terça-feira, 21 de outubro de 2008

Szerinted bolondság

Eventualmente aufere um salário compatível com a experiência, capacidades e habilitações adquiridas. Usufrui de diversas regalias em vigor mas não lhe terá sido confiada uma viatura de serviço porque trabalha por conta de uma empresa que só tem um empregado, é o gerente e accionista único.
A utilização de um automóvel particular no desempenho das suas funções profissionais é coerente porquanto qualquer solução diferente obriga ao pagamento de impostos específicos que nunca compensam a dedução dos gastos em combustíveis e afins, a menos que percorra muitos quilómetros todos os meses.

sábado, 11 de outubro de 2008

Árpád

Apesar de não ser considerado ou classificado como o Legnagyobb (o mais grandioso), Árpád é aquele a quem os húngaros reconhecem o maior protagonismo e importância no estabelecimento da nação magyar (que posteriormente se transformou em reino através de Vajk, membro da sua linhagem dinástica).
Álmos foi o primeiro Nagyfedelem (Grande Príncipe) e Árpád foi o segundo, tendo sido nomeado por eleição (não por sucessão, apesar de ser filho de Álmos) organizada entre os líderes das sete tribos magyar (as tribos Jenő, Kér, Keszi, Kürt-Gyarmat, Megyer, Nyék e Tarján).
Tendo sido Álmos, Előd, Ond, Kond, Tas, Huba e Töhötöm os líderes tribais que decidiram sobre os destinos e fundação da nação magyar, numa perspectiva de tomada de independência política e responsáveis pela iniciativa da conquista territorial a oeste das suas origens (migração da federação), foi Árpád, após a morte de seu pai, que na verdade assumiu a realização estratégica dos desafios propostos, fez a gestão dos conflitos militares inerentes e por fim conquistou a bacia dos Cárpatos no ano 896 para ali estabelecer o seu povo de modo definitivo, criando as condições para a rápida expansão (Honfoglalás) que conduziu posteriormente (em conjunto com os Kabar, as 3 tribos turkic também dissidentes do Império Khazar).
Árpád ganhou o lugar de maior prestígio na história do povo húngaro (tornou-se conhecido como o pai dos húngaros) e iniciou uma dinastia com o seu nome.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Cygnus

Quando não é uma constelação trata-se de um Anserinae, bicho de hábitos aeronáuticos com algumas capacidades anfíbias, nidificador e monogâmico que partilha com gansos e patos o seu lugar na família Anatidae dos Anseriformes. Os cisnes habitam felizes nos grandes lagos da Europa central (também no Balaton) e segundo antiga lenda alemã é até possível que alguns se transformem em belas mulheres durante a noite.
Em 1877 tornou-se público o Лебединое Озеро, o primeiro ballet composto por Piotr Tchaikovsky. O Lago dos Cisnes estreou sem grande sucesso no afamado teatro Bolshoi (o grande) de Moscovo.
Segundo o libretto, a mãe do Príncipe Siegfried oferece um arco e flechas como prenda de aniversário e apela para que eleja no dia seguinte uma esposa entre as convidadas da sua festa. Porém um bando de cisnes brancos passa perto do castelo e desperta a atenção do príncipe que decide caçá-los.
O malévolo Von Rothbart líder do “bando” de disfarçados em aves de rapina foi o feiticeiro responsável pelo efeito especial de transformação da Princesa Odette e suas aias em cisnes (embora durante a noite as raparigas voltem à sua condição humana). Siegfried apercebendo-se do esquema urdido, apaixona-se pela Princesa e jura que desmanchará o feitiço, o que somente é possível desde o momento em que seja comprovado um amor fidedigno.
Ambicioso, Rothbard aparece entretanto na Corte da Raínha disfarçado de cavaleiro nobre e acompanhado por Odile, sua filha também disfarçada. Ingénuamente o Príncipe Siegfried deixa-se encantar por Odile (cisne negro) por acreditar que se trata de Odette e anuncia a sua escolha, deixando em apuro a cisne branca, que na sua condição de “boazinha” acaba por se conformar.
No quarto acto o Príncipe “abre os olhos” e vê-se obrigado a demonstrar a Odette a sua condição incontornável de vítima no embuste, mas pede perdão. O facto de ambos renovarem juras de amor eterno é coisa que desagrada ao feiticeiro que se enfurece e inunda as margens do lago. Este acto de vingança resultou no trágico afogamento de Siegfried e assim tornada impossível a quebra do feitiço sobre as cisnes.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Erdély

