sábado, 27 de setembro de 2008

Silva Porto (13)

O bairro do Cambulucuto é na entrada do Kuíto, perto do Aeroporto e quase a totalidade das casas que ali se encontram são feitas de adobe.
O Posto Médico de Razão Congo e Filhos Lda. também foi construído em blocos de argamassa de terra sêca, mas este por razões óbvias foi rebocado e pintado de branco.
Na fachada encontra-se pintado o lema “trabalhemos unidos como abelhas” e também uma publicidade relativa a um dos serviços prestados, a extracção de dentes.
Imagem captada em 2004 na cidade do Kuíto (antiga Silva Porto), Província do Bié, Angola.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Terror Háza

O edifício com o número 60 da Andrássy út em Budapeste é actualmente um museu. O museu é simplesmente o próprio edifício, anterior sede de distintas organizações políticas da Hungria.
Arrendado desde 1937 a uma associação (espécie de movimento) nacional-socialista, em 1944 chamava-se Hűség Háza (Casa da Lealdade) enquanto esteve instalada a direcção do “Partido cruz de flechas”, de iniciativas concertadas com o regime nazi da alemanha. A partir de 1945 e até 1956 o mesmo edifício albergou os serviços centrais da ÁVO e posteriormente da AVH, as polícias políticas do regime comunista.
A Andrássy út é uma avenida (alameda) classificada como património mundial pela Unesco, onde a beleza harmoniosa dos edifícios de finais do séc. XIX (neo-renascentistas) alinham com a larga via separada por árvores e onde a segunda linha de metro mais antiga do mundo percorre o eixo em subterrâneo e com paragens frente à “Casa da Ópera”.
Mas nas caves do edifício número 60 centenas de pessoas foram torturadas e mortas pelas mãos dos membros de um partido extremista que arrastou a Hungria para a destruição total (impossibilitaram o acordo político tentado por Horthy Miklós com diversos países que efectivamente cancelaria a aliança com a Alemanha), após terem sido exterminados (enviados para campos de concentração nazis) milhares de cidadãos húngaros judeus, ciganos ou “anti-sociais” e após outros tantos milhares de militares terem também perdido a vida na própria guerra que em 1944 estava literalmente perdida.
Com a ocupação (referida durante décadas como “libertação”) soviética de 1945, o PRO (Politikai Rendészeti Osztály, ou seja Departamento de Polícia Política) tomou conta das instalações sob ordem dos comunistas húngaros, que as transformaram em sede da ÁVO (Államvédelmi Osztálynak, ou seja Departamento de Segurança do Estado) e que posteriormente se passou a chamar de ÁVH (Államvédelmi Hatóságnak, Autoridade para a Segurança do Estado). As três organizações foram comandadas pela mesma pessoa, Gábor Péter, o aprendiz de alfaiate que se tornou mestre na perseguição política, instalando a vigia e a delação como armas, o interrogatório e a tortura como meio, a deportação e o assassinato como consequência.
O museu Terror Háza (Casa do Terror) é por um lado um monumento em honra das vítimas dos regimes dictatoriais opostos na Hungria, mas principalmente é uma memória que se pretende sempre viva sobre os erros do passado, para que não se repita.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Cromeleque dos Almendres

Descoberto em 1964 e declarado pelo Decreto-Lei nº 735/78 de 21 de Dezembro de 1974 como Imóvel de interesse público na subcategoria de Megálito classificado, os recintos megalíticos dos Almendres são o maior conjunto encontrado de menires erigidos na Península Ibérica e um dos mais relevantes da Europa.
Apesar de originalmente ter sido constituído por mais de uma centena de monólitos, os 92 menires encontrados com diferentes formas e dimensões levaram à detecção de diversas fases construtivas ao longo do período Neolítico, no local que veio a ser baptizado por Alto das Pedras Talhas.
Este monumento com funções provavelmente religiosas e lugar de observação astronómica, apresenta uma orientação segundo direcções equinociais.
O Menir dos Almendres é uma peça isolada e distante dos recintos embora o seu posicionamento original seja alinhado ao eixo dos mesmos, estando por isso provavelmente relacionado.
Tudo isto está localizado na Herdade dos Almendres (de propriedade privada), dentro dos limites da freguesia de Nossa Senhora de Guadalupe, município de Évora, isto é junto à Estrada Nacional 114, entre Montemor-o-Novo e Évora.

