Veneza, a cidade dos mitos e segredos, das artes e palcos, de amor e coincidências, são cento e dezoito ilhas num emaranhado de canais fácil de entender quando visualizados em mapa, mas complexo por palavras, simplesmente fascinante.
O Canal Grande é o trajecto que importa tomar na viagem de Vaporetto (o transporte público fluvial que faz o lugar de um autocarro, parecido com um Cacilheiro em miniatura) para alcançar a afamada Piazza San Marco. Porque as paragens e apeadeiros são imensos até lá chegar, a capacidade de armazenamento da máquina fotográfica deve ser razoavelmente boa, porque tudo parece monumental na cidade líquida, extraordinário se o céu estiver puro de azul.
É verdade que a referida praça principal (onde se encontra o Leão de Ouro, símbolo da Cidade-Estado, presente também na bandeira) é um ponto obrigatório para o turista apressado, desafogado de vistas mas apinhado de gentes, onde o Grande Canal se funde com o Canal della Giudecca e se captam óptimas imagens de longo alcance panorâmico.
A ordenação numérica das portas está organizada por sestieri (bairro) e não por ruas, o que significa que cada um dos seis bairros de Veneza (Cannaregio, Castello, Dorsoduro, San Marco, San Polo e Santa Croce) tem a sua organização sequencial independente.
Na primeira quinzena de Junho é quando tudo acontece na Serenissima, festivais, exposições, festas e concertos, onde se juntam artistas, coleccionadores, curadores, críticos e jornalistas, para a Bienal Internacional de Artes nos anos pares, para a Bienal de Arquitectura nos anos ímpares, também a Bienal de Teatro, Dança e Música. Fora deste mês, ou seja em Setembro acontece o Festival Internacional de Cinema, o mais antigo do mundo.
Desde a “entrada” de Veneza, um bilhete simples (comprado na bilheteira) de transporte público custa 6 Euros, não importa o destino, seja mais apropriado para o turista estreante a utilização do vaporetto nº 1 aquele que percorre o Gande Canal, já referido ser o mais interessante. Não esquecendo que uma ida obriga a uma volta, conte-se com outros 6 Euros, a menos que a ideia seja saltitar de cais em cais durante 72 horas e assim compensa o passe de 33 Euros. Para os mais exigentes de privacidade, uma viagem de taxi (lancha em madeira, a motor) custará entre os 70 a 100 Euros, dependendo do destino, enquanto para os tradicionalistas, o passeio de gôndola é qualquer coisa como 100 Euros por hora.
A falta dos automóveis é um benefício para o ambiente, uma poluição baixa no ar, compensada no entanto com uma alta das águas. A ausência de ruído de motorizações seria também uma vantagem, não fosse a quantidade imensa de turistas e artistas, comerciantes e actores que se fazem notar, não somente nos dias do sumptuoso Carnaval de festas e surpresas mascaradas.
Com mais tempo e sem o azar de “apanhar” uma Acqua Alta (marés vivas) durante a visita, vale a pena visitar o imponente Museo Storico Navale, a Igreja de Santa Maria Formosa, do séc. VII e o mercado de Rialto (este aos sábados de manhã) ou então seguir as vias de Casino Royale e armar ao James Bond, de preferência sem uma mala de rodinhas a esfolar-se por arrasto nos degraus das pontes.
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quarta-feira, 22 de abril de 2009
quinta-feira, 1 de novembro de 2007
Monumento Nazionale a Vittorio Emanuele II
O Monumento Nazionale a Vittorio Emanuele II, também apelidado de Altare della Patria ou Il Vittoriano, é um monumento em honra a Vittorio Emanuele II, rei de Piemonte, Sabóia e Sardenha entre 1849 e 1861, posteriormente rei de Itália (primeiro rei) desde 1861 até 1878.
Este monumento construído totalmente em mármore branco, de majestosas escadarias e grandes colunas Coríntias, tem ao centro uma estátua equestre do Rei e diversas outras estátuas em mármore e bronze (figuras mitológicas).
Foi desenhado por Giuseppe Sacconi em 1895, inaugurado em 1911 embora finalizado somente em 1925. Nesse período sofreu diversas alterações conceptuais, nomeadamente a inclusão de um túmulo para o soldado desconhecido com chama eterna.
Curiosamente o corpo ali sepultado é realmente de um soldado das forças armadas italianas, escolhido entre onze corpos de soldados não identificados, por Maria Bergamas, mãe de um rapaz que havia desertado do exército Austro-húngaro para se alistar no Regio Esercito onde foi morto supostamente a 16 de Junho de 1916 mas nunca encontrado.
No interior do “edifício” encontra-se também o museu da Itália reunificada.