É um ondulado constante, sempre igual sem arestas, sempre verde mas não de floresta.
Os Cárpatos são também a Transilvânia, Erdély na língua húngara, um acidente geográfico que resultou desde sempre em natural divisão política e por consequência em diferenciação social. As linhas de fronteira que os homens admitiram coincidir desde sempre com a morfologia do terreno são os limites das grandes planícies da Hungria, onde as ambições de ocupantes e invasores se satisfaziam. Foram afinal os constantes conflitos militares que provocaram a repartição do reino e portanto a separação da Transilvânia, não tanto a dissociação das etnias porque em verdade nunca foram unidas. Se por um lado o Tratado de Trianon definiu uma alienação que desde há muito já estava definida pelas gentes, a decepção do mesmo foi tornar o território numa província do reino romeno.
Apesar de actualmente a religião em preferencia ser a ortodoxa ao invés da católica, os povos da Transilvânia assimilaram a língua romena (latina) sem anular porém o húngaro (fino-úgrico). Ali também se encontram populações de etnia Rom, curiosamente tão antigas nestas paragens como as de origem magyar. O som das suas palavras é internacional e independente de idiomas, bem como o modo vestir, agir e interagir com os demais.
As aldeias e lugares apresentam exactamente a mesma organização urbanística verificada na Hungria, as casas, de forma rectangular, estão implantadas sempre perpendicularmente à estrada que atravessa as povoações (contudo afastadas da mesma) e paralelas entre si.
Junto aos portões das entradas quase todas têm um banco protegido por um telheiro, onde as provincianas mais velhas aproveitam alguma luz e calor do sol enquanto as horas passam de conversa e as movimentações “alienígenas” são monitorizadas.
Demográficamente aquele interior (compreendendo interior tudo o que é afastado dos grandes centros urbanos) não é diferente das estatísticas para o espaço europeu, população envelhecida e ainda bastante dependente da agricultura.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Operation Overlord

A batalha ou invasão de Normandie, a 6 de Junho de 1944 e que se tornou conhecida como o "Dia D" (Day of Defeat), tinha o nome de código Operation Neptune, onde forças americanas, canadenses, britânicas, holandesas, nova zelandesas, australianas, francesas livres, polacas e norueguesas em aliança combateram as forças alemãs comandadas por Gerd Von Rundstedt e Erwin Rommel.
As praias de Colleville-sur-Mer, St. Laurent-sur-Mer e Vierville-sur-Mer (junto à península de Cotentin, toda a costa litoral entre Cherbourg e Le Havre) receberam nomes de código que as transformaram no momento em Juno, Gold, Sword, Omaha e Utah... beach.
Apesar de bastante distribuídas por uma linha de costa extensa, as forças alemãs estavam em desvantagem numérica mas contavam com equipamentos e construções que os protegiam e posicionavam de modo quase impenetrável. As centenas de bunkers construídos em betão armado eram guarnecidos com armamento altamente repelente (por exemplo canhões de 155mm e metralhadoras Mg42) embora estivessem sob constante ataque aéreo e naval.
Os alemães aguardavam pela invasão desde o mês de Abril, altura em que tiveram a oportunidade de interferir nuns ensaios de desembarque efectuados em South Devon (Reino Unido) com o lançamento de alguns torpedos que até causaram centenas de mortes na infantaria americana, durante os exercícios Tiger. Por outro lado as fugas de informação numa operação militar que pretendia envolver 1 milhão de homens, mais de 10.000 embarcações e outros tantos meios aéreos eram impossíveis de conter. Já naquela época um jornalismo extremamente liberal e que olvidava a importância dos “segredos de justiça” resultava invariávelmente em desastre, não fossem os responsáveis militares obrigados a confundir tudo e todos com informações carentes de sentido e verdade, bem como operações de invasão falsas como as de nome Fortitud North e Fortitud South marcadas para a mesma data mas em locais geográficos diferentes.
Actualmente as praias da Normandie são frequentadas essencialmente por um forte turismo de estrangeiros que procura o lugar físico da história e não os banhos. Visitam os museus, as localidades ou vilas próximas, tal como Formigny, Caen ou Cherbourg, procuram pelos memoriais e pelos imensos objectos e construções bélicas que por ali se encontram sem grande problema. Também e sobretudo, são lugares de visita obrigatória (para muitos, o propósito principal da sua visita) os cemitérios militares. Entre tantos outros, destacam-se o de La Cambe (alemão) o de Bény-sur-Mer (canadense) e o de Colleville-sur-Mer, que com os seus cerca de 70 hectares é apenas um dos 14 cemitérios americanos da II Guerra Mundial em solo estrangeiro. Este local está sob autoridade da ABMC (American Battle Monuments Commission), a comissão responsável por memoriais relativos a serviços e conquistas norte-americanas e cemitérios em solo estrangeiro.
Na capela do cemitério de Colleville-sur-Mer, encontra-se uma placa de mármore com a inscrição: I give unto them eternal life and they shall never perish.

