e dos alvenéus e canteiros, se negociantes ingleses, franceses, holandeses e outras reses todos os dias nos vendem e nos compram, está muito certo que venham de Roma, de Veneza, de Milão e de Génova, e de Liège, e da França, e da Holanda, os sinos e os carrilhões, e os candeeiros, as lâmpadas, os castiçais, os tocheiros de bronze, e os cálices, as custódias de prata sobredourada, os sacrários, e as estátuas dos santos de que el-rei é mais devoto, e os paramentos dos altares, os frontais, as dalmaticas, as planetas, os pluviais, os cordões, os dosseis, os pálios, as alvas de peregrinas, as rendas, e três mil pranclias de pau de nogueira para os caixões da sacristia e cadeiral do coro, por ser madeira muito estimada para esse fim por S. Carlos Borromeu, e dos paises do Norte navios inteiros carregados de tabuado para os andaimes, telheiros e casas de acomodação, e cordas e amarras para os cabrestantes e roldanas, e do Brasil pranchas de angelim, incontáveis, para as portas e janelas do convento, para o solho das celas, dormitórios, refeitório e mais dependências, incluindo as grades dos espulgadoiros, por ser incorrompível madeira, não como este rachante pinho português, que só serve para ferver as panelas e sentar-se nele gente de pouco peso e aliviada de algibeiras. Desde que na vila de Mafra, já lá vão oito anos, foi lançada a primeira pedra da basílica, essa de Pêro Pinheiro gragas a Deus, tudo quanto é Europa vira consoladamente a lembrança para nós, para o dinheiro que receberam adiantado, muito mais para o que há-de cobrar no termo de cada prazo e na obra acabada, ele e os ourives do ouro e da prata, ele e os fundidores dos sinos, ele e os escultores de estátuas e relevos, ele e os tecelões, ele e as rendeiras e bordadeiras, ele e os relojoeiros, ele e os entalhadores, ele e os pintores, ele e os cordoeiros, ele e os serradores e madeireiros, ele e os passamaneiros, ele e os lavrantes do couro, ele e os tapeceiros, ele e os carrilhadores, ele e os armadores de navios...” In Memorial do Convento, de José Saramago.

D. João VI foi o único rei que habitou permanentemente o Palácio, durante todo o ano de 1807, imediatamente antes da partida da corte para o Brasil. Tendo sido utilizado esporadicamente pelo rei D. Carlos, principalmente por causa da Tapada, foi o seu filho mais novo, D. Manuel II, o último monarca que aqui pernoitou até à partida para o exílio, a 5 de Outubro de 1910.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Abraço à Baía

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Conta a «Lenda do Lago» que...

N'aquela tarde calma, fora a pesca abundante.

Sant’António, do seu nicho, assiste vigilante

À faina. Os pescadores largam já d’amarra

E, como o mar é manso, lá vão de proa à barra

Alegremente em fila, o porto demandando.

O leme vai na orça, velozes vão passando

Na linha da «carreira», em frente da capela.

O Santo vai contando, um por um, vela por vela.

O sol é posto já. Traiçoeiro a refrescar,

O vento aflige o Santo e atormenta o mar.

Toldou-se o céu também, logo a terra escureceu

E, no regaço, o Santo Jesus adormeceu.

Já nas ondas envergam os novelos d’espuma

Mas, na conta das velas, inda falta uma!

Nos lábios d’António, trémulos d’amargura,

Alguma praga ao mar entre as preces se mistura.

Um ponto branco, ao sul, lá longe entre a procela,

Traz rumo aproado, à alvura da capela.

O bom do Santo ao ver essa asa de gaivota

Que tão audaz procura a linha da derrota,

Empalidece e treme, temendo-lhe o destino.

Não se atreve porém a acordar o seu Menino.

E murmura: «Jesus, Senhor! A vaga é tão alta

E aquela vela é a mais pequena que me falta!»

Enquanto dura a luta entre o mar e a vela,

António nota já não ser deserta a capela.

Uma pobre mulher, nos degraus ajoelhada,

Cinge contra o seio uma cabecita dourada.

No seu ardente olhar e nos olhos da criança,

O ponto branco brilha, como um farol d’esperança

E o pescador afoito aproa sempre a vela

Ao vulto da mulher, à brancura da capela.

O mar redobra a fúria, é um leão rugindo

E tranquilo Jesus, no regaço, vai dormindo.

Mas avistando o pano, roto já p’la rajada,

A cabecita d’ouro exclama apavorada:

«Ó mãe? Ó minha mãe?

