segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Relógios de fachada

Quando pensamos num relógio de fachada, colocado num edifício ou numa torre, logo nos virá à memória o Big Ben em Londres, porventura o mais famoso em todo o mundo.
Em termos artísticos merece a pena observar o que encontramos na Europa central, exemplo do fabuloso relógio astronómico de Praga, na República Checa.
O de figuras rotativas que se encontram na Rathaus (Câmara Municipal) de Munique, na Alemanha.
O relógio de sinos e também astronómico de Székesfehervár, na Hungria, em excelente estado de conservação.
O relógio de figuras circulantes da Universidade de Szeged, também na Hungria.
O relógio misto e duplo (exposto em duas faces) da torre do castelo de Sighişoara na Roménia.

Este último, na Transilvania, está colocado no castelo que pertenceu a Vlad III Drácula (Vlad Ţepeş), referido anteriormente no artigo publicado a 17 de Maio de 2007, sob o nome "Segesvár".

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Silva Porto (8)

Cuíto (ou Kuíto como apeteça a quem não se interessa de como se escreve o que se diz) é exemplo da mais lamentável destruição patrimonial - onde a estupidez política e militar soube arrasar uma cidade quase perfeita - na República Popular de Angola.

Uma avenida de separador central “rasga” esta pequena cidade em duas partes, rematada nos topos por uma rotunda e por um largo.

Numa das partes encontramos escolas, institutos, um mosteiro, edifícios governamentais, um pavilhão, hospital, moradias.

Na outra, o mercado, os bancos, o tribunal, os correios, a residência do governador, a igreja, o hotel, a piscina e muito comércio em lojas e armazéns.

Cuíto foi cidade auto-suficiente, tinha de tudo... cafés, restaurantes, padarias, supermercados, cabeleireiros, drogarias, carpintarias, fábrica de discos, outra de tijolos e telhas, campo de futebol, barragem, produção termo-eléctrica, oficinas, parques infantis, jardins, fontanários, aeroporto.

Na rotunda de entrada uma bomba de combustível, descendo a referida avenida central encontramos outras duas.

Frente ao hotel Girão bem como no Jardim central existiam oficinas completas também com combustível.

O centro é um jardim frente a um largo onde se implantaram em simetria majestosa os palácios do governo e assembleia municipal.

Esse jardim é ladeado pela estação de correios e pela igreja.

Uma pequena ponte, por entre calçada e canteiros facilita num modo artístico a travessia pedonal por cima daqueles tanques forrados a azulejos azuis, de altimetria diferenciada de modo a que à agua se movesse em cascata e se renovasse bombada, onde duas esbeltas e desnudas jovens brancas em bronze se precipitavam ao banho.

A capital do Bié, na província ultramarina portuguesa de Angola, chamava-se Silva Porto e não era nada disto que observamos... exceptuando aquelas duas estátuas de uma beleza unica, eróticas portanto, mas representando a felicidade de um povo que ali chegou a acreditar o paraíso.
Neste artigo publicado, somente a primeira, a quinta, a sétima, a oitava e a décima-primeira imagem são propriedade do autor, captadas em 2004

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Silva Porto (7)

Silva Porto é exemplo da mais excelente organização urbana - onde inteligência administrativa soube erguer uma cidade quase perfeita - na província ultramarina portuguesa de Angola.
Uma avenida de separador central (Av. Freitas Morna) “rasga” esta pequena cidade em duas partes, rematada nos topos por uma rotunda e por um largo.
Numa das partes encontramos escolas, institutos, um mosteiro, edifícios governamentais, um pavilhão gimno-desportivo, hospital, moradias.
Na outra, o mercado, os bancos, o tribunal, os correios, a residência do governador, a igreja, o hotel, a piscina e muito comércio em lojas e armazéns.
Silva Porto é uma cidade auto-suficiente, tem de tudo... cafés, restaurantes, padarias, supermercados, cabeleireiros, drogarias, carpintarias, fábrica de discos, outra de tijolos e telhas, cinema, campo de futebol, barragem, produção termo-eléctrica, oficinas, parques infantis, jardins, fontanários, aeroporto.
Na rotunda de entrada uma estação de serviço automóvel, descendo a referida avenida central encontramos três bombas de gasolina.
Frente ao hotel Girão bem como no Jardim central estão oficinas completas também com combustível.
O centro é um jardim frente a um largo (Praça Marcello Caetano) onde se implantaram em simetria majestosa os palácios do governo e assembleia municipal.
Esse jardim (espelhos de água) é ladeado pela estação de correios e pela igreja.
Uma pequena ponte, por entre calçada e canteiros facilita num modo artístico a travessia pedonal por cima daqueles tanques de água forrados a azulejos azuis, de altimetria diferenciada de modo a que à agua se mova em cascata e se renove bombada, onde duas esbeltas e desnudas jovens brancas em bronze se precipitam ao banho.
A capital da província do Bié, na República Popular de Angola, chama-se Kuíto (ou Cuíto como apeteça a quem não se interessa de como se escreve o que se diz) e não tem nada disto tão perfeito como se descreve... apenas aquelas duas estátuas, de uma beleza única, eróticas portanto, mas representando a felicidade de um povo que ali chegou a acreditar o paraíso.
Neste artigo publicado, somente as imagens das estátuas são propriedade do autor, captadas em 2004, tendo sido as restantes captadas entre o final dos anos 60, início dos 70.