sábado, 27 de setembro de 2008

Silva Porto (13)

O bairro do Cambulucuto é na entrada do Kuíto, perto do Aeroporto e quase a totalidade das casas que ali se encontram são feitas de adobe.
O Posto Médico de Razão Congo e Filhos Lda. também foi construído em blocos de argamassa de terra sêca, mas este por razões óbvias foi rebocado e pintado de branco.
Na fachada encontra-se pintado o lema “trabalhemos unidos como abelhas” e também uma publicidade relativa a um dos serviços prestados, a extracção de dentes.
Imagem captada em 2004 na cidade do Kuíto (antiga Silva Porto), Província do Bié, Angola.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Terror Háza

O edifício com o número 60 da Andrássy út em Budapeste é actualmente um museu. O museu é simplesmente o próprio edifício, anterior sede de distintas organizações políticas da Hungria.
Arrendado desde 1937 a uma associação (espécie de movimento) nacional-socialista, em 1944 chamava-se Hűség Háza (Casa da Lealdade) enquanto esteve instalada a direcção do “Partido cruz de flechas”, de iniciativas concertadas com o regime nazi da alemanha. A partir de 1945 e até 1956 o mesmo edifício albergou os serviços centrais da ÁVO e posteriormente da AVH, as polícias políticas do regime comunista.
A Andrássy út é uma avenida (alameda) classificada como património mundial pela Unesco, onde a beleza harmoniosa dos edifícios de finais do séc. XIX (neo-renascentistas) alinham com a larga via separada por árvores e onde a segunda linha de metro mais antiga do mundo percorre o eixo em subterrâneo e com paragens frente à “Casa da Ópera”.
Mas nas caves do edifício número 60 centenas de pessoas foram torturadas e mortas pelas mãos dos membros de um partido extremista que arrastou a Hungria para a destruição total (impossibilitaram o acordo político tentado por Horthy Miklós com diversos países que efectivamente cancelaria a aliança com a Alemanha), após terem sido exterminados (enviados para campos de concentração nazis) milhares de cidadãos húngaros judeus, ciganos ou “anti-sociais” e após outros tantos milhares de militares terem também perdido a vida na própria guerra que em 1944 estava literalmente perdida.
Com a ocupação (referida durante décadas como “libertação”) soviética de 1945, o PRO (Politikai Rendészeti Osztály, ou seja Departamento de Polícia Política) tomou conta das instalações sob ordem dos comunistas húngaros, que as transformaram em sede da ÁVO (Államvédelmi Osztálynak, ou seja Departamento de Segurança do Estado) e que posteriormente se passou a chamar de ÁVH (Államvédelmi Hatóságnak, Autoridade para a Segurança do Estado). As três organizações foram comandadas pela mesma pessoa, Gábor Péter, o aprendiz de alfaiate que se tornou mestre na perseguição política, instalando a vigia e a delação como armas, o interrogatório e a tortura como meio, a deportação e o assassinato como consequência.
O museu Terror Háza (Casa do Terror) é por um lado um monumento em honra das vítimas dos regimes dictatoriais opostos na Hungria, mas principalmente é uma memória que se pretende sempre viva sobre os erros do passado, para que não se repita.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Cromeleque dos Almendres