A beleza e a integração paisagística deste monumento é discutível porquanto está situado no centro de Roma (praça Veneza), ou seja, foi construído parcialmente na colina do Capitolio junto a um dos conjuntos de património arquitectónico mais valiosos e importantes do mundo, o Forum Romanum.
domingo, 30 de setembro de 2007
Piazza del Duomo
A Piazza del Duomo é a praça principal de Milão, outrora no centro geométrico e comercial desta cidade Lombarda. Ali encontramos a Catedral gótica ladeada pelo palácio Carminati oposto à galeria Vittorio Emanuele II de estrutura simétrica e ao centro uma estátua equestre do rei Vittorio Emanuele II. 

A Catedral, dedicada a Santa Maria Nascente, foi iniciada em 1386 mas ainda não está totalmente concluída, tendo sido completa a fachada frontal em 1813 por altura da coroação de Napoleão como rei de Itália.
Em termos de dimensões, a Catedral de Milão é a segunda maior do mundo no estilo gótico, pois em Sevilha está essa primeira, e também é a segunda maior igreja de Itália, após a Basílica de S. Pedro, em Roma.
A Galleria Vittorio Emanuele II é uma dupla arcada coberta (construída entre 1865 a 1877 por Giuseppe Mengoni), conecta o extremo norte da Piazza del Duomo com a Piazza della Scala (lugar do teatro Scala) e ostenta o nome do primeiro rei da Itália unida.
Em termos de dimensões, a Catedral de Milão é a segunda maior do mundo no estilo gótico, pois em Sevilha está essa primeira, e também é a segunda maior igreja de Itália, após a Basílica de S. Pedro, em Roma.
A Galleria Vittorio Emanuele II é uma dupla arcada coberta (construída entre 1865 a 1877 por Giuseppe Mengoni), conecta o extremo norte da Piazza del Duomo com a Piazza della Scala (lugar do teatro Scala) e ostenta o nome do primeiro rei da Itália unida.sábado, 7 de julho de 2007
Serenissima Repubblica di Venezia
Após o colapso do Império Romano no ano 476, parte da península Itálica veio a ser ocupada pelo Império Bizantino, outra parte pelos Lombardos (povo germânico, de origem escandinava). O Exarcado de Ravenna tornou-se uma região transfronteiriça de disputa territorial frequente entre bizantinos, ostrogodos e lombardos.
Entre o século VI e o século VIII, ocorreu uma divisão sempre mais nítida entre a região interna de Veneza, sob domínio lombardo e a região litoral dependente dos bizantinos e de Ravenna.
Porém, em 751 os lombardos conquistam Ravenna, tornando a influência sobre Veneza menos bizantina e posteriormente a mesma mais independente.
Por volta do ano 1000 o governo de Veneza expulsou piratas e bárbaros que ocupavam a costa da Ístria e manteve a região sob seu domínio.
Na verdade a força de Veneza nasceu do desenvolvimento de relações comerciais com o Império Bizantino, tornando-se aliada destes contra árabes e normandos.
A riqueza conquistada através do comércio marítimo e terrestre com todo o mundo então conhecido tornou Veneza a mais poderosa das quatro prósperas Repúblicas Marítimas (Amalfi, Pisa, Génova e Veneza) da península itálica, que tinham o domínio comercial das rotas do mar Mediterrâneo entre os séculos X e XIII num quadro de grande autonomia política.
Invertendo-se a situação anterior, a prosperidade da Serenissima Repubblica di Venezia (que existiu como Estado no nordeste de Itália entre o século IX e o século XVIII) levou ao domínio sobre as regiões confinantes da Lombardia, Ístria e também da Dalmácia, entre outros territórios do Adriático. Posteriormente, após a Quarta Cruzada (1202-1204), Veneza tomou posse das ilhas e localidades comercialmente mais importantes do Império Bizantino, principalmente os portos de Corfu e de Creta, as ilhas de Rodes, Cefalônia e Zante, as feitorias de Negroponto e Dirraquium, garantindo um comércio dominante na Síria e no Egipto.
Nos finais do século XIV, Veneza era a principal potência comercial do Mediterrâneo e um dos Estados mais ricos da Europa.
Tudo se altera a partir da invasão de Constantinopla pelo Império Otomano e o início dos Descobrimentos portugueses, ou seja por um lado os turcos como poderoso inimigo da livre circulação comercial na região, por outro os portugueses apresentando uma alternativa viável de acesso ao Oriente por via marítima oceânica.
Como se isso não bastasse, no século XVIII a Sereníssima República foi invadida por Napoleão Bonaparte que a cede aos austríacos em troca da possessão da Bélgica. O Império Austro-Húngaro dividiu em províncias autónomas as possessões ultramarinas e os territórios pertencentes à República de Veneza.