Sedução, charme, elegância

Sedução é o acto de seduzir ou ser seduzido, a qualidade daquele que seduz, encanto, atracção, suborno. Charme é sedução, encantamento por uma fórmula experimentada, um sortilégio. Elegância é distinção de formas, maneiras, garbosidade, respeito, delicadeza de expressão, educação, graça, gentileza, cortesia, requinte, refinamento e subtileza.

Seduzir com charme e elegância é cativar por meio de manobras específicas a recordação, agradar intencionalmente, apelar às referências comuns ou opostas de outrém de modo a estabelecer pontos de atracção e união psicológica.

Se seduzir é uma arte, no homem o charme é o seu engenho e a elegância é a sua imagem palpável, portanto física e também química, no que se pode sentir.

terça-feira, 14 de agosto de 2007

Teatro Nacional de S. Carlos

O Real Teatro de S. Carlos de Lisboa foi inaugurado a 30 de Junho de 1793 com a exibição de La Ballerina Amante, ópera buffa de Domenico Cimarosa.
Edificado em menos de um ano sob a responsabilidade de José da Costa e Silva, o edifício ao estilo neo-clássico é um modelo idêntico ao Teatro dela Scalla de Milão, na verdade cópia do Teatro di San Carlo de Nápoles (já desaparecido) o que não é estranho tendo em conta a aprendizagem deste arquitecto na Academia Clementina di Bologna.
A construção do S. Carlos aconteceu por simples reposição da desaparecida Ópera do Tejo (que havia ruido durante o terramoto de 1755), iniciativa de um conjunto de burgueses apoiados pelo Intendente geral da polícia Diogo Inácio de Pina Manique.
O frontespício é dividido em três corpos, dois pisos sobrepostos, e um terceiro somente sobre o corpo central. O corpo central conta com três arcos frontais e um lateral, em volta perfeita, coroado por um terraço perfeito de balaustrada de cantaria, cujas janelas se encontram emolduradas por parastase, que suporta uma cornija destacada. Mais acima o relógio envolvido por grinaldas e duas janelas, dois pináculos e um brasão régio.
No interior, desse estilo barroco levado ao extremo (rococó), encontramos a sala de espectáculos de planta elíptica com cinco ordens de camarotes e um salão nobre, contando com pinturas de Manuel da Costa no tecto do salão, Giovanni Appianni no camarote real e Wolkman Machado junto à boca de cena.
Neste espaço Puccini, Rossini, Donizetti, Meyerbeer, Bellini, Verdi, Gounod, Wagner, Richard Strauss entre outros grandes compositores fizeram estreias de algumas de suas obras.

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Stuart & Ninguém

A praia da ilha de Tavira encontrava-se naqueles dias alegadamente raríssimos de maré que revolve algas marinhas na crista das ondas em rebentação que o areal estava não amarelo mas verde. As bolinhas de Berlim ali excusaram-se ao creme, que ainda persiste enfiado generosamente em outras paragens.
O que havia sido prometido não fugiu à realidade, um dia bem passado ao sol de queima do Sotavento Algarvio a colmatar posteriormente com uma refeição tardia num lugar especial de Santa Luzia, "capital do polvo". Mas a coisa aí "deu para o torto" que o polvo estava grevista e nao quiz deixar-se capturar sabendo que resultava esquartejado em prato típico, pelo que não restaram alternativas aliadas ao adiantado da hora que não fossem umas tostas de tamanho invejável ali para os lados da ilha de Faro, no Forte.
O principal não estava na ceia mas no convívio entre as partes que se reconhecia ambíguamente interessante, oportunidade rara e curiosa de se desvendarem mistérios e se descobrirem personalidades dos seres que "de carne e osso" já se previam ser completamente diferentes das fantasias sustentadas para deleite de outrém.

