quinta-feira, 11 de junho de 2009

Palácio e Convento de Mafra

Era uma vez um rei que fez promessa de levantar um convento em Mafra. Era uma vez a gente que construiu esse convento. Era uma vez um soldado maneta e uma mulher que tinha poderes. Era uma vez um padre que queria voar e morreu doido.

O edifício foi mandado construir por D. João V na primeira metade do séc. XVIII, composto por um Paço Real, uma Basílica, um Convento Franciscano e uma grande Biblioteca.

João Frederico Ludovice, um ourives alemão mas com formação de arquitectura em Itália foi o projectista do mais belo e significativo monumento barroco em Portugal, inspirado na Roma papal mas com influência berniniana e elementos borrominianos.

“Medita D. João V no que fará a tão grandes somas de dinheiro, a tão extrema riqueza, medita hoje e ontem meditou, e sempre conclui que a alma há-de ser a primeira consideração, por todos os meios devemos preservá-la, sobretudo quando a podem consolar tambem os confortos da terra e do corpo. Vá pois ao frade e à freira o necessário, vá tambem o supérfluo, porque o frade me põe em primeiro lugar nas suas orações, porque a freira me aconchega a dobra do lençol e outras partes, e a Roma, se com bom dinheiro Ihe pagámos para ter o Santo Ofício, vá mais quanto ela pedir por menos cruentas benfeitorias, a troco de embaixadas e presentes, e se desta pobre terra de analfabetos, de rústicos, de toscos artífices não se podem esperar supremas artes e ofícios, encomendem-se à Europa, para o meu convento de Mafra, pagando-se, com o ouro das minhas minas e mais fazendas, os recheios e ornamentos, que deixarão, como dira o frade historiador, ricos os artífices de lá, e a nós, vendo-os, aos ornamentos e recheios, admirados. De Portugal nao se requeira mais que pedra, tijolo e lenha para queimar, e homens para a força bruta, ciência pouca. Se o arquitecto é alemão, se italianos sao os mestres dos carpinteiros e dos alvenéus e canteiros, se negociantes ingleses, franceses, holandeses e outras reses todos os dias nos vendem e nos compram, está muito certo que venham de Roma, de Veneza, de Milão e de Génova, e de Liège, e da França, e da Holanda, os sinos e os carrilhões, e os candeeiros, as lâmpadas, os castiçais, os tocheiros de bronze, e os cálices, as custódias de prata sobredourada, os sacrários, e as estátuas dos santos de que el-rei é mais devoto, e os paramentos dos altares, os frontais, as dalmaticas, as planetas, os pluviais, os cordões, os dosseis, os pálios, as alvas de peregrinas, as rendas, e três mil pranclias de pau de nogueira para os caixões da sacristia e cadeiral do coro, por ser madeira muito estimada para esse fim por S. Carlos Borromeu, e dos paises do Norte navios inteiros carregados de tabuado para os andaimes, telheiros e casas de acomodação, e cordas e amarras para os cabrestantes e roldanas, e do Brasil pranchas de angelim, incontáveis, para as portas e janelas do convento, para o solho das celas, dormitórios, refeitório e mais dependências, incluindo as grades dos espulgadoiros, por ser incorrompível madeira, não como este rachante pinho português, que só serve para ferver as panelas e sentar-se nele gente de pouco peso e aliviada de algibeiras. Desde que na vila de Mafra, já lá vão oito anos, foi lançada a primeira pedra da basílica, essa de Pêro Pinheiro gragas a Deus, tudo quanto é Europa vira consoladamente a lembrança para nós, para o dinheiro que receberam adiantado, muito mais para o que há-de cobrar no termo de cada prazo e na obra acabada, ele e os ourives do ouro e da prata, ele e os fundidores dos sinos, ele e os escultores de estátuas e relevos, ele e os tecelões, ele e as rendeiras e bordadeiras, ele e os relojoeiros, ele e os entalhadores, ele e os pintores, ele e os cordoeiros, ele e os serradores e madeireiros, ele e os passamaneiros, ele e os lavrantes do couro, ele e os tapeceiros, ele e os carrilhadores, ele e os armadores de navios...” In Memorial do Convento, de José Saramago.