Descoberto em 1964 e declarado pelo Decreto-Lei nº 735/78 de 21 de Dezembro de 1974 como Imóvel de interesse público na subcategoria de Megálito classificado, os recintos megalíticos dos Almendres são o maior conjunto encontrado de menires erigidos na Península Ibérica e um dos mais relevantes da Europa.
Apesar de originalmente ter sido constituído por mais de uma centena de monólitos, os 92 menires encontrados com diferentes formas e dimensões levaram à detecção de diversas fases construtivas ao longo do período Neolítico, no local que veio a ser baptizado por Alto das Pedras Talhas.
Este monumento com funções provavelmente religiosas e lugar de observação astronómica, apresenta uma orientação segundo direcções equinociais.
O Menir dos Almendres é uma peça isolada e distante dos recintos embora o seu posicionamento original seja alinhado ao eixo dos mesmos, estando por isso provavelmente relacionado.
Tudo isto está localizado na Herdade dos Almendres (de propriedade privada), dentro dos limites da freguesia de Nossa Senhora de Guadalupe, município de Évora, isto é junto à Estrada Nacional 114, entre Montemor-o-Novo e Évora.

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Egri minaret

É o mais setentrional minarete turco e foi construído durante os 91 anos de ocupação Otomana da cidade de Eger.
Desde 1596 até 1687 (ano em que os exércitos cristãos liderados por Charles de Lorraine ao serviço dos Habsburgos cercaram o castelo), todas as igrejas de Eger foram convertidas em mesquitas, tendo sido edificados banhos públicos termais, bem como alguns minaretes e outras construções.
O minarete de Eger (Knézich Karóly utca 1) é um dos últimos três existentes na Hungria e tem 40 metros de altura.

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Szent Péter Székesegyház

A Catedral de Pécs foi supostamente edificada entre 1009 e 1064 (alguns séculos antes, nos últimos anos do Império romano, existia nesse mesmo local uma capela pertencente ao cemitério cristão (os túmulos, hoje subterrâneos, são visitáveis junto à própria igreja). Posteriormente, durante a ocupação otomana o edifício serviu parcialmente como mesquita para veneração ao deus dos turcos e também como depósito de armamento.

Com a reconquista houve necessidade de reabilitar o edifício (onde se verificou uma conversão de estilo gótico para barroco), mas foi entre 1882 e 1891 sob a autoridade austríaca (a cargo do arquitecto vienense Friedrich Schmidt) que as grandes obras de renovação (embora a estabilização das paredes e cobertura tenham sofrido importantes trabalhos de engenharia entre 1805 e 1830 sob a supervisão do arquitecto húngaro Mihály Pollack) trouxeram a magnitude à Catedral de Pécs ao estado similar que hoje se encontra (o estilo actual aproxima-se do original, românico, portanto é neo-românica).

Em termos de interiores é simplesmente magnífica e deveras incomum, principalmente pela área de pintura (frescos de Károly Lotz), onde nenhuma superfície foi olvidada, bem como o altar do séc. XVI em mármore vermelho e um epitáfio de alabastro do séc. XVII feito em Roma.. O exterior, sóbrio de quatro torreões, apresenta um actual estado de conservação exemplar (as estátuas dos doze apóstolos junto à cornija são da autoria de Károly Antal).

Digno de nota é o portão em bronze da entrada principal, na verdade trata-se de uma escultura já do séc. XXI que demonstra ser possível a harmonia entre peças e obras de arte de diversas eras no mesmo conjunto.