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Egri minaret

É o mais setentrional minarete turco e foi construído durante os 91 anos de ocupação Otomana da cidade de Eger.
Desde 1596 até 1687 (ano em que os exércitos cristãos liderados por Charles de Lorraine ao serviço dos Habsburgos cercaram o castelo), todas as igrejas de Eger foram convertidas em mesquitas, tendo sido edificados banhos públicos termais, bem como alguns minaretes e outras construções.
O minarete de Eger (Knézich Karóly utca 1) é um dos últimos três existentes na Hungria e tem 40 metros de altura.

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Szent Péter Székesegyház

A Catedral de Pécs foi supostamente edificada entre 1009 e 1064 (alguns séculos antes, nos últimos anos do Império romano, existia nesse mesmo local uma capela pertencente ao cemitério cristão (os túmulos, hoje subterrâneos, são visitáveis junto à própria igreja). Posteriormente, durante a ocupação otomana o edifício serviu parcialmente como mesquita para veneração ao deus dos turcos e também como depósito de armamento.

Com a reconquista houve necessidade de reabilitar o edifício (onde se verificou uma conversão de estilo gótico para barroco), mas foi entre 1882 e 1891 sob a autoridade austríaca (a cargo do arquitecto vienense Friedrich Schmidt) que as grandes obras de renovação (embora a estabilização das paredes e cobertura tenham sofrido importantes trabalhos de engenharia entre 1805 e 1830 sob a supervisão do arquitecto húngaro Mihály Pollack) trouxeram a magnitude à Catedral de Pécs ao estado similar que hoje se encontra (o estilo actual aproxima-se do original, românico, portanto é neo-românica).

Em termos de interiores é simplesmente magnífica e deveras incomum, principalmente pela área de pintura (frescos de Károly Lotz), onde nenhuma superfície foi olvidada, bem como o altar do séc. XVI em mármore vermelho e um epitáfio de alabastro do séc. XVII feito em Roma.. O exterior, sóbrio de quatro torreões, apresenta um actual estado de conservação exemplar (as estátuas dos doze apóstolos junto à cornija são da autoria de Károly Antal).

Digno de nota é o portão em bronze da entrada principal, na verdade trata-se de uma escultura já do séc. XXI que demonstra ser possível a harmonia entre peças e obras de arte de diversas eras no mesmo conjunto.

Uma videira entrelaçada onde se escondem pássaros e outros seres vivos graciosos, mas também onde aparece representado, discretamente, a imagem de Szent Istvan (o rei católico da Hungria) a entregar a própria Catedral ao Bispo de Pécs. A história, a verdade da história por vezes é representada pelos mais pequenos detalhes com significados múltiplos e de inteligência preciosa.

terça-feira, 29 de julho de 2008

Szegedi kérészek

Szeged e Tisza são inseparáveis, mas somente a primeira depende do segundo, sempre assim foi, sempre assim será.
O caudal do Tisza é tranquilo, parece tão pacífico como inofensivo, todavia é imprevisível e bem mais instável que o Duna, também este fonte de riqueza, razão de tão pujante fertilidade.
A cidade contempla o rio, respeita o poder e a força destruidora da água, sempre lenta. Reincidente, Szeged foi completamente devastada no séc. XIX em função dessa hierarquia, o esplendor do Tisza não desaparece da memória de um povo que nunca alimentou a capacidade de o odiar.
Homenagens são muitas, tantas quanto expressões artísticas sejam possíveis, da arquitectura à pintura, do teatro à escultura, da música e da literatura. Szeged é arte e sabedoria, é mármore e bronze moldados em distintos momentos, expostos em quaisquer largos, praças ou jardins.
Kérész é um insecto, algo parecido com mosquito. O Kérész pertence ao Tisza como tantas outras vidas que ali conhecem a sua casa e dele dependem. Pertence porém a Szeged, confirmado pelo nobre metal que lhe confere uma importância maior do que a sua esperança máxima de viver, somente de um dia.
A beleza desta estátua é proporcional à complexidade provável da sua execução e não tanto pelo seu significado. Permanece fixada no paredão que resguarda a cidade do rio e ganha outra dimensão quando acontece as águas atingirem um nível próximo ao do pedestal.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Silva Porto (12)