É o meu pai, que lá vem?!»

N’isto, o Menino acorda e, mui mal humorado,

O aio santo increpa, de sobrolho carregado:

«O que foi isto, António? Quem foi que se atreveu?!»

O Santo aponta a medo a vela, o mar, o céu.

Nos olhos da mulher, onde a vela é agravada,

Uma lágrima... uma pérola pendurada.

Desvairado ao vê-la, implora Sant’António:

«Senhor... fazei bonança... o mar é um demónio!»

Jesus, serenamente, do nicho então desceu,

Com uma mãozita em concha a pérola colheu.

O seu rosado braço, enérgico, balança

E às ondas infernais a humilde jóia lança.

Depois, sorriu ao Santo com divino afago

E no mar, defronte da capela, fez-se um lago .

Um Pescador de São Martinho do Porto

... mas as origens da «Pérola do Atlântico» serão outras e remontam a muitos milhares de anos. Por fenómenos naturais e de erosão, a Baía de S. Martinho do Porto, situada na Costa de Prata, a cerca de 130 km a Norte de Lisboa, será o que resta da Lagoa de Alfeizerão, uma das três grandes lagoas que formavam um vasto estuário.

De clima ameno e águas tranquilas, a Concha Azul, como é conhecida pela sua forma singular e perfeita, é actualmente uma estância balnear, porto de recreio e de recolha de algas e limos.

Dois morros alinhados quase fecham a concha. Entre eles, uma passagem – a barra - de apenas 250 m, resultante de um abatimento, há milénios, da linha das montanhas. Na parte Sul da baía, entre o rio Tornada e a barra, fica Salir do Porto (nome de influência espanhola), a povoação que se fixou nessa encosta e a praia fluvial; a Norte e contornando o resto da baía, São Martinho do Porto.

Antigo e principal porto de pesca, escoamento e transporte de produtos agrícolas, madeiras e mercadorias da região, transacções comerciais com grandes mercadores predominantemente da Galiza e importante estaleiro naval – terão começado a ser aí fabricadas, nos séc. XV e XVI, naus e caravelas que integraram as expedições dos «Descobrimentos Portugueses» e também a de Alcácer-Quibir, mandadas construir as desta pelo rei D. Sebastião – São Martinho do Porto vê as suas actividades seriamente afectadas, já no séc. XVIII, pelo progressivo assoreamento da baía, por acção das areias arrastadas pela ribeira de Alfeizerão que ali desaguava.

Desse estaleiro naval, saíram grandes fragatas bem como o primeiro navio a vapor. Porém, a gradual diminuição da profundidade das águas foi agravando as condições de navegabilidade da baía e acabou por impossibilitar o acesso de navios de alto bordo que, por esse motivo, foram desviados para o porto da Nazaré. O tráfego ficou assim restrito aos saveiros (transporte de sal) e outras embarcações de envergadura e tonelagem muito menores.

Golpe fatal, quer para a construção naval, que já se ressentia do esgotamento das madeiras provenientes das matas de Leiria, o «Pinhal do Rei» (rei D. Dinis), quer para o escoamento e transporte de mercadorias (absorvidos estes também pela entrada em funcionamento em 1887 da Linha férrea do Oeste) e as transacções comerciais daí decorrentes, quer ainda para as actividades piscatórias, principal fonte de riqueza da vila. O declínio do porto leva ao seu encerramento em 1923, ficando quase reduzido à carga e descarga de limos e algas. Esta alga, a corriola, abunda na baía e a sua apanha submarina, artesanal e em apneia, mantém-se. Depois de seca e transformada em pó, em fábricas da Figueira da Foz e do Barreiro, é exportada para o Japão e utilizada nas indústrias farmacêutica e cosmética.

Se a linha férrea e também a ligação do ramal de estradas de Alfeizerão à Estrada Real de Lisboa e Porto levaram à desactivação do porto, em compensação, trouxeram a S. Martinho do Porto uma nova fonte de riqueza: o turismo. As condições naturais excepcionais da Concha Azul, as águas calmas, o areal de cerca de 3,5 km ligando um morro ao outro, a temperatura amena durante todo o ano, a beleza e o relevo da mancha verde envolvente, fazem dela destino regular de fim-de-semana e férias, fixam gerações de famílias e atraem, nos meses de Julho e Agosto, milhares de turistas.

