assimilando um vício Magyar por entre viagens, aventuras e outros compromissos
quarta-feira, 4 de junho de 2008
London
O fascínio de retornar constantemente a Londres é exactamente esse, o de visitar os mesmos lugares sempre da mesma maneira e comparar as diferenças, estar atento aos pormenores...
O Covent Garden continua a ter de encantador as vozes que ensaiam Ave Maria de Schubert quando é Dezembro, ao centro da galeria.
A Tower, guardando as jóias da coroa, continua sem ser visitada por dentro mas fotografada no exterior de todos os modos e feitios, sem desperdiçar a aparição dos guardas fardados no rigor da ocasião e momento, para esses simples obrigação do ofício.
No rio Thames, o Belfast e a Tower Bridge continuam a ser monumentos de eleição, assim como a inteira fachada traseira do parlamento que afinal pouco impressiona a quem habitualmente tem o Orszagház da Hungria como termo comparativo, excepção à magnífica torre de relógio, o Big Ben.
Visitar o Hamleys da Regent street e o Trocadero ali na Piccadilly Circus é vício, não se pode dar outro nome à coisa, tão inexplicável como nunca pernoitar nos mesmos hotéis a cada visita, mas escolher sempre hotéis que estejam junto à Russel square.
E depois há as voltas ao Hyde park e a busca insistente pelos esconderijos dos esquilos nos jardins centrais logo verificando que o hábito e tradição das palestras públicas permanecem lá no canto antes de atravessar a alameda Ring e procurar os Kensington Gardens. Na verdade o palácio real nada tem de extraordinário, tampouco o ritual no render da guarda, mas é que faz parte das razões do coração passar por ali ao final da manhã de Domingo, inevitável opção.
Nas primeiras vezes o problema maior que a catedral de S. Paulo oferecia era o facto de que as dimensões do edifício não eram proporcionais ao afastamento possivel de modo a que se conseguisse uma boa fotografia (a igreja nunca aparecia inteira na imagem). Agora, com as novas tecnologias o desafio é lá voltar para sacar o maior número de “pixéis” conforme as máquinas vão sendo mais capazes e esperar que não chova para que a seguinte seja melhor que a anterior, deixou de ser interessante.
Relativamente ao British Museum já a coisa muda de figura. Este museu é como o Louvre, sempre existem peças que saltam fora dos armazéns e se renova o espaço da exposição, de antigo sempre novo, não cansa (embora seja permanente a estatuária frontal do Partenon, que há muito deveria ter sido devolvida à Grécia).
E depois há as galerias do metro, autocarros e taxis, o frenesi comercial da Oxford street, as ceras do Madame Tussaud, as estreias no Odeon (principalmente as do James Bond) e sempre um jantar de sabores duvidosos no mesmo restaurante da Chinatown antes de uma visita regada ao bairro do Soho.
Nunca me canso de ler nada sobre Londres. É uma das minhas cidades preferidas desde os meus 15 anos e continua a ser. Pelo locais já tradicionais como também por tudo de inovador que ela tem ano após ano. É fantástica.
Nunca deixando porém de fazer uma visitinha à "Tower of records" para contemplar as edições de tudo e mais alguma coisa de novidades, eternalizadas em vinyl.
Todas as fotos apresentadas neste espaço são propriedade do editor
comentários
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Busque Amor novas artes, novo engenhopara matar-me, e novas esquivanças;
que não pode tirar-me as esperanças,
que mal me tirará o que não tenho.
Olhai de que esperanças me mantenho
Vede que perigosas seguranças!
Que não temo contrastes, nem mudanças,
andando em bravo mar, perdido o lenho.Mas, conquanto não pode haver desgosto
onde esperança falta, lá me esconde
Amor um mal que mata e não se vê.Que dias há que na alma me tem posto
um não sei quê, que nasce não sei onde,
vem não sei como e dói não sei porquê.Luís Vaz de Camões (1525-1580)
Temos, todos que vivemos,Uma vida que é vivida
E outra vida que é pensada,E a única vida que temosÉ essa que é divididaEntre a verdadeira e a errada.Fernando Pessoa (1888-1935)
Perdi-me dentro de mim Porque eu era labirinto, E hoje, quando me sinto, É com saudades de mim.Passei pela minha vidaUm astro doido a sonhar.Na ânsia de ultrapassar,Nem dei pela minha vida... (...)
Desceu-me n'alma o crepúsculo; Eu fui alguém que passou. Serei, mas já não me sou; Não vivo, durmo o crepúsculo.Mário de Sá Carneiro (1890-1916)
Sim, sei bemQue nunca serei alguém.Sei de sobraQue nunca terei uma obra.Sei, enfim,Que nunca saberei de mim.Sim, mas agora,Enquanto dura esta hora,Este luar, estes ramos,Esta paz em que estamos,Deixem-me crerO que nunca poderei ser.Fernando Pessoa (1888-1935)
Eu quero amar, amar perdidamente!Amar só por amar: aqui... além...Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente...Amar! Amar! E não amar ninguém!Recordar? Esquecer? Indiferente!...Prender ou desprender? É mal? É bem?Quem disser que se pode amar alguémDurante a vida inteira é porque mente!Há uma primavera em cada vida:É preciso cantá-la assim florida,Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!E se um dia hei-de ser pó, cinza e nadaQue seja a minha noite uma alvorada,Que me saiba perder... pra me encontrar...Florbela Espanca (1894-1930)
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Aqui direi que busco a só maneiraDe todo me encontrar numa certeza,Leve nisso ou não leve a vida inteira.José Saramago (1922-2010)
2 comentários:
Nunca me canso de ler nada sobre Londres.
É uma das minhas cidades preferidas desde os meus 15 anos e continua a ser.
Pelo locais já tradicionais como também por tudo de inovador que ela tem ano após ano.
É fantástica.
Nunca deixando porém de fazer uma visitinha à "Tower of records" para contemplar as edições de tudo e mais alguma coisa de novidades, eternalizadas em vinyl.
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