sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Indumentária de um homem elegante, charmoso, sedutor

A roupa utilizada por um homem elegante, charmoso, sedutor, deve ser incondicionalmente discreta. Ser recordado por um específico objecto ou cores, provavelmente resultará numa tendência cíclica viciosa de memorização negativa, porque se concentra num específico detalhe e não no conjunto, nunca olvidando também que a sedução, charme e elegância de um homem se prende muito mais com o seu comportamento, postura e discurso do que com a roupa.
A exposição ostensiva e propositada de certas partes do corpo ou diferenciações existentes no corpo relativamente ao comum no género masculino, é invariavelmente redutora, por vezes repugnante, e normalmente ridícula, demonstrando um complexo de inferioridade.
A limpeza é importante, entenda-se que é mais sensato utilizar uma camisa com colarinho puído mas limpo, do que uma camisa nova encardida e sebosa... mais prudente será não utilizar uma gravata do que transportar essa tira de tecido com manchas e nódoas... assim como existem mais benefícios em aparecer despenteado mas sedoso, do que exibir um couro afinado mas gorduroso ou seborrento.
Sapatos devem estar engraxados e limpos de elementos que originalmente não lhe pertencem. Após um percurso onde se torna inevitável calcar solos instáveis, não é difícil recompor a situação original, umas ervas, um papel qualquer ou um lenço que a saliva ajudará certamente a humedecer se for caso disso.
A utilização de sapatos desportivos ou com sola de borracha do tipo macio “empresta” um ar relaxado e displicente, para além de que provoca ruídos inconvenientes quando em contacto com pavimentos polidos ou de madeira encerada. Não raro é que as solas de borracha sejam estriadas ou com “baixos relevos”, portanto mais capazes de transportar lamas e outras excrescências que após secas se transformam em torrões ou granulados que se espalharão desagradavelmente pelos espaços alheios.
Os sapatos de cor preta têm mais capacidades de conjugação com os elementos têxteis do que os sapatos castanhos, azuis ou de outras cores.
Uma coisa é certa, a cor dos sapatos deve ser similar à cor do cinto, principalmente quando o material é também idêntico.
Sapatos com berloques, fivelas, outras decorações diversas somente servem para distrair a função principal do objecto, proteger o pé de desgaste, temperaturas adversas e objectos contundentes.
O mesmo acontece com as peúgas, que sem dúvida o negro tem mais versatilidade e neutralidade no conjunto, contrariando cores garridas... a menos que a cor das meias seja exactamente igual à das calças.
A utilização de peúgas brancas é realmente improvável a menos que se utilizem calças brancas, difíceis de manter impecavelmente limpas, logo pouco aconselháveis.
Esta peça do vestuário quer-se lisa, ou seja sem desenhos ou símbolos, sendo sempre uma vantagem a aquisição de muitos pares exactamente iguais e da mesma cor, por ser mais fácil a organização logística de emparelhamento pós lavagem e compatibilidade futura quando há perdas singulares por aparecimento de orifícios.
O material ideal para as peúgas é o algodão, porque é alegadamente mais saudável para o contacto com a pele dos pés, com menos probabilidade de apurar eventuais odores, bem sabendo que o material é pouco resistente mas em compensação também é mais barato.
Os casacos de malha com fecho ou botões frontais são mais práticos do que as camisolas. Tendo razões de existência muito similares, a primeira opção é mais fácil de colocar ou retirar, sem desconjuntar a camisa, a gravata e o penteado, mais, sendo possível de utilizar aberto, se as temperaturas estiverem num ponto exacto em que merece continuar no corpo, mas não abotoado.
Com o casaco de malha consegue-se uma posição e acesso mais favorável à recomposição eventual da gravata. A cor do mesmo não deve se contrastante com o casaco nem calças, essa poderá ser a função da camisa ou da própria gravata, pelo que melhor seja liso, também sem desenhos ou símbolos.
A escolha da camisa depende do casaco, calças ou fato.
As camisas brancas são compatíveis com tudo o que se coloque no corpo depois. Se a mesma tiver intenções de agregar uma gravata, a forma do colarinho é o mais importante, devendo ter goma de modo a que não se verifiquem vincos e um ângulo no extremo de cerca de 90º.
Os colarinhos com botões não são adequados para a utilização de gravatas.
