Silva Porto é exemplo da mais excelente organização urbana - onde inteligência administrativa soube erguer uma cidade quase perfeita - na província ultramarina portuguesa de Angola.
Uma avenida de separador central (Av. Freitas Morna) “rasga” esta pequena cidade em duas partes, rematada nos topos por uma rotunda e por um largo.
Numa das partes encontramos escolas, institutos, um mosteiro, edifícios governamentais, um pavilhão gimno-desportivo, hospital, moradias.
Na outra, o mercado, os bancos, o tribunal, os correios, a residência do governador, a igreja, o hotel, a piscina e muito comércio em lojas e armazéns.
Silva Porto é uma cidade auto-suficiente, tem de tudo... cafés, restaurantes, padarias, supermercados, cabeleireiros, drogarias, carpintarias, fábrica de discos, outra de tijolos e telhas, cinema, campo de futebol, barragem, produção termo-eléctrica, oficinas, parques infantis, jardins, fontanários, aeroporto.
Na rotunda de entrada uma estação de serviço automóvel, descendo a referida avenida central encontramos três bombas de gasolina.
Frente ao hotel Girão bem como no Jardim central estão oficinas completas também com combustível.
O centro é um jardim frente a um largo (Praça Marcello Caetano) onde se implantaram em simetria majestosa os palácios do governo e assembleia municipal.
Esse jardim (espelhos de água) é ladeado pela estação de correios e pela igreja.

Uma pequena ponte, por entre calçada e canteiros facilita num modo artístico a travessia pedonal por cima daqueles tanques de água forrados a azulejos azuis, de altimetria diferenciada de modo a que à agua se mova em cascata e se renove bombada, onde duas esbeltas e desnudas jovens brancas em bronze se precipitam ao banho.
A capital da província do Bié, na República Popular de Angola, chama-se Kuíto (ou Cuíto como apeteça a quem não se interessa de como se escreve o que se diz) e não tem nada disto tão perfeito como se descreve... apenas aquelas duas estátuas, de uma beleza única, eróticas portanto, mas representando a felicidade de um povo que ali chegou a acreditar o paraíso.
Neste artigo publicado, somente as imagens das estátuas são propriedade do autor, captadas em 2004, tendo sido as restantes captadas entre o final dos anos 60, início dos 70.