D. João VI foi o único rei que habitou permanentemente o Palácio, durante todo o ano de 1807, imediatamente antes da partida da corte para o Brasil. Tendo sido utilizado esporadicamente pelo rei D. Carlos, principalmente por causa da Tapada, foi o seu filho mais novo, D. Manuel II, o último monarca que aqui pernoitou até à partida para o exílio, a 5 de Outubro de 1910.

sábado, 30 de maio de 2009

Álmos fejedelem

Filho de Ogyek e Emese, neto de Olnedobel, o Príncipe Álmos foi o pai de Árpád, o Grande Príncipe. Provavelmente nascido em 820 (numa região habitada por eslavos onde se formou posteriormente o Principado de Kiev) tornou-se líder tribal dos Magyar em 858 e viveu até ao ano 895 ou 896.
Existem algumas lendas em redor do nascimento e morte de Álmos, bem como algumas referências a profecias sobre os destinos e propósitos da sua liderança tribal, pois este príncipe nunca chegou a entrar na bacia dos Cárpatos.
Álmos, na língua húngara também significa “sonolento”

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Atlântida

“Eu ouvi o meu avô contar essa história, a qual ouvira de Sólon, o célebre filósofo”, disse Crítias nos diálogos com Timeu, escritos por Platão.
O filósofo grego Platão (427-347 a.C.) obteve no Egipto o conhecimento sobre a existência e a destruição de Atlântida, ocorrida mais de 9 mil anos antes.
“Há um manuscrito com o relato de uma guerra lavrada entre atenienses e uma poderosa nação que habitava uma ilha de grandes dimensões situada no Oceano Atlântico. Nas proximidades dela, existiam outras e, mais além, no extremo do Oceano, um grande Continente. A ilha chamava-se Poseidonis ou Atlantis e era governada pelos reis aos quais também pertenciam as ilhas próximas, assim como a Líbia e os países que cercam o mar Tirreno”, contaram os sacerdotes egípcios de Tebas a Sólon.
No início dos tempos, os deuses dividiram a Terra entre eles e a Poseidon (deus dos mares) coube a Atlântida, a ilha situada a oeste das Colunas de Hércules (o estreito de Gibraltar). No meio da ilha havia uma montanha, talvez um vulcão, onde moravam os humanos Evenor, sua mulher Leucipa e sua filha Clito. Após a morte de seus pais, Clito uniu-se a Poseidon e tiveram dez filhos. Atlas, o mais velho, governou os outros nove.
“Quando os deuses fizeram a partilha do mundo, a Atlântida coube a Poseidon, que ali viveu em companhia de Clito. De sua união com a mortal nasceram dez filhos, dos quais o mais velho era Atlas. Atlas recebeu do pai a supremacia da ilha, que dividiu em 10 partes, tomou uma para si e dividiu as restantes entre seus irmãos.”
Poseidon havia dividido a Atlântida em zonas concêntricas de terra e água. Com recursos naturais aparentemente inesgotáveis, os atlantes domesticaram animais selvagens, acederam a minerais e metais preciosos, desenvolveram conhecimentos sobre magnetismo e poderes de cristais. Também ergueram palácios, templos, canais e portos.
Tendo atingido um nível de cidadania desenvolvido e igualitário, segundo a narrativa de Platão, os atlantes tentaram invadir Atenas, mas foram vencidos pelos gregos. Depois os deuses extinguiram essa civilização através de uma catástrofe, um terramoto seguido de um maremoto. Atlântida, a ilha de Atlas, afundou no Oceano Atlântico.
“Punida por seus vícios e seu orgulho, a Atlântida foi engolida pelo oceano”.
“Mas depois ocorreram ali violentos terremotos e inundações e num único dia e noite de infortúnio, todos os seus guerreiros afundaram na terra e a ilha de Atlântida desapareceu nas profundezas do mar.”
Não é referido o destino dos eventuais sobreviventes atlantes ou de seus descendentes, talvez porque os diálogos não tenham sido terminados ou simplesmente porque a história de Atlântida é uma alegoria filosófica de Platão, tal como indicou Aristóteles, seu discípulo.
Verdade é que como relato histórico (hipotética verdade), existem bastantes contradições na narrativa de Platão: O Mundo havia sido dividido pelos deuses venerados por gregos (hoje mitológicos). Porém a queda de Atlântida, segundo os sacerdotes egípcios, aconteceu por volta de 9600 a.C., quando Atenas ainda não existia, tampouco técnicas agrícolas, ou a escrita. Platão refere também a existência de elefantes, quando nessa idade somente existiam mamutes ou mastodontes.
Centenas de historiadores e arqueólogos investigaram sobre a existência e localização de Atlântida, mas apenas filósofos entenderam o seu significado. A alegoria transformou-se em mito.
As imagens apresentadas não são propriedade do autor.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Géza fejedelem