Quando o tempo deixa de passar devagar e passa a imensurável, as questões existenciais esvanecem-se e o pensamento do indivíduo transforma-se ou torna-se mais propenso à concentração nos detalhes, observação e análise dos pormenores.
Era comum entrar e sair do mercado ou simplesmente estacionar à porta para cambiar dólares por maços gordos de kwanzas, bilhetes de 1000 normalmente, idênticos aos outros na imagem emparelhada de Eduardo e Agostinho, diferentes somente na côr, estes de um amarelo-pardo encardido. Outras vezes a comprar tabaco, invariávelmente em volumes tendo em conta o preço irrisório de cada unidade ou somente para encontrar frutas e legumes, a preço bem mais caro que no Tchissindo, mas logo ali à porta.
Certos dias havia, sabe-se lá como, coxas de frango e carapaus meio congelados, também peixe de rio sêco, cabeças de caprinos e galináceos. Mas a confiança, essa continuava depositada nos chouriços em lata da Sicasal, nas salsichas da Nobre e enlatados de atum das conserveiras lusitanas do costume.
Imagem captada em 2004 na cidade do Kuíto (antiga Silva Porto), Província do Bié, Angola.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

A Siklósi vár

O castelo de Siklós foi construído no início do século XIII por ordem da família Soklyosy, membros da tribo Kán, uma das tribos magyar reconhecidas no povoamento das grandes planícies e subsequente fundação da nação.
No século XIV, sob domínio da família Garai, o castelo de Siklós ganhou uma importância emblemática e representativa de poder com a incorporação de um conjunto de edifícios ao estilo gótico.
Em 1515 a família Perényi comprou as propriedades e reforçou as muralhas tratando objectivamente dos aspectos defensivos da fortificação, embora tenha também cuidado de renovar fachadas e interiores ao estilo renascentista.
Os exércitos turcos do Sultão Suleiman ocuparam o castelo em 1543 e ali se mantiveram até 1686, ano em que as forças imperiais austríacas, sob comando do Conde Aeneas Caprara, o libertaram. Este Marechal de Campo foi responsável pelo aumento das instalações e reconstrução devida (próxima das formas que hoje se podem observar), embora algumas modificações de estilo (Barroco) tenham sido implementadas pela família Batthyány, proprietária a partir de 1728.
Apesar de ser identificado documentalmente o exército húngaro como o último proprietário reconhecido, o castelo de Siklós foi abandonado bastante danificado após a II Guerra Mundial.
Actualmente a manutenção do castelo de Siklós é gerida pelo próprio Município de Siklós, tendo sido renovado em 1955 pelo Instituto Nacional de Preservação do Património Histórico e pelas autoridades administrativas da Província de Baranya.
As imagens apresentadas não são propriedade do autor.

terça-feira, 17 de junho de 2008

A Coruña

Passaram cerca de vinte anos desde a primeira visita à península. As encantadoras fachadas de marquises brancas com janelas de guilhotina - uma quadrícula que se repete em proporções diferentes - verificam-se perpétuas enquanto tradição e vaidade.
O passeio marítimo agora tem uns oito quilómetros de comprimento, o maior da Europa e talvez o mais belo, embora a paisagem natural se mantenha inalterada, é sempre a mesma força líquida e indomável da natureza a desafiar a dureza da rocha.
A meio do percurso, a pé ou de eléctrico, a Torre de Hércules continua erecta e permanente de labor, mais do que um monumento é o farol mais antigo do mundo em funcionamento (dezanove séculos).
A Cidade de Cristal nasceu perfeita porque seria impossível nascer diferente. A praias de Riazor e Orzán já lá estavam (istmo) antes do Homem as descobrir e o castelo de San Antón foi edificado numa pequena ilha para proteger a entrada do porto e ria. Desse lugar, que o Rei Felipe II mandou erigir no século XVI, nos tempos da heroína María Pita, os galegos se defenderam dos ataques ingleses, repelindo as investidas do corsário Francis Drake.
A Coruña é beleza e história, é madeira e vidro, é galerias e bodegas. Desde a praça de Maria Pita onde se encontra o magnífico edifício do axuntamento (alberga a maior colecção de relógios do mundo) até à Avenida da Mariña, ou pelo interior da "cidade velha", ali se reconhece a entrada do Portus Magnus Artabrorum.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