O número da camisa deve ser o exacto número do utilizador com folga para maior mas nunca para menos, pois o aperto do pescoço provoca dores de cabeça de longa duração como atrai o suor com mais facilidade deixando por vezes marcas que se assemelham a sujidade.
Entre a manga curta e a manga comprida existem vantagens na manga comprida que pode ser recuada com duas voltas de dobra sobre os punhos caso necessário. Embora seja relativo qual das duas a mais apropriada para o uso de gravata, decididamente a de manga comprida dá compostura se o utilizador veste casaco ou fato.
A maior parte das camisas de manga comprida apresentam dois botões junto aos punhos. O botão mais apropriado a utilizar é o externo, que deixa mais folga ao punho e leva o punho ao um diâmetro mais similar ao da manga do casaco.
O punho da camisa dever aparecer a par do bordo da manga do casaco, isso somente é possível se estiver folgado, sendo que pelo contrário estiver apertado no botão interno irá recuar no braço e exibir o relógio por falta de espaço para este.
O relógio não deve ser exibido, é apenas um objecto que o dinheiro compra, deve estar exactamente por debaixo do punho da camisa, solto, perceptível apenas quando se estica o braço para consulta.
As camisas axadrezadas ou de riscas não devem ser utilizadas com gravata a menos que esses motivos sejam muito ligeiros, pouco perceptíveis, pelo que o ideal será mesmo a camisa lisa de uma só cor neutra, preferentemente clara.
As camisas pretas ou escuras têm pouca utilidade excepto em funerais ou em festas nocturnas, são ridículas se utilizadas sob casacos ou fatos claros e mais ridículas se adornadas com gravatas claras contrastantes.
O bolso existente na camisa serve para pouco, a utilizar somente em situações de emergência, durante uma reunião para uma lapiseira ou lenço de papel, ou em qualquer ocasião em que é impossível encontrar outro lugar oportuno.
Colocar objectos volumosos ou pesados, deformam a camisa para uma imagem de desleixo, sendo que canetas ou esferográficas podem manchar o tecido. A menos que seja caixeiro-viajante, não deve utilizar o bolso da camisa para guardar cartões de visita, do mesmo modo como uma esferográfica entalada na orelha é própria somente no merceeiro.
Também, a probabilidade de uma camisa seguir para a máquina lavadora com papeis, cartões, lenços, notas esquecidas no bolso da camisa é demasiado alta.
A utilização de gravata é um assunto sério. Há quem a deteste, há quem a torne elemento imprescindível da indumentária.
Quando colocada, o bico do extremo deve ser coincidente com o bordo superior do cinto, regulação obtida na formação do nó (a costura existente a meio desta peça serve mesmo para auxiliar no encontro dessa medida correcta, que varia obviamente de homem para homem consoante a sua estatura física).
Se o bico da gravata estiver posicionado acima da zona do umbigo, então teremos um estilo “Vasco Santana” que até pode ser divertido, mas ridículo. Se por outro lado o bico estiver posicionado na zona da braguilha então existirão complicações no acto de urinar e seguramente o nó será demasiado fino e assim também ridículo.
Gravatas escuras de uma só cor devem ser utilizadas somente em momentos de solenidade passiva, tal como funerais e afins de celebração contida. Outra cores que não negras, são utilizadas normalmente por polícias, militares, fiscais de transportes, servidores de hambúrgueres, seguranças, etc.
Também há que haver uma certa noção de cores e contrastes de modo a não incorrer em apresentações apalhaçadas ou de estilo “mafioso”, sendo assim arriscada a escolha de cor de rosa, amarelo, laranja, azul claro, fluorescentes diversos se o fundo da camisa não for branco.
Utilizar gravatas em camisas de botões nos colarinhos, resulta em tecido amarfanhado à volta do pescoço, porque normalmente o ângulo dos colarinhos não se adaptará ao volume do tecido que ali se tenta impor.
As camisas utilizadas em conjunto com gravatas não devem ser mais garridas do que estas, nem da mesma cor, tampouco se devem conjugar padrões axadrezados com riscas.
Os alfinetes, peças decorativas douradas, prateadas ou esmaltadas são utilizados normalmente por quem não está habituado a usar gravata, que o movimento desta (pelo vento, pelos movimentos do corpo) o incomoda ou então apresenta-se como jóia ou peça decorativa, logo um ponto de observação particular para os demais, tornando-se cansativo e demasiado apelativo. Os alfinetes ademais perturbam na sua manutenção, porque terá que ser recolocado e ajustado diversas vezes, tantas quanto o reposicionamento do nó.