Géza foi um príncipe Magyar, filho de Taksony, neto de Zoltán e por consequência bisneto de Árpád.
Dirigiu as tribos e nação entre 970 e 997 e foi responsável por algumas decisões que mais marcaram o destino e o comportamento do seu povo.
Com Géza os Magyar estabeleceram-se definitivamente no território que os seus antecessores conquistaram, abandonaram o estilo de vida nómada e aproximaram-se dos restantes povos europeus.
De modo a garantir a paz e a tolerância das nações vizinhas foi fundamental a conversão em 972 do príncipe ao cristianismo, mesmo sendo verdade que somente o seu filho Vajk (baptizado posteriormente de Istvan) levou a sério o abandono dos costumes pagãos e a devoção ao Deus cristão.
Foi o próprio Otto I, o monarca germânico do Sacro Império Romano, que enviou um monge beneditino para baptizar o príncipe húngaro, no âmbito dos acordos de paz estabelecidos entre as partes onde o Império Bizantino também assentou.
Esta postura de aproximação ao Ocidente foi uma iniciativa completamente inovadora e oposta à do seu antecessor (de guerra e saque). Muitas tribos não o apoiaram por considerarem que estava em causa a perda da independência do povo, mas na verdade foi o início da diplomacia e do reconhecimento da nação Magyar como um reino.
Durante a governação de Géza ainda existiu expansão territorial, nomeadamente a ocidente do Danúbio e a norte.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Sztálinváros

Sztálinváros significa “Cidade de Estaline” e foi baptizada com esse nome no ano de 1952. A partir de 1961, ou seja quase dez anos após a fundação, Sztálinváros mudou de nome para Dunaújváros, que significa “Cidade nova do Danúbio”, capital da província de Fejér no centro da Hungria.
A cidade de Dunaújváros é uma das mais recentes na história do país, foi toda edificada na década de 50 durante o grande programa de industrialização nacional do pós-guerra.
Originalmente, ou seja, o plano para a construção de um centro industrial pesado era em Mohács, perto da fronteira com a Jugoslávia, mas porque estava em causa também o rearmamento nacional, por questões de segurança foi preferido este lugar ao centro do país.
A construção de Sztálinváros começou em Maio de 1950, perto da antiga Dunapentele (chamava-se Pentele quando foi fundada em meados do séc. X no local onde existiu a Intercisa, acampamento e cidade romana da Pannonia), projectada para cerca de 25.000 residentes, em 1954 (quando a grande indústria do ferro e aço começou a produzir) já contava com mais de 27.000, e em 1960 com mais de 31.000 habitantes.
Actualmente Dunaújvaros mantém as actividades centradas no plano industrial, a siderurgia nacional continua a produzir, mas entretanto instalaram-se no local outras industrias diversas, tais como fabricação de pneus, material para telecomunicações etc. Nos anos 80 chegou a ter uma população de 60.000 habitantes, mas que tem vindo a decrescer a par da terciarização da economia e dos atractivos criados na capital.
As imagens apresentadas não são propriedade do autor.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Új 200 Ft-os érme