London

O fascínio de retornar constantemente a Londres é exactamente esse, o de visitar os mesmos lugares sempre da mesma maneira e comparar as diferenças, estar atento aos pormenores...
O Covent Garden continua a ter de encantador as vozes que ensaiam Ave Maria de Schubert quando é Dezembro, ao centro da galeria.
A Tower, guardando as jóias da coroa, continua sem ser visitada por dentro mas fotografada no exterior de todos os modos e feitios, sem desperdiçar a aparição dos guardas fardados no rigor da ocasião e momento, para esses simples obrigação do ofício.
No rio Thames, o Belfast e a Tower Bridge continuam a ser monumentos de eleição, assim como a inteira fachada traseira do parlamento que afinal pouco impressiona a quem habitualmente tem o Orszagház da Hungria como termo comparativo, excepção à magnífica torre de relógio, o Big Ben.
Visitar o Hamleys da Regent street e o Trocadero ali na Piccadilly Circus é vício, não se pode dar outro nome à coisa, tão inexplicável como nunca pernoitar nos mesmos hotéis a cada visita, mas escolher sempre hotéis que estejam junto à Russel square.
E depois há as voltas ao Hyde park e a busca insistente pelos esconderijos dos esquilos nos jardins centrais logo verificando que o hábito e tradição das palestras públicas permanecem lá no canto antes de atravessar a alameda Ring e procurar os Kensington Gardens. Na verdade o palácio real nada tem de extraordinário, tampouco o ritual no render da guarda, mas é que faz parte das razões do coração passar por ali ao final da manhã de Domingo, inevitável opção.
Nas primeiras vezes o problema maior que a catedral de S. Paulo oferecia era o facto de que as dimensões do edifício não eram proporcionais ao afastamento possivel de modo a que se conseguisse uma boa fotografia (a igreja nunca aparecia inteira na imagem). Agora, com as novas tecnologias o desafio é lá voltar para sacar o maior número de “pixéis” conforme as máquinas vão sendo mais capazes e esperar que não chova para que a seguinte seja melhor que a anterior, deixou de ser interessante.
Relativamente ao British Museum já a coisa muda de figura. Este museu é como o Louvre, sempre existem peças que saltam fora dos armazéns e se renova o espaço da exposição, de antigo sempre novo, não cansa (embora seja permanente a estatuária frontal do Partenon, que há muito deveria ter sido devolvida à Grécia).
E depois há as galerias do metro, autocarros e taxis, o frenesi comercial da Oxford street, as ceras do Madame Tussaud, as estreias no Odeon (principalmente as do James Bond) e sempre um jantar de sabores duvidosos no mesmo restaurante da Chinatown antes de uma visita regada ao bairro do Soho.

sexta-feira, 30 de maio de 2008

München

Se por um lado a Neues Rathaus é o que mais de extraordinário existe na Marienplatz, por outro ali se encontra a mais famosa cervejaria do mundo, fundada em 1589 e aberta ao público em 1828. A Hofbräuhaus am Platzl apresenta uma ementa com as típicas salsichas brancas Weisswurst, a rótula suína Eisbein e obviamente a cerveja de trigo Weissbier porque estamos na Baviera, mais precisamente na Kreisfreie Stadt München, onde acontece a Oktoberfest.
Munique é aquela cidade que se escolhe para um breve passeio a pé ao entardecer, antes de seguir caminho para pernoita em Salzburg. Entre uma visita à Frauenkirchen e um serão na Bayerische Staatsoper há sempre lugar para uma mass de Weißbier acompanhada de brezel.

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Pérolas arquitectónicas da Transilvânia

Demonstrar estaticamente orgulho na etnia a que se pertence não é coisa habitual entre os ciganos, habituados alguns a uma espécie de nomadismo, outros à permanência demorada com preparos bastante rudimentares, muito poucos ao luxo.
Excepção a esta regra acontece na Transilvânia, a norte da Roménia, onde o passado húngaro ainda é recordado actualmente através da língua que afinal tem uma influência expressiva na cultura, tradição e religião das populações.

Apesar de existirem bastantes ciganos tanto na Hungria como na Roménia, é somente na Roménia que se encontram as famílias prósperas (infelizmente ali se verificam porém os extremos da pobreza na mesma etnia), com riqueza material e até poder político.

É afinal a única explicação que se pode dar ao fenómeno arquitectónico que está à vista, obras novas licenciadas ou simplesmente toleradas, autênticas “pérolas” futuristas com harmonia estética incomparável.

Alguns destas construções estão literalmente encostados aos edifícios vizinhos, com o privilégio ímpar no direito de vistas entre varandas de apenas alguns centímetros, coisa absolutamente natural, fundamental e necessária, tendo em conta que se tratam de habitações unifamiliares.

A expressão “construiu uma casa meio aciganada” é típica e comum para criticar a casa nova que o vizinho edificou e de que não se gosta por alguma razão.

Pode até parecer pejorativa qualquer primeira análise do assunto, mas a coisa é séria e deve ser entendida no seu contexto.