Uma videira entrelaçada onde se escondem pássaros e outros seres vivos graciosos, mas também onde aparece representado, discretamente, a imagem de Szent Istvan (o rei católico da Hungria) a entregar a própria Catedral ao Bispo de Pécs. A história, a verdade da história por vezes é representada pelos mais pequenos detalhes com significados múltiplos e de inteligência preciosa.

terça-feira, 29 de julho de 2008

Szegedi kérészek

Szeged e Tisza são inseparáveis, mas somente a primeira depende do segundo, sempre assim foi, sempre assim será.
O caudal do Tisza é tranquilo, parece tão pacífico como inofensivo, todavia é imprevisível e bem mais instável que o Duna, também este fonte de riqueza, razão de tão pujante fertilidade.
A cidade contempla o rio, respeita o poder e a força destruidora da água, sempre lenta. Reincidente, Szeged foi completamente devastada no séc. XIX em função dessa hierarquia, o esplendor do Tisza não desaparece da memória de um povo que nunca alimentou a capacidade de o odiar.
Homenagens são muitas, tantas quanto expressões artísticas sejam possíveis, da arquitectura à pintura, do teatro à escultura, da música e da literatura. Szeged é arte e sabedoria, é mármore e bronze moldados em distintos momentos, expostos em quaisquer largos, praças ou jardins.
Kérész é um insecto, algo parecido com mosquito. O Kérész pertence ao Tisza como tantas outras vidas que ali conhecem a sua casa e dele dependem. Pertence porém a Szeged, confirmado pelo nobre metal que lhe confere uma importância maior do que a sua esperança máxima de viver, somente de um dia.
A beleza desta estátua é proporcional à complexidade provável da sua execução e não tanto pelo seu significado. Permanece fixada no paredão que resguarda a cidade do rio e ganha outra dimensão quando acontece as águas atingirem um nível próximo ao do pedestal.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Silva Porto (12)

Quando o tempo deixa de passar devagar e passa a imensurável, as questões existenciais esvanecem-se e o pensamento do indivíduo transforma-se ou torna-se mais propenso à concentração nos detalhes, observação e análise dos pormenores.
Era comum entrar e sair do mercado ou simplesmente estacionar à porta para cambiar dólares por maços gordos de kwanzas, bilhetes de 1000 normalmente, idênticos aos outros na imagem emparelhada de Eduardo e Agostinho, diferentes somente na côr, estes de um amarelo-pardo encardido. Outras vezes a comprar tabaco, invariávelmente em volumes tendo em conta o preço irrisório de cada unidade ou somente para encontrar frutas e legumes, a preço bem mais caro que no Tchissindo, mas logo ali à porta.
Certos dias havia, sabe-se lá como, coxas de frango e carapaus meio congelados, também peixe de rio sêco, cabeças de caprinos e galináceos. Mas a confiança, essa continuava depositada nos chouriços em lata da Sicasal, nas salsichas da Nobre e enlatados de atum das conserveiras lusitanas do costume.
Imagem captada em 2004 na cidade do Kuíto (antiga Silva Porto), Província do Bié, Angola.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

A Siklósi vár

O castelo de Siklós foi construído no início do século XIII por ordem da família Soklyosy, membros da tribo Kán, uma das tribos magyar reconhecidas no povoamento das grandes planícies e subsequente fundação da nação.
No século XIV, sob domínio da família Garai, o castelo de Siklós ganhou uma importância emblemática e representativa de poder com a incorporação de um conjunto de edifícios ao estilo gótico.
Em 1515 a família Perényi comprou as propriedades e reforçou as muralhas tratando objectivamente dos aspectos defensivos da fortificação, embora tenha também cuidado de renovar fachadas e interiores ao estilo renascentista.
Os exércitos turcos do Sultão Suleiman ocuparam o castelo em 1543 e ali se mantiveram até 1686, ano em que as forças imperiais austríacas, sob comando do Conde Aeneas Caprara, o libertaram. Este Marechal de Campo foi responsável pelo aumento das instalações e reconstrução devida (próxima das formas que hoje se podem observar), embora algumas modificações de estilo (Barroco) tenham sido implementadas pela família Batthyány, proprietária a partir de 1728.
Apesar de ser identificado documentalmente o exército húngaro como o último proprietário reconhecido, o castelo de Siklós foi abandonado bastante danificado após a II Guerra Mundial.
Actualmente a manutenção do castelo de Siklós é gerida pelo próprio Município de Siklós, tendo sido renovado em 1955 pelo Instituto Nacional de Preservação do Património Histórico e pelas autoridades administrativas da Província de Baranya.
As imagens apresentadas não são propriedade do autor.

