assimilando um vício Magyar por entre viagens, aventuras e outros compromissos
domingo, 22 de abril de 2007
Eger
A “pérola barroca da Europa” encontra-se no centro da cidade (belváros) de Eger.
A 128 km da capital, a cidade de Eger pode ser alcançada indirectamente através da auto-estrada M3 (Budapest - Debrecen) ou da estrada nacional 3 (Budapest – Miskolc). A ligação entre estas vias principais e Eger é a estrada nacional 25, uma meia dúzia de quilómetros desde Füzesabony. Tal como aconteceu (nos finais do século XIX) aquando da implantação da rede ferroviária, também no planeamento das estradas, Eger foi “esquecida” do itinerário principal.
Situada no norte da Hungria, Eger é afinal a capital da província de Heves, a leste das montanhas de Mátra. Na actualidade é bastante conhecida num ponto de vista turístico pelo seu castelo, banhos públicos, edifícios históricos preservados e principalmente por ser a capital da região produtora dos melhores vinhos tintos do país.
O povoamento de Eger remonta à idade da pedra. Durante o início da Idade média foi povoada por tribos germânicas, ávaras e eslavas. Os húngaros somente ocuparam a área no século X.
O Rei Istvan (997-1038) fundou aqui um episcopado, sendo a primeira catedral de Eger erigida na colina do castelo (hoje são ruínas arqueológicas a céu aberto, visitáveis dentro do castelo).
Os séculos XIV a XVI foram tempos de prosperidade, principalmente do tipo agrícola quando os vinhos se tornaram famosos e foi precisamente durante o reinado de Matyas (1458-1490) que a cultura renascentista afecta a Hungria e por consequência belos palácios foram construídos para os bispos de Eger.
A ocupação otomana aconteceu em 1596 por um poderoso exército e após curto cerco, como resposta à campanha falhada de 1552, quando 2100 húngaros (incluindo mulheres e crianças) sob o comando do capitão Dobó Istvan resistiram ao cerco de 80.000 soldados turcos.
A transformação (fruto de uma ocupação de quase um século) passou obviamente pela transformação das igrejas em mesquitas, a reconstrução e alteração do castelo e a instalação dos inevitáveis banhos termais.
A libertação de Eger realizada pelos exércitos cristãos de Charles de Lorraine aconteceu em 1687 no seguimento da reconquista do castelo de Buda no ano anterior (também porque a ambição dos turcos levou-os à ousadia de tentar capturar Viena e por isso pagaram as consequências da enérgica reacção austríaca e de seus aliados cristãos).
Eger voltou a ser próspera, apoiou a primeira guerra de independência contra os Habsburgos (1703-1711) ao lado do príncipe Rákóczi Ferenc II (sem sucesso), sofreu diversas pragas, mas foi no século XIX que os maiores desatres se abateram sobre esta cidade: Em 1800 um incêndio devastou metade das habitações, em 1801 a muralha sul do castelo desabou e arruinou bastantes outras construções, em 1827 novo incêndio destruiu todo o centro, em 1831 uma epidemia matou centenas de habitantes, em 1848 a população e a aristocracia de Eger apoiaram a revolta contra os austríacos (novamente sem sucesso) e em 1854 a administração imperial retirou o poderes e propriedade aos “senhores” das terras e a gestão da cidade ao arcebispo.
Apesar da ocupação alemã e da “libertação” soviética da segunda guerra mundial, Eger nunca foi bombardeada apesar de ter sofrido alguns danos, desfrutando de um conjunto arquitectónico ao estilo barroco que vale a pena visitar.
Estacionar algures na Kossuth Lajos utca, apreciar a basílica na Eszterházy tér, seguir (sempre em vias pedonais) pela Széchenyi István utca, encontrar a praça Dobó, visitar a Igreja de Santo António e por fim subir ao castelo pela István utca – Dózsa György tér, é um percurso possível.
Todas as fotos apresentadas neste espaço são propriedade do editor
comentários
Comentários anónimos aos artigos devem ser sempre assinados com um nome ou pseudónimo. O editor reserva o direito de remover todos aqueles que entender inapropriados ou que não estejam identificados.
Busque Amor novas artes, novo engenhopara matar-me, e novas esquivanças;
que não pode tirar-me as esperanças,
que mal me tirará o que não tenho.
Olhai de que esperanças me mantenho
Vede que perigosas seguranças!
Que não temo contrastes, nem mudanças,
andando em bravo mar, perdido o lenho.Mas, conquanto não pode haver desgosto
onde esperança falta, lá me esconde
Amor um mal que mata e não se vê.Que dias há que na alma me tem posto
um não sei quê, que nasce não sei onde,
vem não sei como e dói não sei porquê.Luís Vaz de Camões (1525-1580)
Temos, todos que vivemos,Uma vida que é vivida
E outra vida que é pensada,E a única vida que temosÉ essa que é divididaEntre a verdadeira e a errada.Fernando Pessoa (1888-1935)
Perdi-me dentro de mim Porque eu era labirinto, E hoje, quando me sinto, É com saudades de mim.Passei pela minha vidaUm astro doido a sonhar.Na ânsia de ultrapassar,Nem dei pela minha vida... (...)
Desceu-me n'alma o crepúsculo; Eu fui alguém que passou. Serei, mas já não me sou; Não vivo, durmo o crepúsculo.Mário de Sá Carneiro (1890-1916)
Sim, sei bemQue nunca serei alguém.Sei de sobraQue nunca terei uma obra.Sei, enfim,Que nunca saberei de mim.Sim, mas agora,Enquanto dura esta hora,Este luar, estes ramos,Esta paz em que estamos,Deixem-me crerO que nunca poderei ser.Fernando Pessoa (1888-1935)
Eu quero amar, amar perdidamente!Amar só por amar: aqui... além...Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente...Amar! Amar! E não amar ninguém!Recordar? Esquecer? Indiferente!...Prender ou desprender? É mal? É bem?Quem disser que se pode amar alguémDurante a vida inteira é porque mente!Há uma primavera em cada vida:É preciso cantá-la assim florida,Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!E se um dia hei-de ser pó, cinza e nadaQue seja a minha noite uma alvorada,Que me saiba perder... pra me encontrar...Florbela Espanca (1894-1930)
.
Aqui direi que busco a só maneiraDe todo me encontrar numa certeza,Leve nisso ou não leve a vida inteira.José Saramago (1922-2010)
Sem comentários:
Enviar um comentário