Apesar dos materias de base serem fracos ou impróprios (exemplo de construções em que as alvenarias são parcialmente em blocos de cimento de boa qualidade, conjugados com blocos do tipo caseiro e rematados com tijolo maciço refractário e usado), serem utilizados materias aproveitados de outras obras distintas e o projecto ser coisa dinâmica (o objecto final resulta diferente do objecto projectado pelo arquitecto ou artista equivalente), nos acabamentos tudo muda de figura, que o “dono-da-obra” (cigano rico e poderoso) investe forte nos apêndices decorativos até aos limites da sua imaginação e capacidade artística de serralheiros e artesãos da forja.

O que é certo é que cada obra resulta em moradia imponente, cumprindo o objectivo para o qual foi pensado, realiza os sonhos de muitas famílias e acaba em atração turística enquanto fenómeno sócio-cultural.

Qualquer semelhança entre as casas dos ciganos romenos e os pagodes budistas é mera coincidência porque as técnicas e os propósitos são distintos.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Rautatieasema Järnvägsstation

A estação central ferroviária de Helsínquia é um grande interface de transportes públicos, em suomi diz-se rautatieasema, em sueco diz-se järnvägsstation (é comum encontrar na Finlândia topónimos bilingue por razões que o passado justifica).

A Helsingin Rautatieasema (Helsingfors järnvägsstation) é um edifício Jugendstil, segundo projecto de Eliel Saarinen. A construção foi iniciada em 1904 e terminada em 1919.

No início da construção, a Finlândia dependia da autoridade do Império Russo, pelo que a existência de uma sala de espera privativa e luxuosamente decorada destinada ao uso exclusivo de Nikolaj Aleksandrovitch Romanov (Nicolau II) finalizada em 1911, acabou por somente ser inaugurada após a I Guerra Mundial, em 1919 (a Finlândia transformou autonomia em independência a 6 de Dezembro de 1917, com reconhecimento a 3 de Janeiro de 1918) sem que chegasse a ser utilizada pelo último Czar da Russia. Actualmente a sala de 50m2 (equipada com a mesma mobília desenhada por Eliel Saarinen) é reservada exclusivamente à utilização do Presidente da República e seus convidados.

Revestida quase na totalidade com granito finlandês, destacam-se os dois pares de estátuas (Kivimiehet) que seguram uns globos de iluminação e também a torre lateral com relógio.

A partir dos anos 60 diversas alterações afectaram esta estação ferroviária, não tanto no aspecto exterior, mas principalmente no subsolo, com o aparecimento da rede do metro e posteriormente a inclusão de cobertura em vidro na gare. Recentemente foi efectuada uma ligação ao centro comercial Kauppakujal.

Estereograma (1)

Mamífero proboscídeo existente (ainda) no continente africano e no continente asiático.
Este estereograma é do tipo “visão livre paralela”, significando isto que somente se pode descobrir a imagem tridimensional se fixarmos o olhar no infinito.
A imagem apresentada não é propriedade do autor.

domingo, 4 de maio de 2008

Silva Porto (11)

De tanto chorar eram as dores de cabeça que lhe emprestavam um olhar doentio de olheiras carregadas. Nada parecia ter sentido, aquela nova vida era como um pesadelo, uma punição. E porque vomitava constantemente as refeições de que se enojava, sorte afinal no lugar de diarreias, sentia-se enfermo.
Sentado num banco de jardim, onde os canteiros não tinham flores e o lago não tinha água, seguia atentamente as crianças que brincavam, do outro lado da ponte, com carrinhos feitos de latas de salsichas e caricas.
Mais à frente duas outras crianças recolhiam o gasóleo que escorria junto à bomba de abastecimento. Ajoelhadas junto às pôças, raspavam com latas de sardinhas as pequenas quantidades que depois transvasavam para garrafas de vidro.
O abastecimento de combustível, embora incerto (não justificava a sensação de escassez que os distribuidores gostavam de alimentar, existiam bastantes opções concorrentes e os preços por litro eram irrisórios) satisfazia as necessidades de modo compatível com a procura.
Logo no primeiro dia constatou que naquela cidade a maioria da população era infantil e somente após uma semana deu conta de não existirem cães ou gatos, arrependeu-se de ter perguntado porquê. Com o fim da guerra passou a haver milho, mandioca, batata rena, tomate, arroz, açucar, óleo...
... e leite-moça (leite condensado) para ser misturado com água fervida.
Imagens captadas em 2004 na cidade do Kuíto (antiga Silva Porto), província do Bié, Angola.