Há cerca de ano e meio "estalou" uma polémia acesa em redor da imagem utilizada nas notas de banco de 200 Forint, representação de Róbert Károly, Rei da Hungria (Napoli 1288 – Visegrád 1342): Apareceu um indivíduo, por sinal "cara-chapada" da referida gravura do monarca, a afirmar (apresentando alegadas provas) de que haviam utilizado fotografias da sua face como modelo para a representação editada pelo Magyar Nemzeti Bank.
Para cúmulo, historiadores e entendidos de arte confirmaram não terem conhecimento de quaisquer pinturas ou gravuras contemporâneas do referido rei, pelo menos com tal perfeição e detalhe. Não existindo portanto uma imagem verdadeira de Róbert Károly, o Banco Nacional Húngaro perdeu a viabilidade de argumento, ou seja, remeteu-se ao silêncio.
Passados uns meses o MNB decidiu substituir o papel-moeda por dinheiro metálico, o que será uma realidade durante o mês de Junho de 2009. Os custos desta operação de recolha e reposição são tão altos que levará alguns anos para compensar, embora seja verdade que o banco deixará de gastar cerca de mil milhões de Forint anuais na impressão constante destas notas.
Decorria o Verão de 2008 quando durante quinze dias foi dada a possibilidade ao público (do tipo mais atento ou simplesmente interessado no tema) de votar a sua preferencia na página web da Magyar Pénzverő Zrt. (Casa-da-moeda húngara), escolher uma de seis propostas para a imagem a cunhar numa das faces da nova moeda.
O resultado são 70 milhões de unidades da nova moeda de 200 Forint, uma bi-color (liga de cobre, níquel e zinco) com 28,3 milímetros e 9 gramas de peso com a imagem em perspectiva da Lánchíd (ponte de correntes), também conhecida pelo nome de Széchenyi-híd, sobre o rio Danúbio em Budapeste.
As votações, segundo relatório emitido, revelaram 52% de intenções para a imagem da Lánchíd (ponte de correntes), 18% na fehér gólya (cegonha branca), 13% na Megyery-híd (um ponte inaugurada no final de 2008, também sobre o Danúbio, mas em perfil de auto-estrada, numa circular externa de Budapeste), 8% no fakopáncs (picapau), 6% na planta cifra kankalin e 3% na flôr kövér daravirág.
À data de hoje a taxa de câmbio Euro/Forint é de 1 Euro = 279,56 Forint. Portanto, uma moeda de 200 Forint vale cerca de 72 cêntimos de Euro (144 Escudos na anterior moeda portuguesa).

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Nasci a 5 de Maio

Durante todo aquele dia estive constrangido, sentia tudo à minha volta a tremer, o coração da minha mãe a bater diferente e uma pressão constante no meu habitáculo.
Depois a coisa piorou quando começaram com empurrões nas minhas costas e puxões na cabeça e pelo pescoço.
Não entendi nada do que me estavam a fazer, enfiaram-me coisas na boca e no nariz, levantaram-me e baixaram-me umas quantas vezes que até tive tonturas, já para não falar do frio, intolerável.
Durante uns momentos voltei a estar junto da minha mãe, abraçou-me e falou comigo. Não durou muito esse conforto, fizeram-me voar novamente, como se fosse um pássaro, e aterrar debaixo de água, por sorte estava quentinha.
Continuei confuso, pensei que ia morrer de tanta maldade, com panos a esfregarem-me na cara e outros puxões, agora pelos braços e pernas.
A luz continuava tão forte que me doíam os olhos, mas passei a não sentir frio e ouvi o meu pai, falava enquanto agarrava a minha mão. Quis vê-lo mas não consegui, estava muito longe, pareceu-me ser verde.
Um pouco depois voltei a estar junto da mamã, já não falava tanto como antes, mas tocou-me na cara e também nas mãos, deixei de ter mêdo.
Não me recordo de mais nada nesse dia, estava tão cansado que adormeci.
Relato gentilmente cedido por Árpád Zsolt, recém nascido.

domingo, 3 de maio de 2009

Estereograma (4)

Novamente um animal de esqueleto cartilaginoso da classe dos Chondrichthyes, subclasse dos Elasmobranchii.
Este peixe da super ordem dos Selachimorpha habita em todos os oceanos e alguns mares, e aparece, através de um estereograma, no Szerinting pela segunda vez.
De modo a descobrir a silhueta, o exercício proposto é fixar o olhar num ponto de infinito durante alguns segundos.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Lusitânia

Estrabão (séc. I a.C.): “Ao norte do Tejo estende-se a Lusitânia, a mais forte das nações ibéricas e a que durante mais tempo resistiu aos Romanos (...) A região é naturalmente rica em frutos e gados, assim como em ouro, prata e muitos outros metais, mas, apesar disso, a maior parte destas tribos renunciou a viver do trabalho da terra para se dedicar ao banditismo, em lutas constantes uns com os outros (...) e o país encheu-se de ladrões.”

