
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
Quando os olhos estiverem prontos

domingo, 8 de fevereiro de 2009
Victor Vasarely
sábado, 7 de fevereiro de 2009
Pöttyös
Pöttyös significa “pintas” e o chocolate é um túró rudi, ou seja uma “barrinha de requeijão”.
O requeijão pertence à gastronomia tradicional da Hungria, utilizado em muitos pratos típicos e doçaria regional. Assim sendo, é tão comum encontrar túró salgado junto com batatas e ovo cozido por exemplo, ou adocicado no recheio de um crêpe (palacsinta).
É difícil portanto encontrar um húngaro que não aprecie um Pöttyös, ou quase crime dizer que não se gosta dessas pequenas barrinhas suculentas de requeijão doce revestidas com uma camada fina e estaladiça de chocolate negro.
Os verdadeiros apreciadores, ou seja aqueles que não se contentam com uma barrinha de apenas 30 gramas , têm a opção óriás, isto é, gigante, uma barra com 51 gramas e naturalmente um pouco maior (o adjectivo utilizado não corresponde à realidade objectiva), ou até mesmo algumas variantes do Natúr, nomeadamente:
O Tejes – igual ao Natúr mas com diferença no revestimento que é de chocolate de leite, a única variante disponível também em tamanho “gigante”.
O Kajszibarack, o Epres, o Mogyorós e o Kókuszos – iguais ao Natúr mas com aroma de alperce, morango, amêndoa e côco, respectivamente.
Recentemente foi lançado o Pont2, que é não mais do que uma saqueta com dois bombons de chocolate negro recheado com requeijão e creme de amêndoa no centro.
Existem outras marcas, por exemplo a Nestlé, que lançaram as suas idênticas barras de requeijão no mercado, mas... A Pöttyös az igazi! (O pintas é o verdadeiro!).
A informação apresentada não tem objectivos comerciais e corresponde a uma análise superficial efectuada directamente num hipermercado de Budapest, contrastada com uma fundamental descrição pormenorizada de uma apreciadora incontestável, conhecedora portanto da essência, sabor e textura do produto na sua versão base e variantes disponíveis.sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
As luvas de László
A fazer fé na tradução, pelo mesmo Eça de Queirós, do livro King Solomon's Mines de Henry Haggard, o Capitão John tinha um fato completo de cheviote castanho, com chapéu da mesma fazenda, polainas irrepreensíveis, luvas amarelas de pele de cão, a face escanhoada, monóculo no olho, os dentes postiços rebrilhando em glória, enquanto por África partcipava em caçada de elefante, localmente chamado Uncungunlovo.
Igualmente probiscídeo, mas de origem indiana, Solimão não se livrou de ser conduzido em estafante viagem por Fritz, o cornaca patrício igualmente naturalizado austríaco no exacto e espontâneo momento em que Maximilian II decidiu o baptismo. O paquiderme castanho havia sido ofertado pelo Rei D. João III e Catarina, prima do Arquiduque mas espôsa do primeiro.
Os olhos deste rei português eram azuis ou verdes tal como os tinha seu pai, e não castanhos como os da feiosa sua mãe Maria de Aragón y Castilla, filha dos Reyes Católicos de Espanha.
E porque todos os nove filhos legítimos de João, os concebidos por Catarina, morreram antes de o sucederem no trono, foi seu neto D. Sebastião, orfão, tornado rei aos três anos de idade e por tal conhecido como “o desejado”. Castanhas são as roupagens e adornos da armadura do Rei D. Sebastião, segundo a pintura a óleo exposta no Museu de Arte antiga, na Rua das janelas verdes, palácio que pertenceu aos Condes de Alvor, e posteriormente foi adquirido pelo Marquês de Pombal, também este Sebastião.
Ora Sebastião José de Carvalho e Melo, após ter desempenhado funções de embaixador em Viena, servindo o Rei D. João V, foi empossado Ministro dos Negócios Estrangeiros pelo recém entronado Rei D. José I, sendo já Primeiro-Ministro no ano em que o dia de Todos os Santos foi trágico para o Reino de Portugal e principalmente para a Lisboa. A reconstrução patrimonial foi portanto uma responsabilidade sua, razão pela qual alguns lugares e objectos são conhecidos pelo seu próprio nome, como é o caso de um certo tipo de azulejo. O Azulejo Pombalino é caracterizado principalmente pela policromia (o azulejo deixa de ser somente azul e passa a exibir naturalmente outros tons, principalmente o amarelo, o verde e o castanho) e também por padrões de repetição simples de modo a revestir intensamente fachadas e decorar espaços públicos de menor nobreza.
Por outro lado e ainda a propósito, no dia onde a memória de mártires é tipicamente celebrada com castanhas assadas, antes mesmo do Magusto, é também tradicional as crianças saírem à rua em pequenos grupos para pedirem o “Pão por Deus” às portas enquanto proferem versos populares ou simplesmente repetem palavras amáveis. Em troca recebem rebuçados, biscoitos, bolachas, broas, bolos, nozes, avelâs, amêndoas e castanhas, embora seja provável preferirem chocolates, que embora sejam feitos com manteigas e leite, são castanhos por causa do cacau.
Para além disto tudo, ainda há as luvas de László, que por lógicas diversas do acaso, definitivamente não são pretas!
Esclarecimento: Artigo dedicado por James Stuart a “quem sabe alguma coisa acerca de algo” e por tal capaz de entender o que lê para além das simples palavras. Para os restantes, há as fotografias.quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009
Cravo
Em português chama-se cravo mas é harpsichord em inglês, clavecin em francês, clavicembalo ou somente cembalo em italiano, igualmente em alemão e csembaló em húngaro.