Em 1859, os Habsburgos são expulsos da Lombardia pelo rei de Piemonte e posteriormente com a guerra entre a Prússia e a Áustria (o fim da Confederação germânica), o então formado reino de Itália alia-se oportunamente à Prússia de Bismarck, obtendo assim a posse de Veneza.
Actualmente Veneza é uma comuna italiana com cerca de 260 mil habitantes numa área de 412 km2.
A beleza dos edifícios aliados a um ambiente único de canais e pontes, a famosa praça de S. Marcos, os vaporettos, as gôndolas, as igrejas e catedrais, fazem desta cidade uma das maravilhas do mundo, onde nasceram os Papas Gregório XII, Eugénio IV, Paulo II, Alexandre VIII, Clemente XIII e Pio X, romântica, artística, património mundial a preservar.

sexta-feira, 4 de maio de 2007
Pisa
Desde o colapso do Império Romano até à unificação monárquica a 17 de Março de 1861, a Itália experimentou migrações e invasões de povos de diversas origens bem como permaneceu em conflito constante entre diversas repúblicas, estados independentes e cidades-estado da península. A influência externa sobre alguns estados também foi relevante tanto no desenvolvimento como na manutenção de conflitos entre vizinhos (o caso de Nápoles, Sicília e Sardenha sob domínio do Império Austro-Húngaro).
Pisa, tal como Génova, Veneza e Amalfi foi uma república marítima, tendo conquistado os territórios de Sardenha, Córsega (aliada a Génova, controlando o mar Tirreno) no século XI e posteriormente as ilhas Baleares. O esplendor desta república aconteceu nos séculos XII e XIII até à derrota da sua frota naval pelos próprios Genoveses na batalha de Meloria no ano de 1284, de onde saiu debilitada no seu poder económico e controlo do Mediterrâneo ocidental, tendo perdido a independência já nos primórdios do século XV a favor de Florença, capital da Toscânia, mais precisamente no ano de 1406.
Há 20 séculos atrás, durante o Império Romano, Pisa encontrava-se a apenas 4 km de distância do mar, no estuário do rio Arno. O “Porto das maravilhas” em Pisa, foi o maior porto romano, igualmente importante como o porto de Ostia, perto de Roma. Actualmente esta cidade encontra-se a 17 km do litoral, facto explicado pela lenta mudança do curso do rio e a expansão da terra sobre o mar (escavações arqueológicas em terra vão encontrando dezenas de embarcações romanas perdidas outrora no fundo do mar, algumas delas intactas e com a carga que transportavam).
Os terrenos, pantanosos e instáveis explicam porque existem tantas construções inclinadas nesta comuna italiana, algumas das quais “afundaram” com o passar dos séculos, outras já “nasceram” desse modo.
Todas estas edificações apresentam problemas de estabilidade que se podem verificar no local mesmo que não se seja um entendido de assuntos de construção.
A torre de Pisa ou torre pendente é uma torre sineira inteiramente construída em mármore branco supostamente segundo projecto da autoria de Gherardo di Gherardo.
A construção foi iniciada sob responsabilidade de Bonanno Pisano no dia 9 de Agosto de 1173 mas foi interrompida ao terceiro piso de altura, em 1178 no momento em que se verificou uma ligeira inclinação.
Um século mais tarde, em 1275 Giovanni di Simone e Giovanni Pisano retomaram a construção da torre procedendo a algumas alterações de contrapeso e correcção de ângulo, porém infrutíferas pois o peso da estrutura foi aumentando proporcionalmente.
Estando muito próxima da conclusão, a crise económica resultante da derrota na batalha naval de Meloria frente aos Genoveses adiou a construção do último piso para o ano de 1372 sob direcção de Tommasso di Andrea Pisano.
O último dos sete sinos (escala musical inteira) foi colocado somente em 1655, agravando com mais 3,5 toneladas as 14.453 toneladas do conjunto.
Em 1838, o arquitecto Alessandro della Gherardesca mandou construir uns novos acessos junto à base, mas os trabalhos de escavação demasiado próximos recolheram inundações que agravaram o ângulo do edifício.
Já no século XX, Benito Mussolini decidiu que a torre deveria ser corrigida integralmente à posição de verticalidade, mas os trabalhos de cimentação das fundações e escavações compensatórias não só não resultaram como pelo contrário agravaram o eminente colapso da estrutura, pelo que em 27 de Fevereiro de 1964 o governo de Itália solicitou colaboração internacional a matemáticos, engenheiros e historiadores de modo a debater os métodos de estabilização a adoptar (os encontros sobre este tema foram realizados numa das ilhas dos Açores, Portugal).
Desde essa data até ao ano de 2001 os trabalhos de reconstrução e estabilização (ancoragens, cabos esticadores, contrapesos em chumbo, extracção de solos, etc.) foram contínuos até ao momento da conclusão, garantida a permanência dos 5º de inclinação pelo prazo de 300 anos.
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