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Lusíadas ou Don Quijote?

Não é maior esforço comparar Luís Vaz de Camões com Miguel de Cervantes Saavedra, pelo facto de serem contemporâneos e terem garantido o mais alto reconhecimento por artes de escrita a título póstumo.
Enquanto as suas vidas foram recheadas de aventuras e desventuras, onde não faltaram a ambos diversas viagens terrestres e marítimas, participações em guerras, contacto com culturas distintas, aprisionamento por duelos ou endividamento, as suas obras seguiram rumos completamente distintos, no estilo e no conteúdo.
Camões produziu principalmente poesia lírica ou amorosa e algumas peças de teatro, de onde se destaca Os Lusíadas, uma obra poética com 1102 estrofes e que tem como argumento principal uma descrição da descoberta do caminho para a Índia pelo navegador Vasco da Gama e partes da história de Portugal. A obra Os Lusíadas glorifica a nação portuguesa da primeira à última oitava.
Camões morreu pobre porque é esse o destino natural dos que se dedicam quase exclusivamente à poesia.
Cervantes escreveu essencialmente teatro e novelas onde integrou alguma poesia. A grande obra reconhecida deste autor é El ingenioso hidalgo Don Quixote de la Mancha, uma novela moderna escrita em duas partes (a segunda parte é El ingenioso caballero Don Quixote de la Mancha), um livro de entertenimento e paródia, recheado de peripécias cómicas ou disparates muito bem escritos, com propósitos de divertir qualquer tipo de leitor. Alguns episódios ou partes desta novela foram aproveitados de umas peças escritas pelo árabe Cide Hamete Benengeli, sobre as quais Cervantes comprou os direitos da tradução, enquanto outros foram adaptados por causa de plágios que ocorreram de outros escritores espanhóis.
Cervantes não enriqueceu porque nunca registou os direitos de propriedade e exclusividade da sua principal novela fora de Castilla. A novela Don Quijote tornou-se tão popular que foi alvo de milhares de cópias e traduções, vendidas mais baratas do que as edições originais.

terça-feira, 28 de abril de 2009

Preto no branco

O momento ficou memorizado assim a cores, na pista do Aeroporto de Lisboa, junto à aeronave que havia de transportar o mais pequeno para Budapeste.
A “força terrena” que trata das máquinas, transportes e bagagens também sabe lidar com assuntos logísticos de menor dimensão mas da maior importância.
Portugal assume esta vantagem sobre os restantes países europeus, os seus cidadãos nascem com um senso iluminado de altruísmo e bondade natural, sem que até pareça lógico em termos comportamentais dada a diversidade étnica da sociedade.
Embora seja verdade para qualquer nacionalidade que a maior formação académica das suas gentes não significa maior educação por natural consequência, a concepção que os portugueses têm da sua cidadania, no seu mais amplo sentido, é algo inexplicável, como um dom de graça divina.

Chaque jour qui passe...

Chaque jour qui passe je t'aime davantage.

Aujourd'hui plus qu'hier et bien moins que demain.

sábado, 25 de abril de 2009

O fim do Estado Novo

"Apenas sabemos que a revolução do dia 25 de Abril de 1974 foi importante. Segundo o preâmbulo da constituição foi importante porque marcou o “início de uma viragem histórica da sociedade portuguesa”. Foi simplesmente importante porque aconteceu, como talvez fosse importante se nunca tivesse acontecido. Talvez, nunca saberemos."
James Stuart in Szerinting, a 25 de Abril de 2007.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Salazar e o Estado Novo

