assimilando um vício Magyar por entre viagens, aventuras e outros compromissos
quarta-feira, 9 de maio de 2007
Sopron
Nos tempos em que o Império Romano conquistou a Pannonia (região banhada pelo rio Danúbio, correspondente à parte ocidental da Hungria actual), cujas principais cidades eram Vindobona e Aquincum (Vienna e Buda respectivamente), a cidade Scarbantia existia no local onde hoje encontramos Sopron.
Na verdade, quando as tribos magyar ocuparam o território desde o seu longo percurso migratório (a nação húngara, ou magyar, tem origem na região dos Urales, onde hoje encontramos a zona fronteiriça da Rússia com o Cazaquistão, limite continental da Europa com a Ásia), a cidade de Scarbantia era apenas um conjunto de ruínas com alguns séculos, que a rota romana do âmbar já tinha desaparecido (rota comercial entre a costa do mar báltico e Aquileia, passando pelo centro da europa evitando os Alpes) e as constantes invasões bárbaras foram determinantes para o abandono do local.
Os húngaros decidiram no século XI restabelecer as muralhas romanas e fundar ali um castelo. Em meados do século XII a cidade então denominada de Suprun revelava uma importância estratégica fundamental em termos de definição territorial.
Em 1273, o Rei Otakar II da Boémia ocupou o castelo mantendo como reféns algumas crianças da nobreza local, o que não intimidou os habitantes da cidade prontamente abrindo os portões aos exércitos do Rei Ladislau IV da Hungria que restabeleceu a soberania, galardoando por fim a fidelidade do povo com a elevação da cidade ao estatuto de “cidade real livre” (os diferentes estatutos significavam diferentes regimes do sistema económico, fiscal e administrativo).
Em 1529 a cidade de Sopron foi saqueada pelos exércitos turcos (período das invasões otomanas) mas não consumaram a sua ocupação, razão que levou a um crescimento demográfico excepcional pois tornou-se uma cidade refúgio para as populações das regiões ocupadas.
Em 1676 um incêndio destruiu parcialmente o centro e deu lugar nas décadas seguintes à edificação de belos edifícios ao estilo barroco que hoje se podem apreciar.
No momento da decomposição do Império Austro-húngaro, os tratados de St. Germain (1919) e Trianon (1920) transferiaram para a posse administrativa da Austria quatro municípios húngaros, sendo um dos quais Sopron (composto na altura pela mesma cidade e oito povoações). Todavia, um referendo local efectuado em 14 de Dezembro de 1921 resultou na vontade do povo (65% dos votos) em pertencer ao estado Húngaro. Desde essa data a cidade passou a ser chamada de “A Hűség Városa” ou “Civitas Fidelissima” (cidade mais leal). Os restantes municípios permaneceram sob administração austríaca e formam actualmente o Estado federal com o nome Burgenland (assim se explica porque o compositor Franz Liszt nasceu Húngaro na vila Doborjan, mas o local do seu nascimento é na Áustria, vila de Raiding).
As ligações culturais e comerciais entre este município húngaro e o Estado federal austríaco vizinho são bastante estreitas pelo que se destaca a produção conjunta de vinhos brancos (kékfrancos) e vinhos tintos (Traminer ou Gewürztaminer em alemão), tendo em conta condições e clima similares, bem como a existência de uma clara manutenção institucional de um sistema bi-lingue nesta cidade de 56.394 habitantes que se identifica também na língua alemã por Ödenburg.
Para visitar Sopron desde Budapeste o melhor acesso é pela auto-estrada M1 em direcção a Viena, atalhando pela estrada nacional nº85 desde Győr (capital da província Győr-Moson-Sopron) que posteriormente entronca com a nº84 em Nagycenk. Nesse percurso merecerá a pena visitar em Nagycenk a estação ferroviária (museu de material rolante a céu aberto), o palácio-museu do século XVII pertencente à família Széchenyi e junto à estrada nacional nº84 é possível observar parte do lago Fertő (Neusiedlersee em alemão), parte integrante do parque nacional Fertő-Hanság, declarado pela UNESCO em 1979 como reserva da biosfera.
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Busque Amor novas artes, novo engenhopara matar-me, e novas esquivanças;
que não pode tirar-me as esperanças,
que mal me tirará o que não tenho.
Olhai de que esperanças me mantenho
Vede que perigosas seguranças!
Que não temo contrastes, nem mudanças,
andando em bravo mar, perdido o lenho.Mas, conquanto não pode haver desgosto
onde esperança falta, lá me esconde
Amor um mal que mata e não se vê.Que dias há que na alma me tem posto
um não sei quê, que nasce não sei onde,
vem não sei como e dói não sei porquê.Luís Vaz de Camões (1525-1580)
Temos, todos que vivemos,Uma vida que é vivida
E outra vida que é pensada,E a única vida que temosÉ essa que é divididaEntre a verdadeira e a errada.Fernando Pessoa (1888-1935)
Perdi-me dentro de mim Porque eu era labirinto, E hoje, quando me sinto, É com saudades de mim.Passei pela minha vidaUm astro doido a sonhar.Na ânsia de ultrapassar,Nem dei pela minha vida... (...)
Desceu-me n'alma o crepúsculo; Eu fui alguém que passou. Serei, mas já não me sou; Não vivo, durmo o crepúsculo.Mário de Sá Carneiro (1890-1916)
Sim, sei bemQue nunca serei alguém.Sei de sobraQue nunca terei uma obra.Sei, enfim,Que nunca saberei de mim.Sim, mas agora,Enquanto dura esta hora,Este luar, estes ramos,Esta paz em que estamos,Deixem-me crerO que nunca poderei ser.Fernando Pessoa (1888-1935)
Eu quero amar, amar perdidamente!Amar só por amar: aqui... além...Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente...Amar! Amar! E não amar ninguém!Recordar? Esquecer? Indiferente!...Prender ou desprender? É mal? É bem?Quem disser que se pode amar alguémDurante a vida inteira é porque mente!Há uma primavera em cada vida:É preciso cantá-la assim florida,Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!E se um dia hei-de ser pó, cinza e nadaQue seja a minha noite uma alvorada,Que me saiba perder... pra me encontrar...Florbela Espanca (1894-1930)
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Aqui direi que busco a só maneiraDe todo me encontrar numa certeza,Leve nisso ou não leve a vida inteira.José Saramago (1922-2010)
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