O ramo hoteleiro, a restauração, o comércio, a indústria e a construção expandem-se. Contudo, as infra-estruturas rapidamente se revelam insuficentes ou incapazes de responder ao afluxo. Os efeitos nocivos fazem-se sentir: por um lado, a construção desenfreada atenta contra as belezas naturais, arquitectónicas e patrimonais de uma vila genuína, estância balnear com um toque de Belle Epoque, onde ainda se encontram alguns exemplares de Barroco, Arte Nova e a típica «casa portuguesa»; por outro, os níveis de poluição das águas (descarga a montante da foz do rio Tornada de efluentes de suinicultura e outras indústrias) começam a desviar um número significativo de veraneantes para outras praias da região com melhores condições e oferta. Também a corrriola, sempre tão abundante, começa a desaparecer.

Os filhos de São Martinho, como se denominam os residentes e amigos da Concha Azul, inquietam-se, lutam pela bandeira azul e unem-se no sentido de, junto das entidades locais, acelerarem o arranque ou a execução de projectos já em curso e das medidas necessárias à despoluição das águas, ao desassoreamento da baía, à requalificação paisagística, à protecção e preservação patrimoniais.

Assim nasce a «Associação Verão de São Martinho», que lança, a partir de 1999 e todos os anos, num dia de Agosto, a iniciativa do «Abraço à Baía» como forma de protesto e sensibilização.

Consiste o «Abraço à Baía» num cordão humano, rente à linha de água, ao longo dos 3500 metros de areal que vão do cais de S. Martinho a Salir. Envergando uma t-shirt branca, criada para o efeito e oferecida a quem queira, o cordão forma-se rapidamente; às 16 horas em ponto, um veleiro emite um sinal sonoro e todos se dão as mãos.

Coincidiu o último «Abraço à Baía» com o único dia de nevoeiro cerrrado de Agosto de 2008.

De cores e humores variáveis próprios de cada estação, que vão desde o reflexo de prata no mar ao pôr-do-Sol de fogo, do céu límpido e brisa morna à imobilidade do nevoeiro denso depois de uns dias mais quentes, S. Martinho do Porto também conhece dias tempestuosos, de nuvens negras e chuvas torrenciais desabando sobre um mar de chumbo, cenário digno de uma das telas sombrias de William Turner.

Integrada num plano mais alargado e de grande envergadura, são já notórios os resultados da acção das «Águas do Oeste», entidade responsável pelos vários projectos de requalificação ambiental da região, pelo processo de despoluição, da entrada em funcionamento da ETAR (Estação de Tratamento de Águas Residuais) de S. Martinho e de um emissário que permite a descarga das águas residuais em mar aberto e não mais nas da baía. A melhoria da qualidade biológica das águas é significativa: a prová-lo, o reaparecimento da corriola.

Abraço à Baía é um trabalho excelente de Bee Amacke e gentilmente oferecido ao Szerinting. Todas as imagens apresentadas pertencem à autora, excepto a primeira.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Cromeleque dos Almendres

Descoberto em 1964 e declarado pelo Decreto-Lei nº 735/78 de 21 de Dezembro de 1974 como Imóvel de interesse público na subcategoria de Megálito classificado, os recintos megalíticos dos Almendres são o maior conjunto encontrado de menires erigidos na Península Ibérica e um dos mais relevantes da Europa.
Apesar de originalmente ter sido constituído por mais de uma centena de monólitos, os 92 menires encontrados com diferentes formas e dimensões levaram à detecção de diversas fases construtivas ao longo do período Neolítico, no local que veio a ser baptizado por Alto das Pedras Talhas.
Este monumento com funções provavelmente religiosas e lugar de observação astronómica, apresenta uma orientação segundo direcções equinociais.
O Menir dos Almendres é uma peça isolada e distante dos recintos embora o seu posicionamento original seja alinhado ao eixo dos mesmos, estando por isso provavelmente relacionado.
Tudo isto está localizado na Herdade dos Almendres (de propriedade privada), dentro dos limites da freguesia de Nossa Senhora de Guadalupe, município de Évora, isto é junto à Estrada Nacional 114, entre Montemor-o-Novo e Évora.

terça-feira, 15 de abril de 2008

Aveiro

Desde sempre tão deliciosa como os ovos moles e tão esbelta como os moliceiros, “in Aluario et Salinas” i.e. a cidade de Aveiro.
A Arte Nova tardia é contraste de Barroco e a ria formou os canais para aquelas embarcações coloridas navegarem.

Aveiro em Março é mais preciosa, onde toda a harmonia que a natureza entregou a S. Jacinto, de areias finas a salinas brancas, de enguias em caldeirada ou dôces de um amarelo cristalino e espesso, desde o século XV é relembrada ao povo que da arte somente sabe que a sente.