As gravatas de seda resultam num nó difícil de executar, amarfanham rapidamente e são por vezes demasiado lustrosas. O nó abre-se com facilidade pois são escorregadias.
Utilizar gravatas de materiais sintéticos (tipo polyester) é assim muito mais prático do que a seda.
As riscas, desenhos ou motivos devem existir por linhas, fios diferentes, logo apresentando alguma textura, nunca estampados e impressos, excepto se o utilizador é um profundo apreciador de produtos chineses.
Tecidos grossos resultam em nós bem feitos mas por vezes demasiado gordos e ridículos. Tecidos finos resultam em nós demasiado pequenos e enrugados.
O nó da gravata deve ser desfeito em cada vez que se retira do pescoço e nunca mantido para a próxima utilização, porque as rugas vão danificar a peça e porque eventual sujidade e um certo brilho inconveniente se manterão sempre no mesmo ponto.
Existem diversos tipos de nó, sendo um dos mais interessantes e lógicos o “Windsor” ou conforme a espessura do tecido o “meio-Windsor”.
Há quem os faça fora do pescoço e depois o enfie pela cabeça montado e preparado para ajustar (nó simples de quatro voltas, chamado de “nó americano”). Reconhecendo que esse é o método mais rápido porque acerta com as alturas à primeira, o contra está que o mesmo se abrirá com muita facilidade após colocado, obrigando a constantes ajustes de reposicionamento durante todo o tempo de utilização.
Existem também o “nó duplo”, o “duplo cruzado”, o “oriental” e o “ordinário” (porque é iniciado com a costura para fora, também conhecido por “nó de Shelby”), mas todos estes não resultam sempre centrados e simétricos ou são impróprios em certos tecidos de espessuras diferentes.
Os fatos (casaco e calça de cor homogénea, idêntica, produzidos com o mesmo tecido) são realmente peças muito elegantes, não necessariamente conectados com a idade mais avançada porque os há de padrões, cores e texturas diversas.
Dependendo de cada sensibilidade, a gama de cores escuras lisas ou com riscas finas e discretas são encontros fáceis para indecisos ou inseguros.
A utilização de casacos com calças desportivas é por vezes interessante desde o momento que não se utilize gravata e que não se jogue a cor azul com a castanha excepto quando as calças são de ganga, tipo jeans.
O casaco azul com calças cinzentas escuras pode ser uma boa opção para quem não gosta de fatos de uma só cor.
Casacos de cor clara com calças escuras ou vice-versa são agradáveis embora também seja difícil encontrar “espaço” para a gravata, tendo em conta um conjunto demasiado contrastante a menos que a camisa ou a própria gravata sejam de cor idêntica às calças (individualmente, nunca a camisa da mesma cor da gravata e ambas das calças) e os elementos não sejam de todo do tipo desportivo.
Não deve ser utilizado o casaco que pertence a um fato com calças diferentes porque se nota. Normalmente os casacos de um fato têm um desenho específico para serem usados em conjunto com as suas calças.
As calças não devem ter a baínha descosida, curta ou a arrastar pelo chão, porque isso significa desmazelo.
Relógios a utilizar com fato e gravata devem ter pulseira de pele ou metálica, não de borracha, bem como o mesmo não deve ser de plástico.
Canetas ou esferográficas que se retiram, em caso de necessidade, do bolso interior do casaco na devem ser artigos publicitários tipo “zé dos frangos”, mas metálicas ou se de material menos nobre, de uma só cor, evitando sempre as tintas verdes e vermelhas.
As algibeiras dos fatos servem para muita coisa, sempre leves, por via a não deformarem o conjunto. Esse espaço não deve ser utilizado para repouso das mãos, para isso existem os bolsos das calças. Ali se colocam por exemplo lenços de papel para limpar suor, cartões de visita, cigarros, um ou outro rebuçado, sempre com o cuidado de evitar peso ou volume excessivo.
Enquanto se conduz um automóvel, deve ser retirado o casaco, porque a temperatura de contacto e humidade produzida deixa o tecido e as formas originais numa lástima.
Os números escolhidos tanto em fatos, casacos, calças ou camisas, devem ser exactos à medida do corpo do utilizador, nunca apertados ou folgados, pelo que um homem elegante terá efectivamente problemas em termos de quantidade de roupa a renovar caso sofra de variações constantes de dimensão, vulgarmente chamado de peso (que é menos importante esse sentido).
As imagens apresentadas não são propriedade do autor.

