segunda-feira, 6 de outubro de 2008
Erdély
quinta-feira, 22 de maio de 2008
Pérolas arquitectónicas da Transilvânia
Apesar de existirem bastantes ciganos tanto na Hungria como na Roménia, é somente na Roménia que se encontram as famílias prósperas (infelizmente ali se verificam porém os extremos da pobreza na mesma etnia), com riqueza material e até poder político.
É afinal a única explicação que se pode dar ao fenómeno arquitectónico que está à vista, obras novas licenciadas ou simplesmente toleradas, autênticas “pérolas” futuristas com harmonia estética incomparável.
Alguns destas construções estão literalmente encostados aos edifícios vizinhos, com o privilégio ímpar no direito de vistas entre varandas de apenas alguns centímetros, coisa absolutamente natural, fundamental e necessária, tendo em conta que se tratam de habitações unifamiliares.
A expressão “construiu uma casa meio aciganada” é típica e comum para criticar a casa nova que o vizinho edificou e de que não se gosta por alguma razão.
Pode até parecer pejorativa qualquer primeira análise do assunto, mas a coisa é séria e deve ser entendida no seu contexto.
Apesar dos materias de base serem fracos ou impróprios (exemplo de construções em que as alvenarias são parcialmente em blocos de cimento de boa qualidade, conjugados com blocos do tipo caseiro e rematados com tijolo maciço refractário e usado), serem utilizados materias aproveitados de outras obras distintas e o projecto ser coisa dinâmica (o objecto final resulta diferente do objecto projectado pelo arquitecto ou artista equivalente), nos acabamentos tudo muda de figura, que o “dono-da-obra” (cigano rico e poderoso) investe forte nos apêndices decorativos até aos limites da sua imaginação e capacidade artística de serralheiros e artesãos da forja.
O que é certo é que cada obra resulta em moradia imponente, cumprindo o objectivo para o qual foi pensado, realiza os sonhos de muitas famílias e acaba em atração turística enquanto fenómeno sócio-cultural.
Qualquer semelhança entre as casas dos ciganos romenos e os pagodes budistas é mera coincidência porque as técnicas e os propósitos são distintos.
sábado, 22 de dezembro de 2007
A Roménia de Estaline
O Secretário-geral do Partido Comunista da União Soviética e do Comité Central desde 1922 até 1953, nasceu em Gori, na Geórgia, a 18 de Dezembro de 1878. Filho de um sapateiro e de uma costureira, Estaline foi editor do Jornal Pravda antes da revolução de 1917 (derrube do regime czarista) e sucedeu a Lenine no comando da URSS dois anos antes do seu falecimento.
Estaline foi responsável, no decurso da sua governação pelos maiores genocídios alguma vez cometidos fora de tempos de guerra, contra o seu próprio povo. No início dos anos 30 uma reorganização social baseada na privação de alimento a umas 7,5 milhões de pessoas, na maioria ucranianos, acções persecutórias massivas contra todos os opositores políticos, por assassinato. Nos anos 40 cerca de 3,5 milhões de pessoas foram deportadas para a Sibéria ou para os extremos asiáticos, principalmente ucranianos, polacos, alemães, checos, lituanos, letões, búlgaros, arménios, gregos, finlandeses, coreanos e também judeus.
Aos Domingos de manhã é fácil observar o que se passa na capital, os munícipes assistem às missas com muita devoção e as igrejas estão apinhadas. Retábulos, iluminuras, pinturas de toda a espécie, antigas ou modernas encontram-se à venda em diversas lojas de artigos religiosos.
A Igreja Ortodoxa romena foi de certo modo suportada pelo poder político socialista, em detrimento da liberdade em fé distinta. Assim se explica como a Transilvânia, tendo sido província húngara e assim de fé católica durante mais de 1000 anos, em menos de um século sob administração romena e condição política reservada ao comunismo, transformou as estatísticas, ou seja, a crença do povo.
Apesar de tudo, a Transilvânia é um lugar muito especial, em termos sociológicos. A população dos lugares de província mantém o idioma magyar a par do romeno, coisa que passa de pais para filhos naturalmente, tal como a arquitectura tradicional mantém as características dos antecedentes húngaros porque a população realmente não se desconectou das suas origens.sábado, 3 de novembro de 2007
Bucureşti
Originalmente com o nome Cetatea Dâmboviţa (o mesmo nome do rio que banha a cidade, afluente do Danúbio), Bucareste é também conhecida como “Paris do Leste”, numa organização urbanística de largas avenidas, grandes lagos (Floreasca, Tei, Colentina) e belíssimos parques, como é o caso do Herăstrău e o do jardim botânico.
A quantidade de edifícios ao estilo Art noveau é considerável, embora a actual pressão imobiliária garanta a eliminação desse património a curto prazo, coisa que não é de estranhar tendo em conta que o planeamento urbano precedente (da era comunista) também não considerou importante esse factor.
Bucareste apesar de estar entre as maiores cidades europeias, não está entre as mais antigas nem seguramente entre as mais belas.
Constantemente destruída por desastres naturais e diversas acções humanas, Bucareste foi sistematicamente ocupada pelo Império Otomano em disputa com o Império Austro-húngaro e pela Rússia numa alternância de propriedade até à Guerra da Crimeia, passando pelos efeitos de influência da revolução húngara de 1848 e retomada ao poder dos austríacos até ao ano de 1857.
Um grande incêndio em 1847 fez desaparecer mais de 2000 edifícios (um terço do parque nessa altura), e o grande terramoto de 1977 (7,4 na escala de Richter) também levou a uma considerável reorganização urbana, sendo que as grandes e largas avenidas estão repletas de edifícios relativamente recentes com uma arquitectura pouco ou nada interessante.
Por detrás desses grandes blocos de apartamentos sociais, inteiros quarteirões escondidos são simples casas térreas, por vezes pequenos palacetes desfigurados ou sem conservação conveniente.
Junto ao centro encontram-se edifícios governamentais de dimensões megalómanas e de arquitectura também pouco atraente misturados com palácios esplêndidos e belos edifícios onde universidades e institutos funcionam.
Bucareste foi fundada no século XV, tendo passado a capital da Valáquia sob domínio Turco (Otomano) em 1659 e capital do Principado da Roménia em 1861 quando a Valáquia e a Moldávia se uniram após as guerras turco-russas (somente em 1881 foi proclamado Reino da Roménia, independente dos austríacos).
Entre Dezembro de 1916 e Novembro de 1918 a Roménia esteve sob ocupação das forças alemãs (a capital foi temporariamente transferida para Iaşi).
Já na Segunda Guerra Mundial aconteceu ter-se unido ao Eixo dominado pelos alemães, o que levou Bucareste a ser fortemente bombardeada pelos aliados até ao momento em que o Rei Mihai I (em finais de 1944) estabelece acordos reversivos de aliança com Stalin e Winston Churchil ( no mesmo ano em que a Hungria por outro lado passou a apoiar os alemães, tornando-se natural inimiga da Roménia). Esse afastamento do Eixo teve como consequência um novo bombardeamento (pela primeira vez alemão) sobre a capital. Injustamente, a União Soviética libertou a Roménia e desmantelou a monarquia.