De Buga ou a pé, as quatro estações do ano podem sentir-se no mesmo dia e na mesma rua, enquanto a azulejaria tradicional portuguesa se conforma num envolvimento urbano único.

domingo, 4 de novembro de 2007

Lisboa

Há precisamente 860 Anos al-Lixbûnâ foi reconquistada aos mouros pelos cruzados do primeiro rei de Portugal, D. Afonso Henriques, 428 anos depois desta ser tomada pelos árabes aos Visigodos, que a chamavam de Ulishbona, nome que derivava de Olissipo, cidade romana desde 205 a.C até ao colapso do Império.
Anteriormente era Alis Ubbo, fundada pelos fenícios junto ao rio Taghi, cerca de 1200 a.C, posteriormente sob controlo administrativo de Cartago.
Em 1179 Lisboa recebeu foral e somente em 1255 passou a capital do Reino de Portugal.
Nos séculos XV a XVII, de Lisboa partiram a maioria dos navegadores empenhados nos Descobrimentos.
A Lisboa voltaram a maior parte das naus com riquezas das índias e Nôvo Mundo, assim como um ambiente único de concentração de comerciantes e estrangeiros de diversas raças e etnias, a juntar aos escravos e serviçais.
No reinado de D. João V (Século XVIII) foi construído o Aqueduto das Águas Livres, uma extraordinária e majestosa obra de engenharia, rede complexa de distribuição de água com centenas de quilómetros de canais, depósitos, fontanários, captações.
Em 1755, Lisboa foi completamente destruída por um violento terramoto.
A reconstrução de Lisboa após o terramoto foi oportuna para um planeamento urbano eficaz e inteligente, que mais aproximou esta cidade à organização e modernidade de outras capitais europeias (que diferente desta, sofriam habituais ocupações, invasões, destruições, logo eram constantemente renovadas).
Em 1808 os exércitos de Napoleão Bonaparte tomaram Lisboa sem grande resistência, que o próprio Rei D. João VI preferiu fugir para o Brasil, com uma comitiva de cerca de dez mil cortesãos, criados e favorecidos, numa frota naval enorme carregada dos tesouros reais, mobílias, pinturas, bibliotecas inteiras encaixotadas e escoltada pela marinha Inglesa.
Em 1908 no Terreiro do Paço, o Rei D. Carlos I foi assassinado e a 5 de Outubro de 1910 implantada a república segundo proclamação de José Relvas desde a varanda da Câmara Municipal.
No dia 25 de Abril de 1974 Lisboa foi palco de um levantamento militar (golpe de Estado) com o objectivo de alterar o regime político existente e iniciar uma série de processos administrativos, a maior parte com consequências desastrosas para a economia (eventualmente não previstas, provavelmente não intencionadas).
Lisboa é cidade geminada com Budapeste, Madrid, Paris, Atenas, Zagreb e outras.
As imagens de pinturas apresentadas não são propriedade do autor

terça-feira, 14 de agosto de 2007

Teatro Nacional de S. Carlos

O Real Teatro de S. Carlos de Lisboa foi inaugurado a 30 de Junho de 1793 com a exibição de La Ballerina Amante, ópera buffa de Domenico Cimarosa.
Edificado em menos de um ano sob a responsabilidade de José da Costa e Silva, o edifício ao estilo neo-clássico é um modelo idêntico ao Teatro dela Scalla de Milão, na verdade cópia do Teatro di San Carlo de Nápoles (já desaparecido) o que não é estranho tendo em conta a aprendizagem deste arquitecto na Academia Clementina di Bologna.
A construção do S. Carlos aconteceu por simples reposição da desaparecida Ópera do Tejo (que havia ruido durante o terramoto de 1755), iniciativa de um conjunto de burgueses apoiados pelo Intendente geral da polícia Diogo Inácio de Pina Manique.
O frontespício é dividido em três corpos, dois pisos sobrepostos, e um terceiro somente sobre o corpo central. O corpo central conta com três arcos frontais e um lateral, em volta perfeita, coroado por um terraço perfeito de balaustrada de cantaria, cujas janelas se encontram emolduradas por parastase, que suporta uma cornija destacada. Mais acima o relógio envolvido por grinaldas e duas janelas, dois pináculos e um brasão régio.
No interior, desse estilo barroco levado ao extremo (rococó), encontramos a sala de espectáculos de planta elíptica com cinco ordens de camarotes e um salão nobre, contando com pinturas de Manuel da Costa no tecto do salão, Giovanni Appianni no camarote real e Wolkman Machado junto à boca de cena.
Neste espaço Puccini, Rossini, Donizetti, Meyerbeer, Bellini, Verdi, Gounod, Wagner, Richard Strauss entre outros grandes compositores fizeram estreias de algumas de suas obras.