Descende provavelmente do saltério, que por sua vez é parecido com uma harpa.
Se por um lado, na forma e até modo de utilizar o cravo apresenta fortes semelhanças com o piano, este é menor e pode ter desde um a três manuais (teclados).
É verdade que o piano (inventado no início do séc. XVIII em Itália) praticamente substituiu o cravo em termos de popularidade, principalmente a partir da segunda metade do séc. XVIII até aos dias de hoje, tendo o cravo sido muito utilizado desde o início do séc. XVI (primariamente fabricado quase em exclusivo por artesãos italianos e posteriormente também por flamengos, franceses e outros).
Mas se na forma, conforme referido, existem semelhanças entre os dois instrumentos, será errado considerar que um é percursor do outro porque o cravo funciona por tangência (ou beliscamento) nas cordas enquanto o piano emite sons por percussão nas mesmas. Ou seja, no cravo, ao premir as teclas, os plectros (palhetas) puxam as cordas desde os saltadores de um modo similar ao movimento de unhas a puxar as cordas numa guitarra acústica.
Apesar da grande capacidade de registração conseguida pelo cravo (mais do que uma corda para cada nota com saltadores separados de modo a serem tocadas por plectros em locais diferentes), a sua sonoridade era desfavorável para obtenção de timbres fortes e fracos (crescendos e diminuendos) ao contrário do piano.
Todos os grandes compositores barrocos tais como Scarlatti, Seixas, Händel, Bach e outros, bem como Mozart e Beethoven (estes já posteriores ao barroco) escreveram e utilizaram amplamente o cravo.
Merece a pena ouvir uma composição para cravo, com o concerto em Lá Maior de Carlos Seixas (José António Carlos de Seixas), compositor e cravista português do séc. XVIII, mestre da Capela Real e organista da Sé Pratiarcal de Lisboa.
(É conveniente interromper primeiro a Rapsódia Húngara nº 2 de Liszt, na barra lateral, de modo a evitar sobreposição)
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
Calhaus
“Calhaus” foi cedido gentilmente por Pnet Homem e pelo próprio autor, João Moreira de Sá. A imagem apresentada não pertence ao editor do Szerinting, tampouco ao autor do artigo.
O outro alguém
terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
Hétvége Budapesten
Szentkirályi
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
Kisvasút Kiállítás
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
Uránia Nemzeti Filmszínház
Entrar no Uránia Nemzeti Filmszínház (Cine-teatro Nacional Uránia) pode portanto significar muito mais do que ir ao cinema, é um espaço onde a beleza não se distingue do luxo e o propósito popular se dilui na aparição museológica. Os átrios diversos do interior, sejam de convívio, refeição, ou até escadarias e guarda-roupa são extremamente belos, dignos de apreciar atentamente.
Segundo informação prestada pelo Oktatási és Kulturális Minisztérium, o edifício Uránia foi construído na última década do séc. XIX segundo projecto de Henrik Schmal, encomendado por Kálmán Rimanócsy.
O estilo arquitectónico, muito peculiar e único na cidade, incorpora o gótico-veneziano e o árabe-mouro. Apesar de ter sido desenhado com o propósito de exibir música e dança, foi inaugurado como cabaret e alugado pouco tempo depois à Academia de Ciências para conferências, apresentações científicas e educacionais.
Em 1917 o Uránia foi reconstruído de um incêndio e adaptado para a projecção cinematográfica, nos anos 30 remodelado e tantas mais vezes como as de ter cambiado de dono, até ao ano de 2002 quando o Estado decidiu reconstruír rigorosamente o imóvel, agora classificado e protegido, premiado e catalogado, esplêndido e pouco lucrativo (a ter em conta que o preço dos bilhetes no Uránia é inferior à maioria das salas de cinema de Budapest).
A sala principal e dois pequenos estúdios oferecem cerca de 700 lugares para as estreias de todos os filmes de produção nacional e alguns estrangeiros, bem como festivais de cinema e mostras independentes.segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
Omszki tó
Hóquei, patinagem, corridas de trenó, brincadeiras simples ou complexas, passeios a pé e uma satisfatória novidade para os mais novos, os iniciados da vida.
Ali perto fica o rio Danúbio (Duna folyó) cuja lentidão é ainda a de um Inverno a meio, transportando à superfície blocos de gelo da sua própria alma.
Ao largo, na água que delimita a fronteira entre o município de Budakalasz e a ilha de Luppa (Luppa sziget), os patos seguem novamente resistentes e imunes ao enregelamento dos membros inferiores, principalmente quando decidem afastar-se de curiosos que nem sempre aparecem por bem, crêem.quarta-feira, 14 de janeiro de 2009
Liszt Ferenc
quinta-feira, 1 de janeiro de 2009
Ano novo
Independentemente e à parte desse pormenor infeliz, foram representadas outras obras tais como a “Sinfonia do Adeus” de Haydn (novidade para alguns certamente, dado o espanto e emoção verificado na plateia, completado com um mais eufórico e entusiasmado reconhecimento final) bastante apropriada e de elevada complexidade técnica, principalmente quando a menor quantidade de instrumentos apura a capacidade dos ouvintes para a avaliação da qualidade dos músicos.
O 2009 começou em Budapest do mesmo modo como prometido, a nevar suavemente enquanto foguetes e artifícios estalavam no ar e o Presidente da República repetia o seu discurso do ano anterior com palavras diversas.