Tavira

Imagem captada na ilha de Tavira, em Agosto de 2007

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

Zagreb

Zagreb é o resultado da fusão acontecida no século XVII entre a diocese húngara do monte Kaptol, fundada no final do século XI pelo rei Laszlo I e a comunidade do monte Gradec, proclamada cidade real autónoma pelo rei Béla IV, após retirada dos exércitos mongóis no século XIII.
Actualmente Zagreb é a capital de Hrvatska (Croácia), Estado que agrupa os antigos territórios da Ístria, Dalmácia, Eslavónia e parte da Panónia.
Sob uma perspectiva etimológica (e porque a palavra zagreb significa "escavar", "esburacar" nesta língua eslava, portanto um verbo), Zagreb tem origem na palavra graba (buraco) que pode ser explicada pela existência de uma significativa depressão orográfica.

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Kacsa

Caros amigos... estamos perante pato, que segundo classificação de “A Canção de Lisboa” é animal anfíbio, cuja alimentação neste caso é base de miolo de pão, minhocas, insectos e outros espécimes equivalentemente invertebrados.
Estes indivíduos, do tipo aquático, habitam áureos num lago do parque da cidade de Budapeste (Városliget), alimentado de águas quentes termais provenientes dos banhos públicos contíguos (Széchenyi fürdo).
O menor deleite que a água morna certamente concede a estes bípedes no Verão é inversamente proporcional ao consolo oferecido nos momentos invernosos em que as temperaturas do espaço aéreo rondam os –10ºC e por vezes inferiores, constatando assim uma diferença superior a 30ºC entre o ar e a água.
Vítimas das condições atmosféricas adversas, os patos vêem-se forçados a compartilhar a sua húmida casa com centenas de outras criaturas aladas e afins voadores. Acontece que nesse período de clima negativo, a sobrevivência das almas penadas passa por restrições nas actividades aeronáuticas ao mínimo indispensável da logística alimentícia... parecem hidroaviões.
Tal como anteriormente referido as palavras szamár e bohóc, ou seja burro e palhaço não servem de ofensa entre os húngaros, porém kacsa (pato) significa qualquer coisa como otário, idiota, lorpa.
Voltando ao lago, cujas águas sendo termais impedem a presença de animais de guelra e batráquios, o mesmo é servido por um excelente restaurante construído em madeira, tipo jangada, o Robinson.
Na ementa encontramos, entre outras iguarias, kacsamell õszibaracklekvárrol és burgonyával, que significa “peito de pato com geleia de pêssego e batata”. Tem aliás uma certa graça saborear este prato de canard a dois palmos de distância dos seus primos inocentes desde as mesas da esplanada. Obviamente que a “matéria prima” do cozinheiro não é proveniente do lago.
Imagem do almoço no dia 18 de Junho de 2006 no porto de Balatonlelle.

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Santa Comba (3)

As primeiras noites dormidas em Waco Kungo aconteceriam no hotel Ritz, informou o amigo que esperava na outra margem do rio Keve.
Antes de conhecer essa peça extraordinária de hotelaria local, pela estrada fora na aproximação à cidade, identificava-se bem que a paisagem nada tinha a ver com os lugares das províncias mais a sul, havia muita “bichagem”, principalmente caprinos e galináceos.
À esquerda o mercado “informal” estava abundante de produtos hortícolas e artigos United Nations - not for sale, vendidos também “aos montinhos” é certo, por ali não pareceia haver fome.
Estupidamente, imagens do Ritz de Lisboa ocupavam-lhe o pensamento durante o percurso... um duche verdadeiro, uma vista soberba, uma cama decente, uma janela com vidros inteiros...
A permanência continuada em Angola tem disso, o pensamento divaga por vezes em fantasias magníficas, tal como um solitário perdido num deserto de areias sempre acaba com miragens de oásis com água abundante e fruta fresca, o percurso final da chegada ao Waco foi uma boa meia-hora de felicidade imaginária.

Imagens captadas em 2004 em Waku Kungo (ou Waco Cungo, ou similar), antiga Santa Comba (Cela), província de Kwanza-sul.