8 comentários:

anarresti disse...

eu, que quanto a elegância masculina tenho tudo a aprender, deliciei-me com este texto. é impressionante como vestir pode ser algo com a complexidade e a coerência de um sistema tão estruturado mas, ainda assim, fluído. algumas coisas parecem-me do senso comum, talvez não o sejam, decorrendo como as outras, de convenções. De qualquer forma, apetece-me repetir a palavra coerência, sendo que no início é dado o mote de todas as regras, conselhos e dicas a seguir:
"A roupa utilizada por um homem elegante, charmoso, sedutor, deve ser incondicionalmente discreta. Ser recordado por um específico objecto ou cores, provavelmente resultará numa tendência cíclica viciosa de memorização negativa, porque se concentra num específico detalhe e não no conjunto(...)".
Todas as regras, desde a combinação de cores, ao uso correcto da gravata, passando pelo pormenor da gola da camisa, conspiram, de facto, para que não haja ruído, estridência ou desarmonia mas, em vez disso, discrição, harmoniosa discrição.
Das mulheres costuma dizer-se que se tiverem um vestido bonito, elegante, toda a gente repara nelas [por oposição a um vestido deselegante, que faz com que se repare só no vestido]. Aqui parece-me que se pode dizer que uma indumentária discreta e harmoniosa faz com que seja o homem a sobressair, de entre um conjunto equilibrado e elegante e não um pormenor berrante ou inadequado.

muito bom texto, precioso manual de elegância e charme, parabéns.
abraço,
nuno.

Su disse...

Este texto está excelente!!!

De facto, um homem limpinho e discreto é... É meio caminho andado!

A minha mãe sempre nos disse (a mim e às minhas irmãs): "Um homem tem que ter as unhas curtas e limpas, o cabelo bem lavado e brilhante e sapatos bem engraxados. Por aí poderemos ver se é um homem limpo e asseado".

Coisas de mãe que nunca falham...

Tanto rapazinho anda por aí com grandes letras, e ratos nas camisas e, depois olha-se-lhes para as unhas e... bnhéc :))))

Como se não bastasse de tanta qualidade no texto, você tem a enorme delicadeza de escolher com primoroso cuidado as fotografias...

Mas, querido james, sabe que há homens a quem qualquer trapinho fica bem... Pronto, limpinho cai ainda melhor, claro.

:)

Su

Lis disse...

James: Antes do mais, agradeço a referência. Gostaria de o ajudar mas não sei como...Até agora ninguém sentiu esse problema ou pelo menos não o comentou. Tratarei de ver se é generalizado; se não for a solução será voltar a tentar depois de eu fechar a sondagem. Obrigada e não desista.

Lis disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
bee disse...

James

Busca vã, desisto. Andei à procura nos meus arquivos de um texto de umas dez linhas que, com humor e inteligência, definia o homem elegante e «charmoso». Tratava-se do homem aparentemente desprendido, em que tudo – da cabeça aos pés, texturas e cores - era equilibrado e coordenado, com o pormenor e o rigor deste que tão bem define no seu artigo, com a qualidade de texto e selecção de imagens ilustrativas a que já nos habituou.

Retenho «não olvidando também que a sedução, charme e elegância de um homem se prendem muito mais com o seu comportamento, postura e discurso do que com a roupa.»

Sendo que não deixa de ter importância o cuidado que merece a um homem a sua aparência e excluindo a negligência, qualquer que seja a sua indumentária, são muito mais importantes para mim os três aspectos que refere e um quarto, absolutamente obrigatório – cela va sans dire - uma higiene impecável, conquanto isso não signifique perder duas horas na casa-de-banho e impregnar-se daquelas águas-de-colónia fortíssimas que me põem a milhas...

Anónimo disse...

Ez egy igazán velős és tömör összefoglaló, amit minden férfinak ismernie kell, ha igazán sikeres szeretne lenni.
Puszi,
Barbara

This is a really interesting and amazing summary that every man should know and of course also live these rules...
I pretend to share it with my husband...
Barbara

M disse...

Un perfecto manual para un hombre también perfecto. Sería digno de publicar y de que muchos a los que solo les acompaña el dinero lo tuviesen en cuenta para convertirse en verdaderos gentleman!!

Saludos y agradecida por su intento de mejorar un poquito este mundo tan desastroso a veces.

M.


PD. Disculpa que escriba en español, entiendo tu idioma al leerlo pero no se escribirlo.

james stuart disse...

Agradeço a amabilidade de todos os que apreciaram este texto, um dos mais demorados a elaborar no Szerinting