terça-feira, 17 de junho de 2008

A Coruña

Passaram cerca de vinte anos desde a primeira visita à península. As encantadoras fachadas de marquises brancas com janelas de guilhotina - uma quadrícula que se repete em proporções diferentes - verificam-se perpétuas enquanto tradição e vaidade.
O passeio marítimo agora tem uns oito quilómetros de comprimento, o maior da Europa e talvez o mais belo, embora a paisagem natural se mantenha inalterada, é sempre a mesma força líquida e indomável da natureza a desafiar a dureza da rocha.
A meio do percurso, a pé ou de eléctrico, a Torre de Hércules continua erecta e permanente de labor, mais do que um monumento é o farol mais antigo do mundo em funcionamento (dezanove séculos).
A Cidade de Cristal nasceu perfeita porque seria impossível nascer diferente. A praias de Riazor e Orzán já lá estavam (istmo) antes do Homem as descobrir e o castelo de San Antón foi edificado numa pequena ilha para proteger a entrada do porto e ria. Desse lugar, que o Rei Felipe II mandou erigir no século XVI, nos tempos da heroína María Pita, os galegos se defenderam dos ataques ingleses, repelindo as investidas do corsário Francis Drake.
A Coruña é beleza e história, é madeira e vidro, é galerias e bodegas. Desde a praça de Maria Pita onde se encontra o magnífico edifício do axuntamento (alberga a maior colecção de relógios do mundo) até à Avenida da Mariña, ou pelo interior da "cidade velha", ali se reconhece a entrada do Portus Magnus Artabrorum.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

London

O fascínio de retornar constantemente a Londres é exactamente esse, o de visitar os mesmos lugares sempre da mesma maneira e comparar as diferenças, estar atento aos pormenores...
O Covent Garden continua a ter de encantador as vozes que ensaiam Ave Maria de Schubert quando é Dezembro, ao centro da galeria.
A Tower, guardando as jóias da coroa, continua sem ser visitada por dentro mas fotografada no exterior de todos os modos e feitios, sem desperdiçar a aparição dos guardas fardados no rigor da ocasião e momento, para esses simples obrigação do ofício.
No rio Thames, o Belfast e a Tower Bridge continuam a ser monumentos de eleição, assim como a inteira fachada traseira do parlamento que afinal pouco impressiona a quem habitualmente tem o Orszagház da Hungria como termo comparativo, excepção à magnífica torre de relógio, o Big Ben.
Visitar o Hamleys da Regent street e o Trocadero ali na Piccadilly Circus é vício, não se pode dar outro nome à coisa, tão inexplicável como nunca pernoitar nos mesmos hotéis a cada visita, mas escolher sempre hotéis que estejam junto à Russel square.
E depois há as voltas ao Hyde park e a busca insistente pelos esconderijos dos esquilos nos jardins centrais logo verificando que o hábito e tradição das palestras públicas permanecem lá no canto antes de atravessar a alameda Ring e procurar os Kensington Gardens. Na verdade o palácio real nada tem de extraordinário, tampouco o ritual no render da guarda, mas é que faz parte das razões do coração passar por ali ao final da manhã de Domingo, inevitável opção.
Nas primeiras vezes o problema maior que a catedral de S. Paulo oferecia era o facto de que as dimensões do edifício não eram proporcionais ao afastamento possivel de modo a que se conseguisse uma boa fotografia (a igreja nunca aparecia inteira na imagem). Agora, com as novas tecnologias o desafio é lá voltar para sacar o maior número de “pixéis” conforme as máquinas vão sendo mais capazes e esperar que não chova para que a seguinte seja melhor que a anterior, deixou de ser interessante.
Relativamente ao British Museum já a coisa muda de figura. Este museu é como o Louvre, sempre existem peças que saltam fora dos armazéns e se renova o espaço da exposição, de antigo sempre novo, não cansa (embora seja permanente a estatuária frontal do Partenon, que há muito deveria ter sido devolvida à Grécia).
E depois há as galerias do metro, autocarros e taxis, o frenesi comercial da Oxford street, as ceras do Madame Tussaud, as estreias no Odeon (principalmente as do James Bond) e sempre um jantar de sabores duvidosos no mesmo restaurante da Chinatown antes de uma visita regada ao bairro do Soho.