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Tavira

Imagem captada na ilha de Tavira, em Agosto de 2007

segunda-feira, 2 de julho de 2007

São Miguel

A verdade sobre o descobrimento do Arquipélago dos Açores é algo controverso na história da navegação portuguesa. Se por um lado cartógrafos genoveses em 1351 produziram vários mapas onde algumas das ilhas aparecem por terem sido descobertas aquando das expedições realizadas entre 1340 e 1345 às ilhas Canárias no reinado de D. Afonso IV de Portugal, por outro lado há confirmação escrita do descobrimento efectuado pelos marinheiros ao serviço do Infante D. Henrique em 1427.
Tal como outros descobrimentos, tal como as verdadeiras razões da afincada (e bem sucedida) negociação portuguesa com o reino de Castela sobre o Tratado de Tordesilhas (que estabeleceu um linha de demarcação de 370 léguas ao invés das 100 inicialmente propostas a partir das ilhas de Cabo Verde), prova inequívoca que Portugal sabia da existência do Brasil antes de “oficialmente” descoberto, eram os "segredos de Estado" do reino de Portugal.
Em certos termos podemos imaginar que naquele dia em que os súbditos do Rei de Portugal percorreram espavoridos os corredores do palácio para informar em primeira mão e de urgência a sua majestade de que os castelhanos haviam descoberto as "américas", essa informação não o excitou nem comoveu mais do que o menu de faisão assado no forno de um provável almoço regado a vinho das terras do Sado, afirmando seguramente: “Quando os meus vizinhos de Castela fizerem algo que eu antes não saiba, é porque algo está errado no meu reino”.
É então verdade que o início do povoamento das ilhas dos Açores foi no ano de 1432, (após reconhecimento inicial de Gonçalo Velho em 1431) por razões de interesse mais geo-estratégico do que directamente económico relativamente às potencialidades destes territórios. Como as ilhas estavam desertas, o povoamento foi realizado por populações oriundas do Alentejo e Algarve, bem como por estrangeiros, principlamente por flamengos e bretões (Os flamengos concentraram-se significativamente nas ilhas S. Jorge, Faial e Pico).
As ilhas das Flores e do Corvo foram descobertas por Diogo de Teive apenas em 1450.
As primeiras capitanias (sistema de administração corrente) foram constituídas em S. Miguel e Santa Maria.
Sendo que a Ilha Verde (S. Miguel) era a maior das ilhas do Arquipélago dos Açores, a população cresceu mais rapidamente do que nas restantes (actualmente mais de 50% dos Açorianos vivem nesta ilha) alguns anos após o povoamento por portugueses, judeus, mouros e franceses iniciado em 1440.
Com 65 quilómetros de comprimento por uma largura variável de 8 a 15 quilómetros, esta superfície de 746,82 km2 é composta pelos concelhos de Lagoa, Nordeste, Ponta Delgada, Povoação, Ribeira Grande e Vila Franca do Campo. A actual capital da ilha é Ponta Delgada, nomeada após o sismo de 1522 que atingiu Vila Franca do Campo.
Visitar Ponta Delgada e conhecer as Igrejas e alguns palácios que se mantêm de pé desde o século XVI é especialmente interessante durante as festas do Senhor Santo Cristo dos Milagres que são realizadas todos os anos no quinto Domingo depois da Páscoa.
Também por altura da Semana Santa, dezenas de micaelenses (Romeiros) percorrem a ilha a pé, durante oito dias, rezando e cantando em todas as Ermidas e Igrejas que se deparam pelo caminho.
Nas terras férteis de S. Miguel, de pastagens verdejantes que alimentam preciosamente o gado bovino (e daí uma impressionante quantidade de derivados de leite de alta qualidade), são produzidos cereais, chá, fruta e vinho.
Porque ali é Portugal, porque ali realmente se aplica o slogan: “vá para fora cá dentro”, vale a pena encontrar a beleza da lagoa das Sete Cidades (na verdade são duas lagoas limitadas por uma caldeira, mas com tons separados de azul e verde) e também o Vale das furnas, com vapores e águas quentes que emergem do solo e se misturam com as águas de outra lagoa numa paisagem paradísiaca.