António de Oliveira Salazar, (Vimieiro de Santa Comba Dão, 28 de Abril de 1889 – Lisboa, 27 de Julho de 1970), foi Professor universitário em Coimbra (Ciência Económica) desde 1918, Ministro das Finanças a partir de 1928 e Primeiro-ministro de Portugal entre 1930 e 1968.
"Tudo pela Nação, nada contra a Nação"
A instauração da República, em 5 de Outubro de 1910 resultou somente em instabilidade política, injustiça social, lutas de trabalhadores, revoltas e tumultos, aumento do crime e impunidade aliados a uma profunda crise financeira.
"As discussões têm revelado o equívoco, mas não esclarecido o problema; já nem mesmo se sabe o que há-de entender-se por democracia".
A 28 de Maio de 1926, o exército comandado pelo General Gomes da Costa tomou o poder através de um golpe militar que se tornou conhecido por Revolução Nacional.
"Estado é a Nação socialmente organizada".
A revolução de 1926 encerrou o imprestável período de liberalismo republicano que sucedia ao constitucionalismo monárquico. Este movimento militar era portanto anti-liberal, anti-parlamentar e nacionalista.
"Manda quem pode, obedece quem deve."
A grave desorganização económica e financeira aliada a uma passiva incapacidade de resolução dos problemas estruturais e uma degradação continuada da imagem do país no plano internacional sustentada pelo anterior Estado democrático e liberal republicano, levaram ao aparecimento de um Estado Novo, promotor de progresso ordenado.
"Não devemos deixar entrar a desordem onde há ordem."
António de Oliveira Salazar foi de imediato convidado pela Ditadura Militar a assumir a tutela das Finanças do novo governo, mas após treze dias renunciou ao cargo por não terem sido satisfeitas as condições que determinou como indispensáveis ao seu exercício de funções.
"Sei muito bem o que quero, e para onde vou!"
Em 1928, após a eleição presidencial do Marechal Óscar Carmona, António Salazar assumiu o cargo de Ministro das Finanças, na sequência do fracasso do seu antecessor em conseguir empréstimos externos para compensar as dívidas públicas.
"Não tem que agradecer-me ter aceitado o encargo, porque representa para mim tão grande sacrifício que por favor ou amabilidade o não faria a ninguém. Faço-o ao meu país como dever de consciência, friamente, serenamente cumprido".
O primeiro passo foi o equilíbrio das contas públicas, por medidas austeras de controlo de despesa e captação de receita, invertendo o défice permanente. Consequentemente tornou-se possível controlar a elevada inflacção através da estabilização de preços.
"Ensinai aos vossos filhos o trabalho, ensinai às vossas filhas a modéstia, ensinai a todos a virtude da economia. E se não poderdes fazer deles santos, fazei ao menos deles cristãos".
O corporativismo foi a forma de organização económica e social encontrada para ultrapassar os problemas gerados pelo capitalismo liberal e uma forma de ultrapassar a luta de classes, ideia central da ideologia marxista.
"Não discutimos Deus e a virtude. Não discutimos a pátria e a sua história. Não discutimos a autoridade e o seu prestígio. Não discutimos a família e a sua moral. Não discutimos a glória do trabalho e o seu dever."
Ao Estado liberal, abstencionista em matéria económica e laboral sucedeu um Estado intervencionista na economia, aceitando o capitalismo, mas reconhecendo a função social da propriedade, do capital e do trabalho, obrigando os indivíduos a viverem num clima de harmonia social e deixando para o Estado o papel de regulador da vida económica e social.
"Em política, o que parece é”
O corporativismo do Estado Novo promoveu portanto a harmonia, em oposição ao clima de constante confrontação social conhecido anteriormente. O facto do poder executivo depender pouco de partidos políticos tornou o Estado forte e bastante independente de influências externas, num mundo transformado por uma grande guerra, com o aparecimento de novos países e diferentes centros de poder internacional.
"As Nações Unidas são inúteis. [...] São também nocivas. Não passam de um terreno onde floresce a demagogia com um bando de países recém nascidos, desprovidos de qualquer tradição.”
É verdade que o corporativismo do Estado Novo não foi perfeito, não resultou em toda a linha tampouco pôde ser aplicado na totali­dade da lógica do seu sistema. Isto aconteceu em parte porque a 1ª República havia alimentado em curto espaço de tempo demasiados preguiçosos e incompetentes, corruptos e traidores, sem a mesma integridade e autoridade moral do governante.
"No dia em que eu abandonar o poder, quem voltar os meus bolsos do avesso só encontrará pó."
Salazar tinha melhor do que ninguém um sentido da grandeza do Estado mas a noção das suas proporções. A sua aversão por sistemas políticos do tipo fascista totalitário como eram os da itália e Alemanha na década de 30 (O Primeiro-ministro português nutria um profundo desprezo intelectual pelos seus homólogos destes dois países), como também animosidade quanto a democracias multipartidárias que se perdiam em discussões estéreis e em erros condenáveis pela história (exemplo da que havia envolvido Portugal na 1ª Guerra Mundial, consumindo inutilmente as energias da nação), tornaram o Estadista impopular.
"Não se pode, ao mesmo tempo, governar e encantar a multidão."
Os discursos de Salazar são dignos de estudo e reflexão, não somente pela sua actualidade mas principalmente como exemplo de genialidade em pensamento político. O valor da autoridade e respeito para garantir a liberdade, demonstrado numa dimensão que extravasava os interesses particulares em favor dos interesses da Nação, remeteram o líder para uma rota de dever pessoal conduzida orgulhosamente só.
"Vós pensais nos vossos filhos, eu penso nos filhos de todos vós".
A imagem apresentada pertence à capa da revista Time, edição de 22 de Julho de 1946.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Venezia

Veneza, a cidade dos mitos e segredos, das artes e palcos, de amor e coincidências, são cento e dezoito ilhas num emaranhado de canais fácil de entender quando visualizados em mapa, mas complexo por palavras, simplesmente fascinante.
O Canal Grande é o trajecto que importa tomar na viagem de Vaporetto (o transporte público fluvial que faz o lugar de um autocarro, parecido com um Cacilheiro em miniatura) para alcançar a afamada Piazza San Marco. Porque as paragens e apeadeiros são imensos até lá chegar, a capacidade de armazenamento da máquina fotográfica deve ser razoavelmente boa, porque tudo parece monumental na cidade líquida, extraordinário se o céu estiver puro de azul.
É verdade que a referida praça principal (onde se encontra o Leão de Ouro, símbolo da Cidade-Estado, presente também na bandeira) é um ponto obrigatório para o turista apressado, desafogado de vistas mas apinhado de gentes, onde o Grande Canal se funde com o Canal della Giudecca e se captam óptimas imagens de longo alcance panorâmico.
A ordenação numérica das portas está organizada por sestieri (bairro) e não por ruas, o que significa que cada um dos seis bairros de Veneza (Cannaregio, Castello, Dorsoduro, San Marco, San Polo e Santa Croce) tem a sua organização sequencial independente.
Na primeira quinzena de Junho é quando tudo acontece na Serenissima, festivais, exposições, festas e concertos, onde se juntam artistas, coleccionadores, curadores, críticos e jornalistas, para a Bienal Internacional de Artes nos anos pares, para a Bienal de Arquitectura nos anos ímpares, também a Bienal de Teatro, Dança e Música. Fora deste mês, ou seja em Setembro acontece o Festival Internacional de Cinema, o mais antigo do mundo.
Desde a “entrada” de Veneza, um bilhete simples (comprado na bilheteira) de transporte público custa 6 Euros, não importa o destino, seja mais apropriado para o turista estreante a utilização do vaporetto nº 1 aquele que percorre o Gande Canal, já referido ser o mais interessante. Não esquecendo que uma ida obriga a uma volta, conte-se com outros 6 Euros, a menos que a ideia seja saltitar de cais em cais durante 72 horas e assim compensa o passe de 33 Euros. Para os mais exigentes de privacidade, uma viagem de taxi (lancha em madeira, a motor) custará entre os 70 a 100 Euros, dependendo do destino, enquanto para os tradicionalistas, o passeio de gôndola é qualquer coisa como 100 Euros por hora.
A falta dos automóveis é um benefício para o ambiente, uma poluição baixa no ar, compensada no entanto com uma alta das águas. A ausência de ruído de motorizações seria também uma vantagem, não fosse a quantidade imensa de turistas e artistas, comerciantes e actores que se fazem notar, não somente nos dias do sumptuoso Carnaval de festas e surpresas mascaradas.
Com mais tempo e sem o azar de “apanhar” uma Acqua Alta (marés vivas) durante a visita, vale a pena visitar o imponente Museo Storico Navale, a Igreja de Santa Maria Formosa, do séc. VII e o mercado de Rialto (este aos sábados de manhã) ou então seguir as vias de Casino Royale e armar ao James Bond, de preferência sem uma mala de rodinhas a esfolar-se por arrasto nos degraus das pontes.